O Itaú revisou sua projeção para a taxa Selic terminal e agora espera que o ciclo de afrouxamento monetário encerre em 14% ao ano, ante estimativa anterior de 13,75%. Na avaliação do banco, resta apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual, a ser realizado na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).
A revisão reflete a leitura do banco sobre a comunicação mais cautelosa emitida pelo Banco Central após a reunião de junho. O Copom manteve o ciclo de afrouxamento com um novo corte de 0,25 ponto percentual, mas endureceu o diagnóstico ao destacar a aceleração da atividade econômica no curto prazo, a inflação acima do limite superior da meta, e um balanço de riscos com viés de alta.
Na avaliação do banco, ao caracterizar o balanço de riscos com viés de alta, o Copom sinalizou que o espaço remanescente para novos cortes se esgota rapidamente, justificando a revisão da Selic terminal.
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O Itaú aponta que, dado o cenário de expectativas desancoradas e atividade acelerando, existe risco de que mesmo o último corte projetado para agosto não se materialize. Após o fim do ciclo de afrouxamento, o Itaú prevê que a taxa permaneça em território contracionista por período prolongado, com retomada da queda dos juros apenas em 2027, quando a Selic deve recuar a 12,50% ao ano.
Fiscal e IPCA no radar
As projeções para inflação foram mantidas, mas com mudança de composição. O Itaú segue com IPCA de 5,4% para 2026 e 4,5% para 2027. No entanto, o banco retirou do cenário novas altas de gasolina na refinaria ao longo do ano, dado o recuo recente do petróleo, e elevou a projeção para a inflação de alimentos, incorporando possível efeito do El Niño sobre a oferta de grãos, com impactos esperados especialmente em 2027.
No campo fiscal, o banco manteve a projeção de resultado primário negativo em 0,5% do PIB em 2026 e 0,6% em 2027, mas alertou para o risco de piora diante da queda do petróleo, que pode inviabilizar a materialização de receitas extraordinárias vinculadas ao commodity. A instituição também reiterou a necessidade de um ajuste fiscal relevante para estabilizar a dívida pública, estimando que o esforço necessário equivale a cerca de 4 pontos percentuais do PIB.
Real mais fraco
No câmbio, o Itaú elevou sua projeção para o dólar ao fim de 2026 de R$ 5,15 para R$ 5,30, e de R$ 5,35 para R$ 5,50 ao fim de 2027. A revisão reflete o cenário externo mais adverso, com juros americanos mais altos por mais tempo e tendência de fortalecimento do dólar globalmente, além da deterioração nos termos de troca causada pela queda no preço do petróleo. No plano doméstico, o banco cita o aumento do prêmio de risco associado à dinâmica sazonal típica do segundo trimestre em anos eleitorais.
Apesar da revisão, o crescimento do PIB foi mantido em 2,1% para 2026, sustentado pelo impulso fiscal e quase-fiscal, e em 1,7% para 2027, com a desaceleração do estímulo prevista para o período.



