SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 16 Jun (Reuters) – A atividade de combustíveis pressionou o varejo brasileiro em abril e as vendas totais do setor registraram a queda mais intensa em quase quatro anos, em meio a uma política monetária ainda restritiva.
Em abril as vendas tiveram queda de 1,5% na comparação com o mês anterior, registrando alta de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
A taxa mensal de contração foi a mais forte desde junho de 2022, quando houve queda de 2,8%, marcando o primeiro recuo das vendas neste ano.
Os resultados foram bem mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters de retração de 0,6% na comparação mensal e de ganho de 1,95% na base anual.
“Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor susceptibilidade”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, Cristiano Santos.
Um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo ao consumo vêm ajudando o setor varejista mesmo diante da taxa de juros elevada, com a Selic atualmente em 14,5%, e do aumento de preços como consequência da guerra no Oriente Médio. O BC anuncia sua nova decisão sobre a Selic na quarta-feira.
No primeiro trimestre, o consumo das famílias cresceu 1,0%, acelerando ante o trimestre anterior, de acordo com dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado.
Em abril, entre as oito atividades do varejo pesquisadas pelo IBGE, seis apresentaram retração nas vendas — Combustíveis e lubrificantes (-6,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), Móveis e eletrodomésticos (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).
Na outra ponta, Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%) tiveram ganhos em abril.
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“Houve um rebatimento geral no indicador. O que estava puxando o índice para cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, disse Santos.
No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas recuou 0,7% em abril frente ao mês anterior.



