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Trigo terá safra menor, mais importações e risco climático no horizonte | Blogs | CNN Brasil

A safra brasileira de trigo avança com desenvolvimento considerado satisfatório nas principais regiões produtoras, mas o cenário para o ciclo é marcado por uma combinação de fatores que tende a reduzir a oferta doméstica. A retração da área plantada, o menor investimento dos produtores na cultura, a perspectiva de maior dependência de importações e a possibilidade de um El Niño mais intenso compõem um quadro que mantém o mercado atento tanto ao volume quanto à qualidade da produção.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), 90,4% da área prevista já foi semeada. 

Apesar do bom início da safra, as projeções indicam uma produção menor em relação ao ciclo anterior. A Conab estima uma colheita de 6,2 milhões de toneladas, cerca de 20% inferior à da safra passada, reflexo principalmente da redução de 13% da área cultivada e da expectativa de produtividade 8% menor. 

Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, assinada por Marina Marangon, a retração ocorre porque as margens da cultura continuam pouco atrativas ao produtor, estimulando a substituição do trigo por outras culturas de inverno, como cevada e canola, além da adoção de um pacote tecnológico mais conservador para reduzir custos.

Esse movimento também aparece nos principais Estados produtores. No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar projeta área de 814,2 mil hectares, redução de 30,2% em relação a 2025. A semeadura gaúcha alcançou 87% da área prevista.

No estado vizinho, Paraná, o cultivo já chegou a 98% da área prevista, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural), e também registra nova redução de área cultivada. A superfície atual representa praticamente metade da registrada em 2023, quando foram plantados 1,39 milhão de hectares. Mesmo assim, permanece a expectativa de uma safra de 2,4 milhões de toneladas, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis durante o inverno.

Nos dois estados o plantio foi prejudicado pelo excesso de umidade, que retardou os trabalhos no campo e dificultou aplicações de fertilizantes e defensivos. Ainda assim, as entidades afirmam que as lavouras apresentam estandes adequados, desenvolvimento compatível com a época e poucos danos causados pelas geadas registradas até agora. No entanto, pode haver uma maior pressão de doenças fúngicas.

El Niño

Embora as condições iniciais sejam consideradas positivas, o principal fator de incerteza para a safra está no comportamento do clima ao longo dos próximos meses.

O Deral destaca a preocupação dos produtores com a possibilidade de intensificação do El Niño para um evento classificado como “muito forte”. Caso isso ocorra, as chuvas acima da média no Sul do Brasil poderão coincidir com a fase de colheita, comprometendo a qualidade dos grãos. Segundo o departamento, grãos afetados pelo excesso de chuva tendem a perder qualidade e podem ser rejeitados pela indústria de moagem, obrigando os moinhos a ampliar as compras em outras regiões ou no mercado externo.

A avaliação do Itaú BBA segue na mesma direção. “Apesar das boas condições iniciais, o El Niño eleva o risco para o trigo principalmente via excesso de chuva no Sul do Brasil, que tende a ocorrer justamente nas fases mais sensíveis do ciclo”, afirma a análise da instituição.

O avanço do El Niño aumenta a probabilidade de perdas de produtividade e, principalmente, de qualidade. O excesso de umidade favorece doenças fúngicas, como a giberela, considerada uma das principais ameaças ao trigo, além de elevar o risco de germinação dos grãos ainda na espiga, redução do peso hectolitro e deterioração da qualidade industrial.

Nas regiões de sequeiro do Centro-Oeste e Sudeste, por outro lado, o fenômeno pode provocar efeito inverso, com temperaturas mais elevadas e déficit hídrico durante fases críticas do desenvolvimento da cultura, reduzindo o enchimento dos grãos e pressionando a produtividade.

Alta de importações

A menor produção prevista reforça a necessidade de importação para atender ao consumo interno. Segundo a Conab, a expectativa é de importações de aproximadamente 6,8 milhões de toneladas nesta safra. Já o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em relatório divulgado na sexta-feira (10), manteve a estimativa de produção brasileira em 6,7 milhões de toneladas e projetou importações de 7,2 milhões de toneladas.

“O volume importado estimado é superior à própria produção interna esperada para a safra”, destacou o Itaú BBA. A principal origem do cereal importado deve continuar sendo a Argentina.

Esse cenário ocorre em um momento em que a própria Argentina também deve produzir menos em relação ao ciclo anterior. Segundo o Itaú BBA, o país vizinho entra na temporada após uma safra elevada, mas com expectativa de redução de área cultivada e retorno das produtividades para níveis mais próximos da média histórica, diminuindo parte da folga regional na oferta.

Oferta e qualidade

A perspectiva de menor disponibilidade de trigo também preocupa a indústria moageira. Na avaliação do Itaú BBA, o mercado doméstico tende a operar mais próximo da paridade de importação, tornando-se mais sensível às oscilações cambiais, aos custos logísticos e à disponibilidade de trigo de qualidade. Caso o El Niño comprometa parte da produção nacional destinada à panificação, os moinhos poderão ampliar a necessidade de blends ou de importações de trigo de melhor padrão.

Ao mesmo tempo, a consultoria observa que a capacidade de repasse dos custos da matéria-prima para a farinha continua limitada por uma demanda considerada mais cautelosa, enquanto o farelo de trigo permanece pressionado pela competitividade do milho. Ainda assim, a instituição avalia que as margens da moagem permanecem acima da média histórica, embora a gestão comercial deva ganhar importância diante de um ambiente mais volátil.

“A margem atual não aponta uma situação crítica, mas reforça a importância da gestão comercial, uma vez que o desafio dos moinhos será preservar margens em um cenário potencialmente mais volátil e de maior disputa por trigo de qualidade”, diz o relatório.

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Após tempestade, mais de 700 pessoas estão desabrigadas em cidade do RS


As chuvas que atingiram a região de Porto Alegre no final de semana fizeram 720 desabrigados em Eldorado do Sul, região metropolitana da capital, segundo informou nesta segunda-feira (13) a Defesa Civil local.

O município foi atingido no sábado (11) por uma tempestade que trouxe ventos fortes e granizo. A prefeitura decretou estado de emergência e as aulas de hoje foram suspensas.

O temporal deixou 180 casas destelhadas, 10 delas destruídas. Também foram derrubados postes e árvores, que interromperam o tráfego local e provocaram ainda o corte do fornecimento de energia e água.

Ainda no final de semana, as autoridades municipais distribuíram colchões, cobertores e roupas para as famílias desabrigadas. Segundo a prefeitura, as casas que foram danificadas ou destruídas serão reconstruídas com recursos dos governos estadual e federal.

Mais chuva e frio

Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, há previsão de chuvas intensas a partir do dia 16 de julho no estado. As temperaturas mínimas nos próximos três dias na capital ficarão entre 10ºC e 11ºC, com máximas entre 17ºC (nesta terça) e 24ºC (na quinta).



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economia

Ganhadores do Prêmio Nobel pedem medidas em relação ao impacto econômico da IA


Mais de ⁠200 pesquisadores e economistas, incluindo ⁠15 ganhadores do Prêmio Nobel e pesquisadores da ‌OpenAI, da Anthropic e do Google, apelaram aos governos e aos líderes do setor de ‌tecnologia para que criem, com urgência, políticas e instituições destinadas a lidar com o impacto econômico da inteligência artificial.

Eles divulgaram a declaração assinada em conjunto nesta segunda-feira, alertando que a IA ⁠poderia ‌impulsionar uma transformação econômica maior do que ⁠a Revolução Industrial, mas com um prazo “muito mais curto”, o que levanta questões para trabalhadores, empresas e instituições públicas.

A declaração pede pesquisas mais aprofundadas sobre os impactos econômicos ​da IA e o início da elaboração de políticas e instituições necessárias para garantir que ​a tecnologia beneficie a sociedade e para lidar com riscos como a perda de empregos em grande escala.

“O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para ‌se adaptarem. A IA pode ​nos dar apenas alguns anos”, disse Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia.

“Não podemos improvisar nossa estratégia e nossas instituições ⁠no meio ​da transformação; ​esperar pela certeza significa chegar tarde demais.”

Korinek, que se juntou à ⁠equipe de pesquisa econômica ​da Anthropic em março, organizou a iniciativa com os pares economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom ​Cunningham.

Entre os signatários estão a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar; o cientista-chefe ​do Google DeepMind, ⁠Jeff Dean; o cofundador da Anthropic, Jack Clark; e membros ⁠da equipe de pesquisa econômica da empresa criadora do chatbot Claude.

Os ganhadores do Prêmio Nobel Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, entre outros, também assinaram a declaração.



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Brasil inaugura descarbonização do transporte marítimo

A Copersucar realizou nesta segunda-feira (13), no Porto de Santos (SP), o primeiro abastecimento do Brasil de um navio porta-contêineres com etanol.

A operação , que foi realizada em parceria com a CMA CGM, referência global em soluções de transporte marítimo, e com a Bunker One,líder global no fornecimento de combustíveis marítimos, é considerada um marco para a transição energética do setor marítimo e reforça o potencial do biocombustível produzido no país como alternativa de baixa intensidade de carbono para a navegação internacional.

Para Tomás Manzano, CEO da Copersucar, este é o inicio de nova agenda de negócios para a descarbonização. “Temos escala , competividade, baixa intensidade de carbono e longa experiência certificada e reconhecida mundialmente na produção de etanol”, disse.

A iniciativa, segundo ele, abre novo horizonte de oportunidades globais. “Se 10% do transporte marítimo usar etanol se criará uma demanda de 50 bilhões de litros de etanol. O Brasil produz hoje 37 bilhões”, ressalta.

Atualmente, o mercado global de combustíveis marítimos está estimado entre 270 e 300 bilhões de litros.

Redução das emissões de gases efeito estufa

O abastecimento demonstra, na prática, a viabilidade do etanol como combustível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de um dos segmentos mais desafiadores da agenda de descarbonização global.

O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões mundiais de gás carbônico e vem sendo pressionado a adotar combustíveis renováveis para atender às metas ambientais estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Para o Brasil, a iniciativa também fortalece a estratégia de ampliar o mercado para o etanol além do setor automotivo.

O país é o segundo maior produtor mundial do biocombustível e busca posicionar o produto como solução para a descarbonização de diferentes modais de transporte, incluindo a aviação, por meio do SAF (Combustível sustentável de aviação), e agora também o transporte marítimo.

A Secretaria do Ministério de Portos e Aeroportos, Luiza de Amorim, enfatiza que capacidade de ofertar combustíveis sustentáveis será o grande diferencial do Brasil num mercado que pretende zerar as emissões de gás carbônico até 2050.

A operação da Copersucar ocorre em um momento em que armadores e fabricantes de motores ampliam os investimentos em tecnologias capazes de utilizar combustíveis renováveis, como etanol, metanol e amônia, para reduzir a pegada de carbono da navegação.

De acordo com Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One, a operação é um marco na transição energética na indústria marítima, que conta atualmente com 70 navios da frota global aptos a serem abastecidos com etanol.

Além do ganho ambiental, especialistas avaliam que o uso do etanol no setor marítimo pode abrir uma nova frente de demanda para a cadeia sucroenergética brasileira, agregando valor à produção nacional e fortalecendo o papel do país como fornecedor global de combustíveis de baixo carbono.

A expectativa do setor é que experiências como essa acelerem o desenvolvimento da infraestrutura necessária para o abastecimento de embarcações e estimulem novas rotas comerciais utilizando combustíveis renováveis produzidos no Brasil.

Até 2031 a CMA CGM prevê operar 200 navios conteiners capazes de utilizar energias de baixo carbono.

O navio abastecido no Porto de Santos tem como destino final o Sri Lanka, para onde segue ainda nesta semana. Na viagem de cerca de 15 mil quilômetros serão avaliadas as eficiências do biocombustível e do motor tricombustível, no uso do etanol.

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Petrobras lança edital de R$ 910 milhões para agências de publicidade


A Petrobras recebe, até o próximo dia 31, as propostas para contratação de até três agências de publicidade para o período de 2027 a 2029, com orçamento de R$ 910 milhões. O último contrato, fechado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, vence no ano que vem. O contrato será celebrado com as agências que atenderem aos requisitos do edital, ainda que em número inferior a três, informa a estatal.

O foco do novo edital será retomar uma comunicação institucional mais ampla, valorizando atributos como brasilidade, inovação e compromisso com a sociedade. O objetivo é mostrar a presença da estatal no cotidiano dos brasileiros e evidenciar sua contribuição para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país.

Segundo a estatal, o desafio da publicidade agora é outro: traduzir o posicionamento da empresa em histórias, presenças e impactos concretos, capazes de mostrar como a Petrobras está inserida no cotidiano, no desenvolvimento e no futuro do Brasil.

“Mais do que explicar quem somos, esta campanha deve tornar visível por que a Petrobras importa hoje para as pessoas, para o país e, principalmente, para as próximas gerações”, diz a companhia no edital, ressaltando, porém, que deve ser evitado o tom político, o autoelogio excessivo e maneiras rebuscadas de se expressar.

A estatal quer consolidar a imagem da Petrobras como uma empresa brasileira de energia, referência em inovação e comprometida com o desenvolvimento sustentável do País.



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economia

Maior impacto da guerra para América Latina e Caribe foi na inflação, diz Cepal


Ainda que os países da América Latina e Caribe tenham uma exposição comercial e logística direta limitada em relação ao conflito no Golfo Pérsico, a região já foi afetada pela guerra pelo canal de transmissão da inflação. A esse efeito no curto prazo, porém, podem se seguir outros relacionados às políticas monetária e fiscal — no médio prazo — e comerciais e financeiras, numa perspectiva de mais longo prazo. O alerta está em estudo publicado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Segundo o organismo ligado à ONU, a América Latina e o Caribe, considerados em conjunto, encontram-se em uma posição relativamente mais favorável em comparação com regiões como a Ásia ou a Europa. Isso ocorre, em primeiro lugar, porque algumas das maiores economias da região são exportadoras líquidas de hidrocarbonetos.

Nessas economias, diz o estudo o choque energético se traduz em uma melhora dos termos de troca, um aumento das receitas de exportação e um crescimento das receitas fiscais, embora esses efeitos sejam potencialmente contrabalançados por pressões inflacionárias, disrupções nas cadeias de suprimento — inclusive as de alimentos — e pela possibilidade de um eventual endurecimento das condições financeiras internacionais.

Outro aspecto citado é que a região tem, em média, exposição comercial e logística direta limitada ao Golfo Pérsico e às disrupções no tráfego do Estreito de Ormuz. Suas exportações para os países dessa área representam apenas 1,4% do total regional, e suas importações provenientes dessa área, cerca de 0,7%. Além disso, a América Latina e o Caribe não dependem diretamente dessa rota para seu abastecimento energético.

Além disso, o estudo diz que a região conta com uma matriz elétrica excepcionalmente limpa: a geração de eletricidade proveniente de fontes renováveis — hidrelétrica, eólica, solar e de biomassa — ultrapassa 64%, proporção muito superior à média mundial, de cerca de 33%. “Isso atenua a transmissão do choque energético para os custos de geração de eletricidade, um importante fator de repasse em outras regiões”.

Leia também: Trump contraria evidências e fala em queda da inflação e dos preços do petróleo

Inflação

Ainda assim, há vários canais de transmissão do choque energético para as economias da América Latina e do Caribe, com impactos heterogêneos nos diferentes países. A Cepal cita no estudo os canais comercial, fiscal, de preços, de desaceleração da economia mundial, financeiro e de política monetária.

A transmissão mais visível até agora veio do canal dos preços. O choque causado pela alta acelerada do barril do petróleo e de outros produtos básicos gerou pressões inflacionárias na região, capturadas pelas recentes divulgações dos índices de preços ao consumidor (IPCs) de abril de 2026. No Chile, a inflação em 12 meses passou de 2,4% em fevereiro para 4% em abril; na Guatemala, de 1,5% para 3,2%; em Honduras, de 3,5% para 5,6%; e no Peru, de 2,2% para 4%.

No Brasil, o IPCA em 12 meses estava em 3,81% em fevereiro e saltou para 4,14% em março, 4,39% em abril e 4,72% em maio, recuando ligeiramente para 4,64% em junho

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A Cepal aponta que o impacto inflacionário do choque opera por duas vias, uma direta e outra indireta. A via direta depende do peso dos combustíveis para transporte e uso doméstico na cesta de consumo e do grau em que os governos tenham, ou não, amortecido o repasse da alta aos preços internos.

A essas estimativas do impacto direto somam-se os impactos pela via indireta — por meio do transporte, dos alimentos e de outros componentes —, que ampliam a pressão inflacionária. O aumento dos custos do transporte encarece tanto a mobilidade das pessoas quanto a distribuição de bens, e é gradualmente transmitido ao conjunto da economia por meio de maiores custos logísticos e de comercialização.

Avaliando cenários

Para avaliar os possíveis efeitos totais no ano, a Cepal usou cálculos do Goldman Sachs, que considera a ponderação dos produtos energéticos nas cestas de consumo de cada país e assume um repasse de 60% das variações dos preços internacionais dos combustíveis aos preços finais ao consumidor.

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Por essa conta, um aumento de 25% nos preços energéticos em 2026 em relação a 2025 (o cenário mais brando citado pela Cepal, com o barril a US$ 86, em média) levaria a elevações da inflação anual entre 0,3 ponto percentual e 1,7 ponto percentual em 2026.

No cenário mais grave, com o barril a US$ 115 (+67% ante 2025) os efeitos diretos sobre a inflação ficariam entre 0,9 ponto percentual e mais de 4,6 pontos percentuais.

Nesses dois cenários, o impacto adicional na inflação brasileira ficaria em 1,1 ponto percentual e 2,9 p.p.

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A Cepal destaca que o encarecimento dos fertilizantes põe em risco os rendimentos agrícolas das colheitas e exerce pressão de alta sobre os preços dos alimentos. “Na região, o Brasil está particularmente exposto a esse canal, por sua condição de grande exportador agrícola que depende em grande medida de fertilizantes importados — cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza vêm do exterior”.

Política monetária

Com o risco inflacionário, a Cepal adverte que haverá impacto na política monetária, uma vez que o ciclo de cortes de juros de diversos bancos centrais pode ser afetado.

“Os bancos centrais da região enfrentam atualmente um dilema de política: sustentar o ciclo de afrouxamento monetário que estava em curso em alguns países — necessário para apoiar a atividade — ou priorizar a ancoragem das expectativas diante das pressões inflacionárias decorrentes das hostilidades. Se houver um novo endurecimento das condições financeiras mundiais, as pressões cambiais associadas limitarão ainda mais a margem de política monetária”, alerta a Cepal no estudo.

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Já no canal comercial, o impacto no curto prazo foi benéfico para algumas economias exportadoras líquidas de hidrocarbonetos e de commodities cujos preços avançaram. É lembrado que, antes do início das hostilidades, a economia do Brasil já vinha apresentando evolução em seu superávit comercial, que foi de US$ 3,739 bilhões (FOB) em janeiro, e de US$ 4,005 bilhões (FOB) em fevereiro.

Com o início do conflito, a balança comercial mostrou superávit de US$ 10,5 bilhões (FOB) em abril de 2026, o maior valor mensal registrado desde junho de 2023, impulsionado por um aumento dos preços de bens agropecuários (como soja, carne bovina e milho) e por uma expansão do volume (nos casos da soja, da carne bovina e do café).

No entanto, a Cepal alerta que também pode haver um impacto negativo sobre a balança comercial no médio prazo, como resultado dos aumentos esperados de preços e da possibilidade de escassez de matérias-primas estratégicas para o comércio brasileiro, sobretudo de fertilizantes.

“A agricultura brasileira — cujo principal produto é a soja, que representou 20,4% do valor total das exportações do país em abril de 2026, mas que inclui também milho, algodão, café e arroz, entre outros — é um setor altamente vulnerável ao fornecimento externo de fertilizantes, dado que as importações desses produtos representam mais de 85% de sua oferta no país”.

A Cepal diz que, embora o Brasil seja produtor e exportador de petróleo bruto, não conta com capacidade interna de refino suficiente, de modo que necessita de importações de derivados de petróleo para atender sua demanda interna, sobretudo de diesel, que é fundamental para o setor de transporte. “Nesse sentido, o impacto das hostilidades sobre o saldo comercial de petróleo e derivados no Brasil pode ser ambivalente”.



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Setor vê B17 como impulso para soja e cadeia de proteínas

Entidades da cadeia da soja e dos biocombustíveis defenderam a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para B17, argumentando que a medida pode impulsionar o esmagamento de soja, ampliar a oferta de farelo para ração animal e fortalecer a produção de proteínas no país. 

Em manifesto conjunto, o setor afirma que o Brasil reúne condições técnicas e produtivas para avançar na política prevista pela Lei do Combustível do Futuro.  O documento é assinado pela Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel) e Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene). 

“O biodiesel impulsiona o esmagamento da soja, amplia a produção de óleo vegetal, aumenta a disponibilidade de farelo e fortalece toda a cadeia brasileira de proteínas animais. Mais farelo no mercado, significa ração mais barata e consequentemente carne mais barata”, afirmou a nota. Segundo as entidades, esta cadeia representa cerca de 18% do PIB (Produto Interno Bruto), gera aproximadamente 16 milhões de empregos diretos e indiretos e responde por cerca de 26% das exportações brasileiras, tornando-se um dos “principais motores da economia circular e do desenvolvimento econômico”. 

“Ao mesmo tempo, a expansão do biodiesel promove a industrialização do agronegócio, agrega valor à produção nacional, fortalece a agricultura familiar por meio do Selo Biocombustível Social, estimula o desenvolvimento regional e reduz emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais, contribuindo também para a saúde pública”, disseram. 

O posicionamento acontece no contexto da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), em São Caetano do Sul (SP), para conhecer os testes que avaliam misturas de biodiesel entre B16 e B25. A reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) está agendada para esta terça-feira (14) para discutir a elevação da mistura.

As entidades afirmam que a volatilidade dos preços do petróleo e a instabilidade geopolítica ampliam a relevância dos combustíveis renováveis produzidos no país. Segundo o manifesto, os biocombustíveis representam uma alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, ampliar a segurança energética e fortalecer a economia nacional.

“O Brasil vive um momento singular para consolidar sua liderança mundial em soberania energética e renovável”, afirmam as entidades. O documento acrescenta que essa posição é resultado de “décadas de investimentos em ciência, tecnologia, agricultura e indústria nacional”.

Como argumento para a adoção do B17, o setor destaca a realização de um programa nacional de validação técnica voltado à ampliação da mistura obrigatória de biodiesel. Segundo o documento, a iniciativa reúne 16 laboratórios e universidades e contempla testes de durabilidade, desempenho, emissões, ensaios de campo e análises físico-químicas em motores, veículos e máquinas agrícolas.

De acordo com as entidades, o programa envolve governo, indústria, universidades e fabricantes para garantir que a ampliação da mistura ocorra “com absoluta segurança técnica”. Os resultados obtidos até o momento, segundo o documento, oferecem ao país “condições técnicas para prosseguir com a política pública prevista na Lei do Combustível do Futuro, iniciando um novo ciclo com a adoção da mistura B17”.

Na avaliação do setor, ampliar a participação dos biocombustíveis também reduz a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo, aumenta a segurança do abastecimento e cria um mecanismo para amortecer a volatilidade dos preços dos combustíveis.

Ao defender a implementação do B17, as entidades afirmam que o país já dispõe de capacidade produtiva instalada, matéria-prima, tecnologia nacional, indústria consolidada e segurança regulatória para avançar. “O Brasil está preparado. Os testes demonstram responsabilidade técnica. O contexto internacional reforça a urgência. Este é o momento de avançar para o B17”, disseram.

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Pai que chutou filha de 3 anos no rosto diz à polícia que ‘perdeu a cabeça’


Um homem de 31 anos foi preso após ser flagrado chutando o rosto da filha de 3 anos em uma rua de Francisco Beltrão, no interior do Paraná. Em depoimento obtido com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, o pai afirmou que “perdeu a cabeça” durante a situação e disse estar arrependido.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o homem caminhava com os dois filhos, de 3 e 5 anos, após voltar de um mercado. Segundo o relato feito à polícia, a menina chorava e gritava durante o trajeto.

“Ela tava berrando na rua. Eu tinha pedido pra ela parar de ficar berrando. Ela sempre chora ou berra direto, assim, escandalosamente”, afirmou o homem no depoimento.

Na sequência, as imagens mostram o pai dando um chute no rosto da criança, que cai no chão. O irmão dela, de 5 anos, aparece parado durante a agressão. Uma testemunha ouvida pelo Fantástico afirmou que o menino parecia estar em estado de choque.

“Em momento algum ele reagiu, ele gritou, ele falou, ele não fez nada. Mas ele estava muito assustado”, relatou a testemunha.

Para preservar a identidade das crianças, o Fantástico não exibiu os rostos dos menores. Como a identificação do pai poderia levar à identificação das vítimas, o homem também não foi identificado.

A agressão foi interrompida pelo personal trainer José Luiz, dono de uma academia próxima ao local. Ele contou ao programa que viu o momento em que o pai atacou a filha e decidiu intervir. Segundo o relato, o homem chegou a ameaçá-lo. “Fica na tua porque não é com você e vai sobrar pra você”, teria dito o pai, segundo José Luiz.

O personal trainer também ajudou a localizar imagens de câmeras de segurança que registraram o momento da agressão. Os vídeos circularam nas redes sociais e chegaram à polícia, que ouviu familiares e pediu a prisão preventiva do homem.

Durante o depoimento, obtido pelo Fantástico, o pai questionou quem havia feito a denúncia. Mais tarde, afirmou estar arrependido e disse que a agressão não teria sido intencional.

“Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional. Eu jamais ia machucar a minha filha. Acabou acontecendo“, afirmou.

Além da agressão registrada em vídeo, a Polícia Civil investiga outros episódios de violência contra as crianças. A mãe pediu medida protetiva contra o marido e manifestou intenção de se separar. Segundo o delegado Ricardo Moraes Faria dos Santos, ela relatou ter ficado “revoltada, assustada e chocada” com o episódio.

A investigação também apura relatos de familiares de que o menino de 5 anos teria sido agredido com um pedaço de pau no rosto. A polícia investiga ainda denúncias de castigos considerados cruéis, como obrigar as crianças a permanecerem ajoelhadas sobre grãos de feijão e tampas de garrafas PET.

Segundo o delegado, o caso pode levar a um indiciamento por tortura, além de outros crimes. “Até trabalhamos com a ideia não apenas de uma lesão corporal, mas sim um indiciamento por tortura, por ter imposto um grande dano físico e psicológico”, afirmou.

Para José Luiz, que presenciou a agressão em Francisco Beltrão, situações como essa não podem ser ignoradas. “Quem presencia algo nesse sentido jamais pode ficar calado. Essa brutalidade, principalmente com criança, não pode passar despercebida”, afirmou.



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Duplicata escritural, que pode “destravar” R$ 11 tri, ainda engatinha entre empresas


Às vésperas das primeiras operações oficiais em ambiente controlado, a duplicata escritural ainda mantém posição secundária na lista de prioridades de boa parte das empresas. A criação do novo balcão promete alavancar um instrumento que movimenta cerca de R$ 10 trilhões todo ano, segundo estimativas da indústria, e exerce função central no mercado de antecipação de recebíveis.

Ainda assim, uma parcela relevante do setor produtivo engatinha na preparação dos sistemas para o novo modelo. Segundo relatos de múltiplas pessoas que acompanham o processo, o tema tem disputado a atenção com pautas consideradas mais imediatas, sobretudo a transição da reforma tributária.

O resultado disso é um cenário de incertezas e desconhecimento ao longo da cadeia. Em uma pesquisa conduzida pela fintech Monkey, metade dos fornecedores consultados disse nunca ter ouvido falar em duplicata escritural e apenas 15,4% responderam que “conhecem bem” o assunto. Mesmo entre os participantes cientes da ferramenta, a maioria esmagadora não sabe os prazos regulatórios. Ao mesmo tempo, mais de 70% afirmaram que não conseguem visualizar o que a digitalização mudará na prática.

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A Monkey opera como uma plataforma que conecta uma base de mais de 40 mil fornecedores (a ponta que emite a duplicata) com sacados (o lado devedor) e mais de 100 instituições financeiras (que viabilizam a antecipação). No geral, a fintech observa que adaptação tem sido mais rápida entre as grandes empresas, que operam volumes maiores, conforme explica a diretora de novos negócios da Monkey, Roberta Ferraz. “Quando a gente fala de pequenas e médias, o quadro é um pouco diferente, porque muitas delas nem sabem o que é a duplicata escritural”, comenta.

Adoção em fases

O cronograma de implementação em fases estabelecido pelo Banco Central também mitiga o senso de urgência para muitas companhias. Na semana passada, a autoridade monetária promoveu um evento em Brasília para marcar o lançamento do novo ecossistema, mas as três registradoras aptas a atuar como escrituradoras (B3, Núclea e Cerc) ainda aguardam um último aval para começar a produção assistida.

A autorização deve ser concedida ainda neste mês e, quando concedida, as três poderão iniciar a nova etapa simultaneamente. Além delas, SPC Grafeno e Quick Soft estão em fase de testes e devem avançar ao longo do segundo semestre.

Na produção assistida, um grupo seleto de clientes fará os primeiros negócios pelo novo modelo em um ambiente controlado. A expectativa é de que essa autorização saía ainda em julho. Em meados do ano que vem, a adoção obrigatória será instituída de forma escalonada: inicialmente, os bancos terão que registrar as duplicatas no modelo escritural para as grandes empresas e, aos poucos, a exigência será estendida para incluir as operações com empresas menores – processo que deve terminar em 2028.

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O cronograma da duplicata escritural

Prazo Evento

Julho/2026 – Começa a fase da produção assistida
Dezembro/2026 – Termina a fase da produção assistida
Junho/2027 – Início da obrigatoriedade oficial para grandes empresas
Dezembro/2027 – Início da obrigatoriedade para empresas médias
Junho/2028 – Início da obrigatoriedade para pequenas empresas

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*Fonte: Banco Central; Os prazos podem sofrer alterações à frente

A adesão será limitada neste primeiro momento, em que a participação é voluntária. As poucas corporações prontas para ingressar na estrutura de escrituração devem realizar operações simples, com um conjunto pequeno de sacados. Um movimentação maior é esperada apenas para o começo do ano que vem. “As empresas não estão preparadas agora, à exceção de alguns clientes com operações pontuais”, diz a superintendente de Duplicata Escritural da B3, Roberta Fortunato.

Lições de recebíveis

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A opção pela implementação gradual foi uma decisão deliberada do BC para evitar repetir os erros da regulamentação de recebíveis de cartões de crédito, em 2021. Na época, os sistemas entraram em operação em um único momento e enfrentaram uma série de contratempos, como lentidão e dificuldades para acessar os pagamentos recebidos. A interoperabilidade, que garante o acesso equânime às informações, também não funcionou adequadamente.

A principal diferença é que o mercado de duplicatas dispõe de um volume muito maior de participantes que o de recebíveis de cartões. A adaptação envolverá, além das instituições financeiras, um universo diversificado de empresas de múltiplos portes. Ainda que o horizonte de obrigatoriedade seja relativamente extenso, o temor é de que haja incertezas nos primeiros negócios. “Vai ser muito mais difícil escalar o modelo, porque envolve mais empresas com diferentes formas de trabalho”, diz Izaias Miguel, CEO da V360, empresa especializada na automação do processo de contas a pagar.

Há ainda preocupação com a prontidão dos sistemas. A V360 estima que cerca de 70% dos títulos gerados nos fluxos de antecipação de recebíveis da plataforma atendem aos critérios para negociação como duplicatas escriturais, o que representa 75% em termos do volume transacionado anualmente, estimado em R$ 600 bilhões. O problema é que por volta de 10% dos títulos apresentam algum tipo de erro cadastral, como cálculo equivocado de impostos ou CNPJ divergente.

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Em média, as empresas levam 22 dias para validar uma nota e lançá-la como título no contas a pagar – ritmo que é travado por essas inconsistências. Pelo regime escritural, porém, o compradores terão o prazo de apenas 10 dias para aceitar ou rejeitar a duplicata. Se esse período for superado sem uma manifestação formal da companhia, a duplicata será considerada aceita. “Esse é um dos principais gargalos, porque o pagador demora muito para validar a nota fiscal”, alerta Miguel.



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El Niño pode afetar oferta de mandioca e pressionar produtores e indústrias

A possibilidade de formação de um El Niño mais intenso no fim do ano acende um alerta entre produtores de mandioca no Paraná. O fenômeno climático pode aumentar a ocorrência de doenças nas lavouras e comprometer a produtividade da cultura, que já enfrenta desafios como baixa rentabilidade, redução de investimentos e queda no plantio.

Segundo o Engenheiro Agrônomo e Técnico de Campo do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Marlon Francis Zeferino, os efeitos do El Niño são uma preocupação para a atividade porque o fenômeno altera o regime de chuvas e cria condições favoráveis para o avanço de patógenos.

“Para a cultura da mandioca, o El Niño é mais problemático porque traz muitas doenças. Caso ocorra um super El Niño, os produtores precisam ficar atentos a problemas relacionados à bacteriose, antracnose e cercosporiose. Em 2025, tivemos casos associados ao excesso de chuva e temperaturas abaixo do normal, condições que favoreceram a propagação desses problemas”, explicou.

Além das doenças, o cenário climático pode pressionar ainda mais uma oferta que já está ajustada. No Paraná, produtores têm reduzido o plantio devido ao endividamento, à baixa produtividade e à menor rentabilidade da cultura.

“A evolução do plantio começou agora, mas vemos uma oferta ajustada, demanda ajustada e indústrias trabalhando com pouco ou quase nenhum estoque. Muitos produtores estão deixando de plantar mandioca por causa dos custos e da competição com outras atividades”, afirmou.

Os pesquisadores do Cepea reportaram que muitos produtores têm concentrado as atividades no campo, com o avanço do plantio, a seleção de manivas e o preparo do solo para a próxima safra. Além disso, a baixa rentabilidade, principalmente nas lavouras de primeiro ciclo, tem levado parte dos agricultores a reduzir o ritmo de comercialização.

Com menor disponibilidade de matéria-prima, os preços da mandioca apresentaram novas altas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Para as próximas semanas, a expectativa é de que a oferta continue limitada no Centro-Sul. Segundo o Cepea, a redução gradual das raízes de segundo ciclo, o avanço do calendário de plantio e a influência das condições climáticas devem seguir como fatores de atenção para o mercado.

A expectativa é que uma possível redução na área plantada possa sustentar os preços da raiz nos próximos ciclos. A menor disponibilidade de produto ocorre em um momento de aumento da demanda, principalmente por derivados da mandioca.

De acordo com o Zeferino, o país asiático tem ampliado a busca por amido de mandioca brasileiro, impulsionado pela procura por produtos sem glúten e por alternativas consideradas mais sustentáveis.

“O mercado chinês é muito importante. A partir do momento em que a população tem maior poder de consumo, passa a buscar alimentos diferenciados. O Brasil tem uma oportunidade de conquistar uma fatia desse mercado”, destacou.

Apesar do potencial, o Brasil ainda está atrás de outros países no comércio internacional. A Tailândia, mesmo não sendo o maior produtor mundial, lidera as exportações de mandioca graças à estrutura voltada ao mercado externo.

No Paraná, que concentra um dos principais polos industriais de fécula de mandioca do país, as empresas acompanham o cenário com cautela. Como a raiz é uma matéria-prima de difícil armazenamento, as indústrias costumam trabalhar com estoques reduzidos para evitar perdas financeiras.

“A mandioca tem uma produção sazonal. Quando a colheita aumenta, os preços caem. Quando diminui, os preços sobem. A indústria precisa estar preparada para essa variação”, explicou.

Além da alimentação, a expansão de novos usos da mandioca também pode abrir oportunidades para o setor. A fécula já é utilizada em segmentos como farmacêutico, papel, embalagens, colas e bioplásticos.

O engenheiro agrônomo reforça, no entanto, que os desafios sanitários continuam sendo uma das principais preocupações para a cadeia produtiva. Doenças como o complexo do couro de sapo e a vassoura-de-bruxa podem causar perdas severas nas lavouras.

“São problemas que podem levar a 100% de perda da produção. O produtor precisa utilizar material de plantio saudável e certificado para reduzir os riscos”, alertou.

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