Brasil inaugura descarbonização do transporte marítimo

A Copersucar realizou nesta segunda-feira (13), no Porto de Santos (SP), o primeiro abastecimento do Brasil de um navio porta-contêineres com etanol.

A operação , que foi realizada em parceria com a CMA CGM, referência global em soluções de transporte marítimo, e com a Bunker One,líder global no fornecimento de combustíveis marítimos, é considerada um marco para a transição energética do setor marítimo e reforça o potencial do biocombustível produzido no país como alternativa de baixa intensidade de carbono para a navegação internacional.

Para Tomás Manzano, CEO da Copersucar, este é o inicio de nova agenda de negócios para a descarbonização. “Temos escala , competividade, baixa intensidade de carbono e longa experiência certificada e reconhecida mundialmente na produção de etanol”, disse.

A iniciativa, segundo ele, abre novo horizonte de oportunidades globais. “Se 10% do transporte marítimo usar etanol se criará uma demanda de 50 bilhões de litros de etanol. O Brasil produz hoje 37 bilhões”, ressalta.

Atualmente, o mercado global de combustíveis marítimos está estimado entre 270 e 300 bilhões de litros.

Redução das emissões de gases efeito estufa

O abastecimento demonstra, na prática, a viabilidade do etanol como combustível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de um dos segmentos mais desafiadores da agenda de descarbonização global.

O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões mundiais de gás carbônico e vem sendo pressionado a adotar combustíveis renováveis para atender às metas ambientais estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Para o Brasil, a iniciativa também fortalece a estratégia de ampliar o mercado para o etanol além do setor automotivo.

O país é o segundo maior produtor mundial do biocombustível e busca posicionar o produto como solução para a descarbonização de diferentes modais de transporte, incluindo a aviação, por meio do SAF (Combustível sustentável de aviação), e agora também o transporte marítimo.

A Secretaria do Ministério de Portos e Aeroportos, Luiza de Amorim, enfatiza que capacidade de ofertar combustíveis sustentáveis será o grande diferencial do Brasil num mercado que pretende zerar as emissões de gás carbônico até 2050.

A operação da Copersucar ocorre em um momento em que armadores e fabricantes de motores ampliam os investimentos em tecnologias capazes de utilizar combustíveis renováveis, como etanol, metanol e amônia, para reduzir a pegada de carbono da navegação.

De acordo com Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One, a operação é um marco na transição energética na indústria marítima, que conta atualmente com 70 navios da frota global aptos a serem abastecidos com etanol.

Além do ganho ambiental, especialistas avaliam que o uso do etanol no setor marítimo pode abrir uma nova frente de demanda para a cadeia sucroenergética brasileira, agregando valor à produção nacional e fortalecendo o papel do país como fornecedor global de combustíveis de baixo carbono.

A expectativa do setor é que experiências como essa acelerem o desenvolvimento da infraestrutura necessária para o abastecimento de embarcações e estimulem novas rotas comerciais utilizando combustíveis renováveis produzidos no Brasil.

Até 2031 a CMA CGM prevê operar 200 navios conteiners capazes de utilizar energias de baixo carbono.

O navio abastecido no Porto de Santos tem como destino final o Sri Lanka, para onde segue ainda nesta semana. Na viagem de cerca de 15 mil quilômetros serão avaliadas as eficiências do biocombustível e do motor tricombustível, no uso do etanol.

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