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Leilões de propriedades rurais no Brasil disparam com avanço da dívida rural


SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) – Os leilões de propriedades ⁠rurais tomadas por credores estão aumentando vertiginosamente em todo o Brasil, segundo ⁠dados compilados para a Reuters, à medida que a inadimplência no campo cresceu para quase um quinto ‌dos empréstimos em circulação.

Preços mais baixos dos grãos, taxas de juros altíssimas e custos crescentes dos insumos, bem como os estragos causados por um clima imprevisível em um cenário de mudanças climáticas, levaram a falências e à ‌tomada de mais fazendas em todo o Brasil, disseram produtores e analistas à Reuters.

Para agravar os problemas, os agricultores brasileiros estão se preparando para um possível fenômeno climático do tipo ‘super El Niño’, que poderia prejudicar a produtividade das safras e reduzir ainda mais suas rendas.

Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes durante a guerra no Irã levou mais agricultores brasileiros a reduzir suas ambições em relação a novos plantios.

O Rio Grande do Sul é um dos Estados ⁠que ‌sofre com a inadimplência, após as enchentes catastróficas de 2024 influenciadas pelas mudanças climáticas em ano de El ⁠Niño, de acordo com um estudo publicado em janeiro na revista ‘NPJ Natural Hazards’, da editora ‘Nature’.

As dívidas problemáticas emitidas sob as regras de crédito rural do Brasil mais que quadruplicaram em dois anos, chegando a R$171,2 bilhões no início deste ano, de acordo com dados do Banco Central que acompanham questões como empréstimos inadimplentes, inadimplências, pagamentos reescalonados e renegociações.

As dívidas inadimplentes cresceram para 19,6% dos empréstimos agrícolas, ante apenas 5,5% dois ​anos antes, mostraram os dados do Banco Central.

‘Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado’, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura do Brasil, Guilherme Campos, à Reuters.

VENDA DE PROPRIEDADES ​RURAIS

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Os credores brasileiros têm se tornado mais agressivos na tomada de terras agrícolas como garantia de empréstimos inadimplentes, aumentando o número de propriedades rurais em leilão, de acordo com dados do site agregador Leilão Imóvel compartilhados com a Reuters.

O volume desses leilões saltou para 14.219 propriedades rurais leiloadas em 2025, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.

As propriedades tomadas e leiloadas em procedimentos extrajudiciais mais rápidos quase dobraram, chegando a 2.398 no ‌ano passado.

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O Leilão Imóvel pesquisou cerca de 7% a mais de leiloeiras em ​2025, portanto os dados não são diretamente comparáveis, disse o cofundador André Figueiredo.

No entanto, as maiores leiloeiras vêm compartilhando dados desde 2019 e há uma tendência clara que mostra piores dificuldades financeiras para os agricultores brasileiros nos últimos anos, afirmou ele.

‘O volume de imóveis rurais ⁠aumentou bastante’, disse ele, acrescentando que as regiões ​voltadas para a produção de ​soja e outros grãos foram as mais afetadas.

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Os pedidos de recuperação judicial do setor agrícola aumentaram 56% em 2025, após mais que dobrarem em ⁠2024, de acordo com dados publicados pela agência de crédito ​Serasa Experian.

CLIMA TURBULENTO

Os produtores ainda lutam para se recuperar de uma série de choques, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.

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Outros fatores que prejudicam a capacidade dos agricultores de arcar com suas dívidas, disse ele, incluem o mau tempo, ​preços mais baixos para as exportações agrícolas — particularmente a soja — e uma taxa de juros de referência brasileira que subiu de 2% para 15% em cinco anos.

‘A perspectiva para frente não é ​boa’, acrescentou ele. ‘Os juros ficaram muito ⁠altos e não sabe onde vão ficar os preços das commodities. A chance de choques por problemas climáticos é muito alta.’

Um agricultor do Rio Grande ⁠do Sul, que pediu para não ser identificado, disse que é uma luta acompanhar as taxas de juros ‘impagáveis’ depois que condições climáticas extremas arruinaram suas safras. Um credor recentemente tomou posse de mais da metade da fazenda da família.

‘A mudança climática, ela é expressiva, ela é evidente. Nós não estamos conseguindo produzir uma hora por muita chuva e outra hora por muito sol. Então eu te digo assim: o fator clima é o fator que nos colocou nessa posição.’



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Vídeo mostra momento da colisão entre helicópteros no Rio; veja


Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois helicópteros se chocaram no ar na manhã deste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A ocorrência deixou seis mortos.

O vídeo, obtido pela CNN Brasil, mostra a batida entre as aeronaves e a queda de uma delas segundos depois. Moradores da região relataram ter ouvido fortes estrondos antes do impacto.

O caso ocorreu por volta das 9h, nas proximidades da avenida das Américas. Após o choque, uma das aeronaves caiu no pátio de uma concessionária de veículos elétricos. Pelo menos 20 carros foram atingidos e destruídos. Peças e fragmentos ficaram espalhados pelas ruas do entorno.

Entre os mortos estão os pilotos Charles Marsillac e Alexandre Souza. Também perderam a vida o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves, conhecido como Lucas Frota, o diretor argentino de videoclipes Lucas Gignale, o youtuber argentino Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, e o cantor americano Oliver Tree, que estava no Brasil.

A apuração do caso está sob responsabilidade da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). Equipes de perícia realizaram os trabalhos no local e aguardam a conclusão do laudo do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Segundo a Polícia Civil, os corpos de Lucas Brito Chaves, Charles Marsillac e Alexandre Souza já foram identificados. No caso dos estrangeiros, o IML (Instituto Médico-Legal) recolheu material para exames de confronto genético. Outras diligências seguem em andamento para esclarecer o que provocou a ocorrência.



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Acordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio na inflação exige cautela


A sinalização de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio trouxe alívio aos mercados globais e provocou um recuo recente nos preços do petróleo. A resolução diplomática diminuiu as tensões na região e abriu caminho para a normalização do fluxo comercial de energia no Estreito de Ormuz. No entanto, especialistas avaliam que o impacto dessa trégua na inflação e na trajetória dos juros globais e brasileiros esbarra em desafios macroeconômicos persistentes. 

Saiba mais: Tudo sobre o acordo dos EUA com o Irã: o que se sabe e o que falta definir

Reposição de estoques deve pressionar preços

No cenário internacional, o otimismo com a abertura do Estreito de Ormuz para o tráfego de navios tem impacto direto nas projeções de custos. Segundo Shinichiro Fukui, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, a retomada do fluxo normal de tanques petrolíferos diminui o impacto nos preços da commodity e reduz a pressão inflacionária global. 

Contudo, Fukui alerta que a inflação nos Estados Unidos e no mundo ainda sofrerá pressões nos próximos meses, reflexo do aumento do petróleo nos últimos dois meses durante a guerra. Ele explica que países como China, Japão, Coreia e nações europeias utilizaram suas reservas estratégicas de petróleo durante o conflito e, obrigatoriamente, precisarão repô-las. 

Leia também: Retomada do fluxo em Ormuz deve ser gradual e levar semanas, dizem analistas

Além dessa recomposição estrutural, a guerra evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimento globais. Segundo Fukui, economias menores e países importadores devem mudar sua dinâmica de segurança energética e, assim como acumulam dólares e ouro, devem passar a formar reservas próprias de petróleo. 

Isso deve gerar uma “demanda extra futura” que manterá os preços pressionados. “Esse impacto na inflação não tem como evitar. Você vai ter uma onda de inflação forte agora nos próximos meses, mas depois ele tende a retornar ao normal”, afirma Fukui. 

Diante desse novo xadrez de suprimento e demanda, o gestor avalia que é muito difícil que o barril retorne ao patamar de US$ 60 observado antes da guerra. 

Juros dos EUA em pausa

A redução das tensões também alivia a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Segundo Fukui, o mercado chegou a precificar até dois aumentos na taxa de juros norte-americana devido à guerra, mas o arrefecimento do conflito abre espaço para a manutenção no patamar atual. 

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Esse alívio se soma à mudança de presidência do Fed, que na próxima reunião, marcada para esta terça e quarta-feiras (16 e 17), será liderada pela primeira vez pelo novo presidente Kevin Warsh, um crítico sobre as decisões de juros baseadas na inflação do passado.

Fukui destaca que a economia dos EUA segue impulsionada pelo superciclo de investimentos em Inteligência Artificial, que tem garantido forte consumo discricionário por parte de uma parcela da população de alto poder aquisitivo e absorvido cortes de vagas das gigantes de tecnologia, mesmo com sinais de alto endividamento do consumidor médio. Todo este cenário deverá ser avaliado pelo comitê para decidir os juros americanos.

O impacto no Brasil

Embora o recuo do petróleo no mercado internacional seja favorável em escala global, seus efeitos de alívio no Brasil são limitados pelas dinâmicas internas de mercado. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, explica que o Brasil não tem um repasse automático das variações globais para as bombas devido à política de preços individual da Petrobras. 

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Leia também: Acordo de paz entre EUA e Irã: qual o impacto na Petrobras e no mercado brasileiro?

Para Saravalle, as expectativas de inflação para o ano de 2026 – atualmente na casa de 5,20% a 5,30% – já contemplavam um cenário com o barril do petróleo variando entre US$ 85 e US$ 90. 

“Caso a gente tenha ao longo dos próximos dias um petróleo caminhando para baixo de 80 dólares, a gente poderia revisar nossas expectativas de inflação para baixo de 5%”, projeta o estrategista.

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Ainda assim, a inflação ficaria acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central. Ele afirma que, para atingir um quadro mais benigno de forma estrutural, as cotações do petróleo teriam que recuar para níveis próximos a US$ 75, um cenário possível, “mas ainda pouco provável” no curto prazo. 



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Ureia volta ao preço pré-guerra, mas vendas ainda não reagem | Blogs | CNN Brasil

Após oito semanas consecutivas de queda, os preços internacionais da ureia voltaram aos patamares registrados antes do conflito no Oriente Médio. No Brasil, porém, a recuperação da competitividade do fertilizante ainda não se traduziu em avanço das negociações, enquanto distribuidores acompanham estoques reduzidos e a necessidade de retomada das importações para atender a próxima safra.

Desde o início da guerra na região, em fevereiro, os preços da ureia chegaram a subir mais de 50%, impulsionados pelas preocupações com a oferta e com possíveis interrupções logísticas no Estreito de Ormuz. Agora, com a perspectiva de normalização das rotas marítimas, o mercado observa um movimento de correção.

Segundo Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, os preços dos fertilizantes nitrogenados já praticamente apagaram os ganhos registrados durante o conflito.

“Quando a gente olha o preço da última semana, ele caiu 15%. A gente já está praticamente no mesmo patamar do final de janeiro, antes da guerra“, afirmou à CNN Brasil.

Na avaliação do analista, a trajetória recente dos preços lembra o comportamento observado em 2022, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. “A curva é muito similar ao que a gente observou em 2022. A gente começou na mesma semana da guerra da Ucrânia e o preço voltou para o mesmo patamar praticamente na mesma quantidade de semanas”, disse.

Apesar da forte correção das cotações, Fonseca avalia que o mercado físico ainda não absorveu completamente a nova realidade de preços. Segundo ele, muitos produtores permanecem influenciados pelas máximas registradas durante o período de maior tensão geopolítica.

“A ureia ainda sofre um efeito de memória. O produtor ainda está com aquele preço mais alto na cabeça. Muito embora a gente tenha visto o preço retornar ao patamar pré-conflito, a gente tem que entender quanto tempo isso vai demorar para chegar na ponta“, disse.

Além da questão dos preços, o Rabobank identifica outro fator de atenção para os próximos meses: os baixos estoques de nitrogenados disponíveis no país.

De acordo com Fonseca, os volumes armazenados atualmente estão abaixo do necessário para atender a demanda da próxima safra sem uma retomada das importações.

“Os estoques de nitrogenados no país estão mais baixos, a importação também está mais baixa e, se o produtor não começar a indicar a demanda, a gente pode observar uma oferta de fertilizantes para a safrinha um pouco menor por conta desse menor estoque e dessa menor importação”, afirmou.

O analista destaca que o período atual já corresponde, sazonalmente, a um dos momentos de menor estoque do ano, o que aumenta a necessidade de recomposição dos volumes.

“A gente precisa dessa importação até chegar na próxima safra para conseguir entregar. Não tem como seguir com o estoque atual. Sazonalmente, este é um ponto baixo da curva e não é suficiente para tocar uma safra”, disse.

Nesse cenário, a expectativa é de que as empresas do setor passem a estimular as negociações para garantir previsibilidade logística e comercial para os próximos meses, e “as empresas vão começar agora a forçar a demanda até para conseguir se programar”, afirmou Fonseca.

Negociações na região

O movimento de baixa ganhou força nos últimos dias com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira (15), o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a assinatura de um acordo provisório entre os dois países. A expectativa é de que o entendimento seja formalizado na sexta-feira, mesma data em que o Estreito de Ormuz deverá ser totalmente reaberto à navegação.

O acordo é acompanhado de perto pelo mercado de fertilizantes porque a região tem papel estratégico no comércio global de nitrogenados. O Oriente Médio concentra cerca de 35% do comércio marítimo mundial de ureia, com exportações anuais próximas de 20 milhões de toneladas. 

Para o Brasil, Irã e Omã responderam por 1,5 milhão de toneladas das importações brasileiras de ureia em 2025, o equivalente a 18,4% do total adquirido pelo país.

Para Tomás Pernías, analista da StoneX, o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã reforça um cenário baixista para o mercado global de fertilizantes ao reduzir parte das incertezas logísticas associadas ao Golfo Pérsico.

“Do ponto de vista logístico e da oferta, trata-se de um evento importante, considerando que o estreito é uma rota estratégica para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre”, afirmou.

Segundo ele, a reabertura do Estreito de Ormuz tende a favorecer o fluxo marítimo global, embora a normalização não deva ocorrer de forma imediata. Ainda existem incertezas relacionadas às condições de navegação na região e ao ritmo de liberação das embarcações afetadas pelas restrições.

Para os importadores brasileiros, o movimento ocorre em um momento considerado favorável. Tradicionalmente, as compras externas de nitrogenados ganham intensidade no segundo semestre, período em que o mercado se prepara para o abastecimento da próxima safra, pontuou Pernías.

Com os preços novamente próximos dos níveis pré-conflito, a atenção do setor passa a se concentrar mais na velocidade de retomada da demanda doméstica, na recomposição dos estoques e na capacidade de o mercado transformar o alívio das cotações internacionais em novos negócios. Mas nunca sem tirar os olhos da geopolítica.

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XP vê Selic a 14,25% e alerta para freio nos cortes, mesmo com fim da guerra


A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta terça e quarta-feira, deve levar a Selic a 14,25%, com um corte de 0,25 ponto percentual. Mas, mesmo com o recuo do petróleo impulsionado pela sinalização de um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o fim do conflito no Oriente Médio, a decisão deverá vir acompanhada de um comunicado mais duro, de tom hawkish. A XP projeta que a autoridade monetária deve sugerir a possibilidade de uma interrupção no ciclo de afrouxamento, refletindo a piora no cenário de inflação. 

O relatório “Esquenta do Copom”, assinado pelos economistas Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, mostra que as projeções de inflação do Banco Central devem se distanciar ainda mais da meta oficial. A corretora avalia que a expectativa para o índice oficial da inflação, o IPCA, no quarto trimestre de 2027 — o atual horizonte relevante de política monetária — subirá de 3,5% para 3,6%. 

Apesar da piora no balanço de riscos, a XP avalia que o nível atual de juros permite a manutenção do ciclo de cortes. “Entendemos que, na avaliação do Comitê, os juros ainda estão excessivamente elevados e, portanto, podem ser reduzidos. Especialmente à luz da queda recente nos preços do petróleo, os quais vêm merecendo destaque na comunicação do Copom”, escrevem os economistas. 

Câmbio pressionado e reaceleração da demanda

A cautela do Copom deve ser motivada pela composição da inflação e a taxa de câmbio, que acenderam sinais de alerta. O real deixou de ajudar a conter as projeções inflacionárias e sofreu uma depreciação de cerca de 2% nas últimas semanas, com a cotação de referência subindo para a faixa de R$ 5,10. Além disso, a média dos núcleos do IPCA tem oscilado em torno de 5,5%, patamar que beira o dobro da meta central de 3% perseguida pelo Banco Central. 

Essa pressão sobre os preços ocorre em meio a uma expressiva reaceleração da demanda. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre registrou um crescimento anualizado superior a 4,0%. Segundo os analistas, esse avanço é explicado, em grande medida, pelo amplo conjunto de medidas fiscais e parafiscais implementadas pelo governo desde o final do ano passado. Tais estímulos possuem um impacto potencial estimado em 1,5 ponto percentual sobre o crescimento anual, limitando a ociosidade da economia. 

Choques externos e gargalos de oferta

No cenário internacional, os choques globais de oferta persistem. O documento destaca o aumento da inflação ao produtor na Ásia, reflexo da pressão nos custos de insumos tecnológicos gerada pela forte expansão dos investimentos atrelados à Inteligência Artificial (IA).

Adicionalmente, as chances de um fenômeno climático El Niño severo cresceram, o que pode resultar em menor produção agrícola e elevar os preços dos alimentos a partir do segundo semestre deste ano. 

O futuro da Selic e a comunicação

O foco das atenções do mercado financeiro deve se voltar ao comunicado pós-reunião. A XP avalia que o Banco Central evitará indicar explicitamente o término do ciclo de flexibilização monetária, optando por manter espaço para cortes adicionais caso o cenário evolua de forma favorável. No entanto, a expectativa é que o Comitê retire de seu texto oficial a tradicional menção aos “próximos passos da calibração dos juros”, sinalizando que uma pausa pode ocorrer em breve. 

O cenário-base inclui mais duas reduções de 0,25 p.p. na taxa Selic, segundo a XP, o que levaria os juros a 14% até o fim do ano. Contudo, considerando os desafios à frente, os economistas alertam que o Comitê pode optar por interromper o ciclo após a redução desta semana, pausando a Selic em 14,25%. 

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A retomada dos cortes mais sólidos ficará restrita ao próximo ano e estará condicionada ao avanço de reformas que coloquem as contas fiscais brasileiras em uma trajetória mais sustentável. Sob essa hipótese, e considerando a postura mais conservadora de curto prazo para conter as pressões correntes, a corretora projeta que a taxa Selic encerrará 2027 no patamar de 11,50%.



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Enteado de desembargador Elton Leme morre em acidente aéreo no Rio


O filho da advogada Cristiane Frota e enteado do desembargador Elton Leme, Lucas Brito Chaves, está entre as seis vítimas do acidente aéreo ocorrido na manhã deste domingo (14), no Rio de Janeiro.

Conhecido pelo nome artístico, Lucas Frota, a vítima era DJ e produtor musical. O brasileiro acompanhava no país o cantor norte-americano Oliver Tree, conhecido por sucessos como “Life Goes On” e “Miss You”.

Em nota, a Amaerj (Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro) lamentou a morte do artista.

 

“A Amaerj manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos, desejando força neste momento de imensa dor”, afirmou.

Lucas iniciou sua trajetória na música ainda na infância. Ao longo da carreira, participou de importantes festivais de música eletrônica, entre eles o Burning Man, realizado anualmente no deserto de Black Rock, em Nevada.

Em suas últimas postagens nas redes, ele posou ao lado dos artistas brasileiros Dupê e Mc Tota, e do também morto no acidente Oliver Tree. Os dois estavam juntos em estúdio, em provável colaboração musical.

O acidente

Os Bombeiros foram acionados às 8h59 para atender à ocorrência na Avenida das Américas. Até o momento, há confirmação de seis vítimas fatais, todas tripulantes das aeronaves envolvidas no acidente, sendo que cinco pessoas estavam em um helicóptero e apenas o piloto estava na outra aeronave. Veja a lista:

  • Oliver Tree Nickel – passageiro
  • Lucas Vignale – passageiro
  • Gaspar Prim – passageiro
  • Lucas Brito Chaves – passageiro
  • Alexandre Souza – piloto
  • Charles Marsillac – piloto

Os corpos foram levados ao IML (instituto Médico Legal) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio.

Cerca de 45 militares e 15 viaturas foram empenhados na ocorrência. O Destacamento de Bombeiros Militar do Recreio dos Bandeirantes foi deslocado imediatamente para o local, com apoio de equipes especializadas do Grupo de Operações Especiais (GOEsp) e da Coordenadoria de Veículos Aéreos Não Tripulados da corporação.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso está em andamento na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). A perícia foi solicitada para o local e os agentes realizam diligências para apurar os fatos.

A ocorrência, que segue em andamento, ainda conta com o apoio do Corpo de Bombeiros, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da Comlurb e das equipes do 31° BPM (Recreio dos Bandeirantes), que atuam no isolamento da área.

A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que já investiga o acidente aéreo por meio do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Leia a nota:

“A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), informa que, neste domingo (14/06), investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III), com sede no Rio de Janeiro (RJ), foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo duas aeronaves, de matrículas PP-MAC e PR-DJJ, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ). Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação“. 

Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também lamentou o ocorrido e informou que está apurando a situação das aeronaves. Veja:

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que tomou ciência do acidente aéreo, envolvendo dois helicópteros, hoje, 14 de junho, no Rio de Janeiro, e está apurando a situação das aeronaves e pilotos envolvidos no caso. As investigações sobre as causas, por sua vez, serão conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

A Anac lamenta o ocorrido, se solidariza com familiares e amigos das vítimas e reitera a todos os passageiros de voos da chamada aviação geral que verifiquem a situação de empresas e aeronaves antes do embarque.

Além disso, a BYD (Build Your Dreams), marca dos veículos elétricos que estavam no pátio onde as aeronaves caíram, também publicou uma nota de pesar e afirmou que segue acompanhando a situação com atenção. Leia:

A BYD lamenta profundamente o acidente aéreo ocorrido neste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes (RJ), que atingiu um pátio de veículos de uma concessionária da marca.

Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade aos familiares e amigos das vítimas.

A empresa acompanha a situação com atenção, presta apoio no local por meio da concessionária e permanece à disposição das autoridades competentes para contribuir com o que for necessário.

*Sob supervisão de Thiago Félix, com informações de Laura Toyama



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FS capta R$ 500 milhões para construção de fábrica de etanol de milho em MT

A segunda maior produtora de etanol de milho no Brasil, a FS, vai construir uma nova unidade industrial em Campo Novo do Parecis (MT). O projeto recebeu aprovação de financiamento de R$ 500 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O investimento total previsto para o empreendimento é de R$ 2,07 bilhões. Os recursos aprovados pelo BNDES representam 24,2% desse montante.

A nova planta terá capacidade para processar até 1,2 milhão de toneladas de milho por ano e produzir até 540 milhões de litros de etanol anualmente. A unidade também deverá gerar cerca de 390 mil toneladas por ano de DDG, coproduto utilizado na fabricação de ração animal.

Com a nova unidade, a FS passará a contar com quatro plantas industriais em Mato Grosso. Atualmente, a empresa opera unidades em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste.

A empresa também espera uma segunda etapa de expansão. Nessa fase, a capacidade de processamento poderá ser ampliada para 2,4 milhões de toneladas de milho por ano, enquanto a produção anual de etanol poderá alcançar 1,08 bilhão de litros.

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Primeira coletiva de imprensa de Warsh no Fed pode revelar estratégia para inflação


WASHINGTON, 15 Jun (Reuters) – O novo chair do Federal ⁠Reserve, Kevin Warsh, tem falado longamente nos últimos anos sobre o ⁠balanço patrimonial do banco central dos Estados Unidos, a necessidade de se pronunciar menos sobre as taxas ‌de juros e por que o órgão não deve se envolver em questões como as mudanças climáticas.

Uma coletiva de imprensa do Fed na quarta-feira, porém, marcará seus primeiros comentários substantivos no cargo de chair sobre ‌o que está acontecendo com a inflação, o desemprego e as perspectivas econômicas, à medida que ele faz uma virada retórica das palavras abstratas de um analista de políticas para as palavras concretas — e potencialmente capazes de movimentar o mercado — do banqueiro central mais importante do mundo.

A inflação, em particular, parece estar estagnada mais de um ponto percentual acima da meta de 2% do Fed, e a avaliação de Warsh sobre se e quando ela ⁠provavelmente ‌cairá será um primeiro passo fundamental na evolução da política monetária sob sua liderança.

É algo que os investidores ⁠tomarão como um indício sobre a probabilidade de juros mais altos, que muitos agora prevêem para este ano.

O que poderia ter sido apenas choques de preços temporários, desencadeados pelos aumentos das tarifas de importação do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos preços elevados do petróleo devido à guerra dos EUA contra o Irã, agora ameaça se tornar um problema de inflação mais persistente. Enquanto isso, ​o mercado de trabalho norte-americano está próximo do pleno emprego, as contratações se recuperaram e os colegas de Warsh nos distritos regionais do Fed sugeriram, em um relatório recente, o aumento das pressões salariais.

A coletiva ​de imprensa imediatamente após o término da reunião de política monetária do Fed, realizada entre 16 e 17 de junho, dará a Warsh a oportunidade de abordar essas correntes econômicas contraditórias enquanto constrói uma narrativa sobre os riscos que vê para o banco central e como planeja estruturar sua resposta.

Warsh, que sucedeu o ex-chair do Fed Jerome Powell há cerca de um mês, “tem se manifestado muito mais abertamente em relação ao ‌balanço patrimonial e à estratégia de comunicação. Quando se trata de qual é ​a sua teoria da mudança para a inflação, qual é a sua visão em termos da postura atual da política monetária, essas coisas são uma grande caixa preta que vamos começar a abrir”, disse Ed Al-Hussainy, gestor de carteiras de renda fixa e macro ⁠na Columbia Threadneedle, aos repórteres na semana ​passada.

Haverá muito a ser desvendado: ​a avaliação de Warsh sobre o impacto das tarifas nos preços dos bens; se o recente choque nos preços do petróleo vai persistir ⁠e se espalhar; se, como sugerem dados recentes, a melhora ​na inflação que vinha da desaceleração dos preços dos aluguéis já chegou ao fim.

Esses são os tipos de questões que Powell, que permanece no Conselho de Diretores do Fed, abordaria diretamente em suas coletivas de imprensa. Warsh afirmou que não ​quer fornecer muitas informações sobre os prováveis próximos movimentos do banco central em relação às taxas de juros. Mas onde ele traçará a linha divisória entre “orientação prospectiva” e a apresentação de ​suas perspectivas para a economia ou ⁠a inflação será um aspecto importante de sua coletiva de imprensa de posse.

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“Acho que Warsh vai evitar responder à pergunta” sobre para onde a ⁠inflação está indo e o que o Fed talvez precise fazer a respeito, disse Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA da Natixis CIB Americas, que ainda espera que o banco central norte-americano reduza as taxas de juros em vez de aumentá-las, embora o momento ainda seja incerto. Apesar de um “tom neutro a hawkish”, disse Hodge, “não acho que ele vá descartar cortes, mas o ônus recairá sobre os dados para provar que o choque energético já passou”.



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Durigan defende discussão sobre possíveis ajustes em índice de inflação


BRASÍLIA, 15 ⁠Jun (Reuters) – O ministro ⁠da Fazenda, Dario ‌Durigan, se mostrou favorável a uma discussão sobre ‌possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma ⁠defasagem ‌na composição dos ⁠índices de preços.

Em podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo vigente ​no país “dá peso para coisas que hoje ​não têm mais o peso que tinham anteriormente”, enquanto há uma representação ‌menor de itens ​que ganharam importância nos últimos anos, como serviços de ⁠streaming ​e ​serviços digitais de nuvem.

A entrevista foi ⁠gravada na ​sexta-feira e divulgada nesta segunda-feira.

O ministro ainda ​disse ver com bons olhos o debate ​sobre ⁠aprimoramentos no boletim Focus do ⁠Banco Central para que a pesquisa ganhe mais transparência.



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51,2% dos trabalhadores creem estar difícil ou muito difícil conseguir trabalho


Cinco em cada dez trabalhadores, uma fatia de 51,2%, creem estar difícil ou muito difícil conseguir trabalho no País atualmente. Por outro lado, 25,5% acreditam estar fácil ou muito fácil arranjar um emprego, o maior valor nos 12 meses de série histórica da Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

As respostas sobre a percepção de como está conseguir um trabalho no momento mostraram 9,3% dos trabalhadores avaliando estar muito difícil arrumar emprego; 41,9% disseram estar difícil; 23,3% relataram estar normal; 23,3% reportaram estar fácil; e 2,2% avaliaram estar muito fácil.

Quanto às expectativas futuras, 33,6% acreditam que a situação no mercado de trabalho brasileiro deve estar mais difícil nos próximos seis meses, e 3,5% relatam que ficará muito difícil. Uma fatia de 33,3% preveem que a situação permaneça igual; 28,9%, que esteja fácil; e 0,7%, muito fácil.

“Por um lado, a percepção sobre o momento presente segue melhorando, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Mas por outro lado, as pessoas têm se mostrado cada vez mais cautelosas com a manutenção desse cenário”, avaliou Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, em nota oficial.

De acordo com o economista, a primeira metade do ano tem sido de taxa de desocupação em níveis baixos em termos históricos, abaixo do mesmo período do ano anterior, mas já se observa diminuição no ritmo das contratações.

“A desaceleração da atividade econômica e o aumento de incerteza no cenário macroeconômico ajudam a explicar a expectativa menos otimista para os próximos meses.”

A sondagem mostrou ainda uma redução na fatia de pessoas muito satisfeitas com o próprio trabalho principal, de 13,1% em abril para 12,6% em maio, enquanto a proporção de satisfeitos subiu de 63,8% para 64,1% no período, e a de insatisfeitos caiu de 7,5% para 6,9%.

A proporção de pessoas que enxergam a renda atual do trabalho como suficiente para arcar com despesas essenciais diminuiu de 70,8% em abril para 70,3% em maio.



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