Transformar um produto tradicional em um negócio de alto valor agregado. Essa é a estratégia para os próximos anos da Rocca, indústria mineira especializada exclusivamente na produção de doce de leite, buscar a expansão no varejo e no food service no Brasil.
Com faturamento anual de cerca de R$ 20 milhões, a empresa concluiu em 2024 a maior ampliação de sua fábrica desde a fundação. Agora, projeta crescimento de 30% nas receitas em 2026 e afirma que a estrutura produtiva já está preparada para triplicar a capacidade de produção nos próximos anos.
“A reforma que fizemos já contempla um crescimento de até três vezes a capacidade atual. Estamos preparados para crescer pelos próximos três a cinco anos”, afirma Raphael Figueiredo, sócio e cofundador da Rocca.
O foco agora está na expansão comercial e a empresa quer ampliar sua presença em todo o país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. “Até o ano passado nossos esforços estavam concentrados na produção. Agora estamos reestruturando toda a área comercial para aumentar nossa presença nacional”, explica Rosi Barbosa, sócia e cofundadora da Rocca.
A marca nasceu dentro de uma fazenda leiteira no Sul de Minas Gerais, onde a família atua há quatro gerações na produção de leite. Atualmente, cerca de 25% da matéria-prima utilizada pela indústria é produzida na própria fazenda. O restante é adquirido de produtores da região.
Segundo Raphael, o crescimento da empresa não deve encontrar obstáculos na oferta de leite. “Mesmo triplicando a produção, ainda somos pequenos perto dos grandes laticínios. Estamos em uma região tradicionalmente leiteira e temos segurança no abastecimento da matéria-prima”, destaca.
Além do tradicional doce de leite, a Rocca investe em sabores como café, coco, avelã, pistache e, mais recentemente, cacau. A empresa também ampliou sua atuação com uma linha voltada ao food service, atendendo confeitarias, padarias, gelaterias e sorveterias.
De acordo com Rosi, essa estratégia ajudou a reduzir um dos principais desafios do negócio que é a sazonalidade das vendas. “Nos surpreendemos com a aceitação nas gelaterias. O doce de leite sempre vendeu mais no inverno, mas essa nova linha trouxe demanda também durante o verão”, afirma.
Para a pecuária leiteira, o modelo adotado pela Rocca mostra como a agregação de valor pode aumentar a rentabilidade da cadeia. Em vez de comercializar apenas o leite in natura, a empresa investe em produtos premium, ingredientes naturais e diferenciação.
“Nós somos especialistas em doce de leite. Trabalhamos apenas com esse produto e fazemos questão de utilizar ingredientes naturais, sem aromatizantes, preservando a qualidade e a origem da matéria-prima”, ressalta Rosi.
A empresa também aposta no fortalecimento da conexão entre consumidor e produtor rural. Segundo os fundadores, cresce a procura por alimentos com origem conhecida, receitas tradicionais e produtos com identidade.
“Nossa história começa na fazenda. Somos a quarta geração de produtores de leite e a primeira geração transformando esse leite em uma marca. É isso que queremos levar ao consumidor: qualidade, origem e verdade”, conclui Barbosa.



