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Maior impacto da guerra para América Latina e Caribe foi na inflação, diz Cepal


Ainda que os países da América Latina e Caribe tenham uma exposição comercial e logística direta limitada em relação ao conflito no Golfo Pérsico, a região já foi afetada pela guerra pelo canal de transmissão da inflação. A esse efeito no curto prazo, porém, podem se seguir outros relacionados às políticas monetária e fiscal — no médio prazo — e comerciais e financeiras, numa perspectiva de mais longo prazo. O alerta está em estudo publicado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Segundo o organismo ligado à ONU, a América Latina e o Caribe, considerados em conjunto, encontram-se em uma posição relativamente mais favorável em comparação com regiões como a Ásia ou a Europa. Isso ocorre, em primeiro lugar, porque algumas das maiores economias da região são exportadoras líquidas de hidrocarbonetos.

Nessas economias, diz o estudo o choque energético se traduz em uma melhora dos termos de troca, um aumento das receitas de exportação e um crescimento das receitas fiscais, embora esses efeitos sejam potencialmente contrabalançados por pressões inflacionárias, disrupções nas cadeias de suprimento — inclusive as de alimentos — e pela possibilidade de um eventual endurecimento das condições financeiras internacionais.

Outro aspecto citado é que a região tem, em média, exposição comercial e logística direta limitada ao Golfo Pérsico e às disrupções no tráfego do Estreito de Ormuz. Suas exportações para os países dessa área representam apenas 1,4% do total regional, e suas importações provenientes dessa área, cerca de 0,7%. Além disso, a América Latina e o Caribe não dependem diretamente dessa rota para seu abastecimento energético.

Além disso, o estudo diz que a região conta com uma matriz elétrica excepcionalmente limpa: a geração de eletricidade proveniente de fontes renováveis — hidrelétrica, eólica, solar e de biomassa — ultrapassa 64%, proporção muito superior à média mundial, de cerca de 33%. “Isso atenua a transmissão do choque energético para os custos de geração de eletricidade, um importante fator de repasse em outras regiões”.

Leia também: Trump contraria evidências e fala em queda da inflação e dos preços do petróleo

Inflação

Ainda assim, há vários canais de transmissão do choque energético para as economias da América Latina e do Caribe, com impactos heterogêneos nos diferentes países. A Cepal cita no estudo os canais comercial, fiscal, de preços, de desaceleração da economia mundial, financeiro e de política monetária.

A transmissão mais visível até agora veio do canal dos preços. O choque causado pela alta acelerada do barril do petróleo e de outros produtos básicos gerou pressões inflacionárias na região, capturadas pelas recentes divulgações dos índices de preços ao consumidor (IPCs) de abril de 2026. No Chile, a inflação em 12 meses passou de 2,4% em fevereiro para 4% em abril; na Guatemala, de 1,5% para 3,2%; em Honduras, de 3,5% para 5,6%; e no Peru, de 2,2% para 4%.

No Brasil, o IPCA em 12 meses estava em 3,81% em fevereiro e saltou para 4,14% em março, 4,39% em abril e 4,72% em maio, recuando ligeiramente para 4,64% em junho

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A Cepal aponta que o impacto inflacionário do choque opera por duas vias, uma direta e outra indireta. A via direta depende do peso dos combustíveis para transporte e uso doméstico na cesta de consumo e do grau em que os governos tenham, ou não, amortecido o repasse da alta aos preços internos.

A essas estimativas do impacto direto somam-se os impactos pela via indireta — por meio do transporte, dos alimentos e de outros componentes —, que ampliam a pressão inflacionária. O aumento dos custos do transporte encarece tanto a mobilidade das pessoas quanto a distribuição de bens, e é gradualmente transmitido ao conjunto da economia por meio de maiores custos logísticos e de comercialização.

Avaliando cenários

Para avaliar os possíveis efeitos totais no ano, a Cepal usou cálculos do Goldman Sachs, que considera a ponderação dos produtos energéticos nas cestas de consumo de cada país e assume um repasse de 60% das variações dos preços internacionais dos combustíveis aos preços finais ao consumidor.

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Por essa conta, um aumento de 25% nos preços energéticos em 2026 em relação a 2025 (o cenário mais brando citado pela Cepal, com o barril a US$ 86, em média) levaria a elevações da inflação anual entre 0,3 ponto percentual e 1,7 ponto percentual em 2026.

No cenário mais grave, com o barril a US$ 115 (+67% ante 2025) os efeitos diretos sobre a inflação ficariam entre 0,9 ponto percentual e mais de 4,6 pontos percentuais.

Nesses dois cenários, o impacto adicional na inflação brasileira ficaria em 1,1 ponto percentual e 2,9 p.p.

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A Cepal destaca que o encarecimento dos fertilizantes põe em risco os rendimentos agrícolas das colheitas e exerce pressão de alta sobre os preços dos alimentos. “Na região, o Brasil está particularmente exposto a esse canal, por sua condição de grande exportador agrícola que depende em grande medida de fertilizantes importados — cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza vêm do exterior”.

Política monetária

Com o risco inflacionário, a Cepal adverte que haverá impacto na política monetária, uma vez que o ciclo de cortes de juros de diversos bancos centrais pode ser afetado.

“Os bancos centrais da região enfrentam atualmente um dilema de política: sustentar o ciclo de afrouxamento monetário que estava em curso em alguns países — necessário para apoiar a atividade — ou priorizar a ancoragem das expectativas diante das pressões inflacionárias decorrentes das hostilidades. Se houver um novo endurecimento das condições financeiras mundiais, as pressões cambiais associadas limitarão ainda mais a margem de política monetária”, alerta a Cepal no estudo.

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Já no canal comercial, o impacto no curto prazo foi benéfico para algumas economias exportadoras líquidas de hidrocarbonetos e de commodities cujos preços avançaram. É lembrado que, antes do início das hostilidades, a economia do Brasil já vinha apresentando evolução em seu superávit comercial, que foi de US$ 3,739 bilhões (FOB) em janeiro, e de US$ 4,005 bilhões (FOB) em fevereiro.

Com o início do conflito, a balança comercial mostrou superávit de US$ 10,5 bilhões (FOB) em abril de 2026, o maior valor mensal registrado desde junho de 2023, impulsionado por um aumento dos preços de bens agropecuários (como soja, carne bovina e milho) e por uma expansão do volume (nos casos da soja, da carne bovina e do café).

No entanto, a Cepal alerta que também pode haver um impacto negativo sobre a balança comercial no médio prazo, como resultado dos aumentos esperados de preços e da possibilidade de escassez de matérias-primas estratégicas para o comércio brasileiro, sobretudo de fertilizantes.

“A agricultura brasileira — cujo principal produto é a soja, que representou 20,4% do valor total das exportações do país em abril de 2026, mas que inclui também milho, algodão, café e arroz, entre outros — é um setor altamente vulnerável ao fornecimento externo de fertilizantes, dado que as importações desses produtos representam mais de 85% de sua oferta no país”.

A Cepal diz que, embora o Brasil seja produtor e exportador de petróleo bruto, não conta com capacidade interna de refino suficiente, de modo que necessita de importações de derivados de petróleo para atender sua demanda interna, sobretudo de diesel, que é fundamental para o setor de transporte. “Nesse sentido, o impacto das hostilidades sobre o saldo comercial de petróleo e derivados no Brasil pode ser ambivalente”.



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Setor vê B17 como impulso para soja e cadeia de proteínas

Entidades da cadeia da soja e dos biocombustíveis defenderam a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para B17, argumentando que a medida pode impulsionar o esmagamento de soja, ampliar a oferta de farelo para ração animal e fortalecer a produção de proteínas no país. 

Em manifesto conjunto, o setor afirma que o Brasil reúne condições técnicas e produtivas para avançar na política prevista pela Lei do Combustível do Futuro.  O documento é assinado pela Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel) e Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene). 

“O biodiesel impulsiona o esmagamento da soja, amplia a produção de óleo vegetal, aumenta a disponibilidade de farelo e fortalece toda a cadeia brasileira de proteínas animais. Mais farelo no mercado, significa ração mais barata e consequentemente carne mais barata”, afirmou a nota. Segundo as entidades, esta cadeia representa cerca de 18% do PIB (Produto Interno Bruto), gera aproximadamente 16 milhões de empregos diretos e indiretos e responde por cerca de 26% das exportações brasileiras, tornando-se um dos “principais motores da economia circular e do desenvolvimento econômico”. 

“Ao mesmo tempo, a expansão do biodiesel promove a industrialização do agronegócio, agrega valor à produção nacional, fortalece a agricultura familiar por meio do Selo Biocombustível Social, estimula o desenvolvimento regional e reduz emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais, contribuindo também para a saúde pública”, disseram. 

O posicionamento acontece no contexto da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), em São Caetano do Sul (SP), para conhecer os testes que avaliam misturas de biodiesel entre B16 e B25. A reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) está agendada para esta terça-feira (14) para discutir a elevação da mistura.

As entidades afirmam que a volatilidade dos preços do petróleo e a instabilidade geopolítica ampliam a relevância dos combustíveis renováveis produzidos no país. Segundo o manifesto, os biocombustíveis representam uma alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, ampliar a segurança energética e fortalecer a economia nacional.

“O Brasil vive um momento singular para consolidar sua liderança mundial em soberania energética e renovável”, afirmam as entidades. O documento acrescenta que essa posição é resultado de “décadas de investimentos em ciência, tecnologia, agricultura e indústria nacional”.

Como argumento para a adoção do B17, o setor destaca a realização de um programa nacional de validação técnica voltado à ampliação da mistura obrigatória de biodiesel. Segundo o documento, a iniciativa reúne 16 laboratórios e universidades e contempla testes de durabilidade, desempenho, emissões, ensaios de campo e análises físico-químicas em motores, veículos e máquinas agrícolas.

De acordo com as entidades, o programa envolve governo, indústria, universidades e fabricantes para garantir que a ampliação da mistura ocorra “com absoluta segurança técnica”. Os resultados obtidos até o momento, segundo o documento, oferecem ao país “condições técnicas para prosseguir com a política pública prevista na Lei do Combustível do Futuro, iniciando um novo ciclo com a adoção da mistura B17”.

Na avaliação do setor, ampliar a participação dos biocombustíveis também reduz a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo, aumenta a segurança do abastecimento e cria um mecanismo para amortecer a volatilidade dos preços dos combustíveis.

Ao defender a implementação do B17, as entidades afirmam que o país já dispõe de capacidade produtiva instalada, matéria-prima, tecnologia nacional, indústria consolidada e segurança regulatória para avançar. “O Brasil está preparado. Os testes demonstram responsabilidade técnica. O contexto internacional reforça a urgência. Este é o momento de avançar para o B17”, disseram.

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Pai que chutou filha de 3 anos no rosto diz à polícia que ‘perdeu a cabeça’


Um homem de 31 anos foi preso após ser flagrado chutando o rosto da filha de 3 anos em uma rua de Francisco Beltrão, no interior do Paraná. Em depoimento obtido com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, o pai afirmou que “perdeu a cabeça” durante a situação e disse estar arrependido.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o homem caminhava com os dois filhos, de 3 e 5 anos, após voltar de um mercado. Segundo o relato feito à polícia, a menina chorava e gritava durante o trajeto.

“Ela tava berrando na rua. Eu tinha pedido pra ela parar de ficar berrando. Ela sempre chora ou berra direto, assim, escandalosamente”, afirmou o homem no depoimento.

Na sequência, as imagens mostram o pai dando um chute no rosto da criança, que cai no chão. O irmão dela, de 5 anos, aparece parado durante a agressão. Uma testemunha ouvida pelo Fantástico afirmou que o menino parecia estar em estado de choque.

“Em momento algum ele reagiu, ele gritou, ele falou, ele não fez nada. Mas ele estava muito assustado”, relatou a testemunha.

Para preservar a identidade das crianças, o Fantástico não exibiu os rostos dos menores. Como a identificação do pai poderia levar à identificação das vítimas, o homem também não foi identificado.

A agressão foi interrompida pelo personal trainer José Luiz, dono de uma academia próxima ao local. Ele contou ao programa que viu o momento em que o pai atacou a filha e decidiu intervir. Segundo o relato, o homem chegou a ameaçá-lo. “Fica na tua porque não é com você e vai sobrar pra você”, teria dito o pai, segundo José Luiz.

O personal trainer também ajudou a localizar imagens de câmeras de segurança que registraram o momento da agressão. Os vídeos circularam nas redes sociais e chegaram à polícia, que ouviu familiares e pediu a prisão preventiva do homem.

Durante o depoimento, obtido pelo Fantástico, o pai questionou quem havia feito a denúncia. Mais tarde, afirmou estar arrependido e disse que a agressão não teria sido intencional.

“Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional. Eu jamais ia machucar a minha filha. Acabou acontecendo“, afirmou.

Além da agressão registrada em vídeo, a Polícia Civil investiga outros episódios de violência contra as crianças. A mãe pediu medida protetiva contra o marido e manifestou intenção de se separar. Segundo o delegado Ricardo Moraes Faria dos Santos, ela relatou ter ficado “revoltada, assustada e chocada” com o episódio.

A investigação também apura relatos de familiares de que o menino de 5 anos teria sido agredido com um pedaço de pau no rosto. A polícia investiga ainda denúncias de castigos considerados cruéis, como obrigar as crianças a permanecerem ajoelhadas sobre grãos de feijão e tampas de garrafas PET.

Segundo o delegado, o caso pode levar a um indiciamento por tortura, além de outros crimes. “Até trabalhamos com a ideia não apenas de uma lesão corporal, mas sim um indiciamento por tortura, por ter imposto um grande dano físico e psicológico”, afirmou.

Para José Luiz, que presenciou a agressão em Francisco Beltrão, situações como essa não podem ser ignoradas. “Quem presencia algo nesse sentido jamais pode ficar calado. Essa brutalidade, principalmente com criança, não pode passar despercebida”, afirmou.



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Duplicata escritural, que pode “destravar” R$ 11 tri, ainda engatinha entre empresas


Às vésperas das primeiras operações oficiais em ambiente controlado, a duplicata escritural ainda mantém posição secundária na lista de prioridades de boa parte das empresas. A criação do novo balcão promete alavancar um instrumento que movimenta cerca de R$ 10 trilhões todo ano, segundo estimativas da indústria, e exerce função central no mercado de antecipação de recebíveis.

Ainda assim, uma parcela relevante do setor produtivo engatinha na preparação dos sistemas para o novo modelo. Segundo relatos de múltiplas pessoas que acompanham o processo, o tema tem disputado a atenção com pautas consideradas mais imediatas, sobretudo a transição da reforma tributária.

O resultado disso é um cenário de incertezas e desconhecimento ao longo da cadeia. Em uma pesquisa conduzida pela fintech Monkey, metade dos fornecedores consultados disse nunca ter ouvido falar em duplicata escritural e apenas 15,4% responderam que “conhecem bem” o assunto. Mesmo entre os participantes cientes da ferramenta, a maioria esmagadora não sabe os prazos regulatórios. Ao mesmo tempo, mais de 70% afirmaram que não conseguem visualizar o que a digitalização mudará na prática.

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A Monkey opera como uma plataforma que conecta uma base de mais de 40 mil fornecedores (a ponta que emite a duplicata) com sacados (o lado devedor) e mais de 100 instituições financeiras (que viabilizam a antecipação). No geral, a fintech observa que adaptação tem sido mais rápida entre as grandes empresas, que operam volumes maiores, conforme explica a diretora de novos negócios da Monkey, Roberta Ferraz. “Quando a gente fala de pequenas e médias, o quadro é um pouco diferente, porque muitas delas nem sabem o que é a duplicata escritural”, comenta.

Adoção em fases

O cronograma de implementação em fases estabelecido pelo Banco Central também mitiga o senso de urgência para muitas companhias. Na semana passada, a autoridade monetária promoveu um evento em Brasília para marcar o lançamento do novo ecossistema, mas as três registradoras aptas a atuar como escrituradoras (B3, Núclea e Cerc) ainda aguardam um último aval para começar a produção assistida.

A autorização deve ser concedida ainda neste mês e, quando concedida, as três poderão iniciar a nova etapa simultaneamente. Além delas, SPC Grafeno e Quick Soft estão em fase de testes e devem avançar ao longo do segundo semestre.

Na produção assistida, um grupo seleto de clientes fará os primeiros negócios pelo novo modelo em um ambiente controlado. A expectativa é de que essa autorização saía ainda em julho. Em meados do ano que vem, a adoção obrigatória será instituída de forma escalonada: inicialmente, os bancos terão que registrar as duplicatas no modelo escritural para as grandes empresas e, aos poucos, a exigência será estendida para incluir as operações com empresas menores – processo que deve terminar em 2028.

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O cronograma da duplicata escritural

Prazo Evento

Julho/2026 – Começa a fase da produção assistida
Dezembro/2026 – Termina a fase da produção assistida
Junho/2027 – Início da obrigatoriedade oficial para grandes empresas
Dezembro/2027 – Início da obrigatoriedade para empresas médias
Junho/2028 – Início da obrigatoriedade para pequenas empresas

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*Fonte: Banco Central; Os prazos podem sofrer alterações à frente

A adesão será limitada neste primeiro momento, em que a participação é voluntária. As poucas corporações prontas para ingressar na estrutura de escrituração devem realizar operações simples, com um conjunto pequeno de sacados. Um movimentação maior é esperada apenas para o começo do ano que vem. “As empresas não estão preparadas agora, à exceção de alguns clientes com operações pontuais”, diz a superintendente de Duplicata Escritural da B3, Roberta Fortunato.

Lições de recebíveis

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A opção pela implementação gradual foi uma decisão deliberada do BC para evitar repetir os erros da regulamentação de recebíveis de cartões de crédito, em 2021. Na época, os sistemas entraram em operação em um único momento e enfrentaram uma série de contratempos, como lentidão e dificuldades para acessar os pagamentos recebidos. A interoperabilidade, que garante o acesso equânime às informações, também não funcionou adequadamente.

A principal diferença é que o mercado de duplicatas dispõe de um volume muito maior de participantes que o de recebíveis de cartões. A adaptação envolverá, além das instituições financeiras, um universo diversificado de empresas de múltiplos portes. Ainda que o horizonte de obrigatoriedade seja relativamente extenso, o temor é de que haja incertezas nos primeiros negócios. “Vai ser muito mais difícil escalar o modelo, porque envolve mais empresas com diferentes formas de trabalho”, diz Izaias Miguel, CEO da V360, empresa especializada na automação do processo de contas a pagar.

Há ainda preocupação com a prontidão dos sistemas. A V360 estima que cerca de 70% dos títulos gerados nos fluxos de antecipação de recebíveis da plataforma atendem aos critérios para negociação como duplicatas escriturais, o que representa 75% em termos do volume transacionado anualmente, estimado em R$ 600 bilhões. O problema é que por volta de 10% dos títulos apresentam algum tipo de erro cadastral, como cálculo equivocado de impostos ou CNPJ divergente.

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Em média, as empresas levam 22 dias para validar uma nota e lançá-la como título no contas a pagar – ritmo que é travado por essas inconsistências. Pelo regime escritural, porém, o compradores terão o prazo de apenas 10 dias para aceitar ou rejeitar a duplicata. Se esse período for superado sem uma manifestação formal da companhia, a duplicata será considerada aceita. “Esse é um dos principais gargalos, porque o pagador demora muito para validar a nota fiscal”, alerta Miguel.



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El Niño pode afetar oferta de mandioca e pressionar produtores e indústrias

A possibilidade de formação de um El Niño mais intenso no fim do ano acende um alerta entre produtores de mandioca no Paraná. O fenômeno climático pode aumentar a ocorrência de doenças nas lavouras e comprometer a produtividade da cultura, que já enfrenta desafios como baixa rentabilidade, redução de investimentos e queda no plantio.

Segundo o Engenheiro Agrônomo e Técnico de Campo do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Marlon Francis Zeferino, os efeitos do El Niño são uma preocupação para a atividade porque o fenômeno altera o regime de chuvas e cria condições favoráveis para o avanço de patógenos.

“Para a cultura da mandioca, o El Niño é mais problemático porque traz muitas doenças. Caso ocorra um super El Niño, os produtores precisam ficar atentos a problemas relacionados à bacteriose, antracnose e cercosporiose. Em 2025, tivemos casos associados ao excesso de chuva e temperaturas abaixo do normal, condições que favoreceram a propagação desses problemas”, explicou.

Além das doenças, o cenário climático pode pressionar ainda mais uma oferta que já está ajustada. No Paraná, produtores têm reduzido o plantio devido ao endividamento, à baixa produtividade e à menor rentabilidade da cultura.

“A evolução do plantio começou agora, mas vemos uma oferta ajustada, demanda ajustada e indústrias trabalhando com pouco ou quase nenhum estoque. Muitos produtores estão deixando de plantar mandioca por causa dos custos e da competição com outras atividades”, afirmou.

Os pesquisadores do Cepea reportaram que muitos produtores têm concentrado as atividades no campo, com o avanço do plantio, a seleção de manivas e o preparo do solo para a próxima safra. Além disso, a baixa rentabilidade, principalmente nas lavouras de primeiro ciclo, tem levado parte dos agricultores a reduzir o ritmo de comercialização.

Com menor disponibilidade de matéria-prima, os preços da mandioca apresentaram novas altas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Para as próximas semanas, a expectativa é de que a oferta continue limitada no Centro-Sul. Segundo o Cepea, a redução gradual das raízes de segundo ciclo, o avanço do calendário de plantio e a influência das condições climáticas devem seguir como fatores de atenção para o mercado.

A expectativa é que uma possível redução na área plantada possa sustentar os preços da raiz nos próximos ciclos. A menor disponibilidade de produto ocorre em um momento de aumento da demanda, principalmente por derivados da mandioca.

De acordo com o Zeferino, o país asiático tem ampliado a busca por amido de mandioca brasileiro, impulsionado pela procura por produtos sem glúten e por alternativas consideradas mais sustentáveis.

“O mercado chinês é muito importante. A partir do momento em que a população tem maior poder de consumo, passa a buscar alimentos diferenciados. O Brasil tem uma oportunidade de conquistar uma fatia desse mercado”, destacou.

Apesar do potencial, o Brasil ainda está atrás de outros países no comércio internacional. A Tailândia, mesmo não sendo o maior produtor mundial, lidera as exportações de mandioca graças à estrutura voltada ao mercado externo.

No Paraná, que concentra um dos principais polos industriais de fécula de mandioca do país, as empresas acompanham o cenário com cautela. Como a raiz é uma matéria-prima de difícil armazenamento, as indústrias costumam trabalhar com estoques reduzidos para evitar perdas financeiras.

“A mandioca tem uma produção sazonal. Quando a colheita aumenta, os preços caem. Quando diminui, os preços sobem. A indústria precisa estar preparada para essa variação”, explicou.

Além da alimentação, a expansão de novos usos da mandioca também pode abrir oportunidades para o setor. A fécula já é utilizada em segmentos como farmacêutico, papel, embalagens, colas e bioplásticos.

O engenheiro agrônomo reforça, no entanto, que os desafios sanitários continuam sendo uma das principais preocupações para a cadeia produtiva. Doenças como o complexo do couro de sapo e a vassoura-de-bruxa podem causar perdas severas nas lavouras.

“São problemas que podem levar a 100% de perda da produção. O produtor precisa utilizar material de plantio saudável e certificado para reduzir os riscos”, alertou.

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Comediante leva cadeirada no palco durante show em Florianópolis; veja vídeo


A comediante Fernanda Arantes foi agredida com uma cadeirada durante uma apresentação, na noite de sexta-feira (10), no Floripa Comedy Club, em Florianópolis (SC).

Uma mulher que estava na plateia interrompeu o show, começou a xingar a comediante e, por fim, arremessou uma cadeira contra ela. O momento foi registrado em um vídeo publicado pela comediante no Instagram e no YouTube.

O vídeo começa com um barulho de vidro quebrando na plateia, e em seguida a agressora começou a xingar a comediante, a chamando de “ridícula”, “gorda”, entre outras ofensas. Fernanda se defende dizendo que está trabalhando e pedindo para a mulher se retirar. A comediante então pede que a plateia a acompanhe com gritos de “fora”, momento em que a mulher joga a cadeira.

Fernanda se afasta e bloqueia a cadeira arremessada com as mãos. Após o incidente, a comediante pede que a equipe chame a polícia e depois retoma o espetáculo.

“Meu show tem entrada livre a partir dos 12 anos. Então, tinham crianças lá. Na minha frente tinha três meninas de 12 anos. Ela começou a atacar as coisas e eu comecei a ficar desesperada porque pensei que poderia machucar uma delas. Por isso que comecei a falar: chama a polícia, chama a polícia. Quando ela ouviu isso, ela fugiu”, disse Fernanda em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo.

“É importante falar que isso ocorreu no minuto 62. Ela assistiu ao show praticamente todo e só depois ela fez isso. Ela sabia o que estava acontecendo, então, de fato, não deu para entender”, completou.

‘Fernanda Marçal’

Ao retornar à apresentação, a artista brinca com a situação e diz que pode ser chamada de “Fernanda Marçal”, em referência ao episódio em que o apresentador José Luis Datena arremessou uma cadeira contra Pablo Marçal durante um debate na corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, em 2024.

Fernanda também utilizou a piada para divulgar sua agenda de shows nas redes sociais. A comediante se coloca como “Fernanda Marçal” e adiciona a piada “Proibida a entrada de cadeiras”.

A comediante conta que levou na piada, como costuma encarar os momentos difíceis, mas que ficou muito assustada e sem entender o comportamento da agressora.

Não estou conseguindo assimilar, dizer o que eu quero judicialmente. Mas do fundo do meu coração, espero que não aconteça de novo. Você está ali, trabalhando, exercendo sua profissão, e ser agredida. E principalmente vindo de uma mulher. Já é tão difícil o mundo pra gente ser mulher e ao invés de se ajudar, a gente ainda passa por isso.

Em nota, o Floripa Comedy Club repudiou o episódio de violência e relatou que prestou assistência imediata à comediante. Segundo o estabelecimento, a Polícia Militar foi acionada e a cliente retirada do local.

“Desde os primeiros segundos da ocorrência, todos os envolvidos atuaram com o único objetivo de preservar a integridade da artista, interromper a agressão e restabelecer a normalidade do ambiente”, afirmou o estabelecimento.

De acordo com o estabelecimento, funcionários notaram e tentaram impedir quando a agressora se levantou e começou a andar em direção ao palco, mas não conseguiram evitar o ocorrido.

No momento em que a cliente retirou a cadeira para arremessá-la, o produtor tentou impedir a ação, chegando a segurar a cadeira. No entanto, tudo aconteceu de forma extremamente rápida e, infelizmente, não foi possível evitar o arremesso.

A Jovem Pan tenta contato com as polícias Militar e Civil de Florianópolis para mais informações.

*com informações do Estadão Conteúdo.





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Governo brasileiro tenta barrar tarifaço em última semana de negociação


O prazo para que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decida sobre a ampliação das tarifas sobre os produtos brasileiros acaba na próxima quarta-feira. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o cenário mais provável é que os Estados Unidos decidam pela tarifaço.

Se aplicado, a medida vai representar uma elevação de 25% sobre as importações do Brasil. 

Apesar disso, o petista se reuniu com auxiliares na última sexta-feira no Palácio do Planalto e pediu que as negociações sejam mantidas até o último dia. 

Em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Lula avaliou o cenário e considerou que o caminho mais provável é de que haja a retaliação. 

O presidente brasileiro mantém postura de que as tarifas são injustas e injustificáveis e afirmou que a obrigação do governo é manter a negociação com os EUA até o último momento. 

Também se discutiu sobre a possibilidade de mais uma reunião com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), até a quarta-feira. O encontro não está marcado. 

A avaliação é de que a sanção afeta setores inteiros da economia brasileira e que o Brasil não fará nenhuma concessão, como as que envolvam o Pix.

Desde a reunião de Lula com Donald Trump na Casa Branca em maio, quando se tratou do tarifaço, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes com Greer. 

O governo também espera que, se decidirem pelo tarifaço definitivo, os Estados Unidos antecipem os itens que serão tarifados antes do comunicado oficial. 

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Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados pelo tarifaço, entre os quais: açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio. 

A partir da decisão do governo americano na quarta-feira, o Palácio do Planalto vai calibrar uma resposta e passar a discutir a reação. 

A possibilidade de reciprocidade no tarifaço ainda não é discutida no detalhe, pois ,para o governo, ainda é imprevisível a lista de produtos que sofrerá as sanções. 

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Auxiliares de Lula explicam que é fundamental aguardar a decisão e ver item a item que sofrerá com a tarifa, para só então medir e planejar a reação do governo brasileiro. 

O tarifaço foi sugerido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, e classifica uma série de atos, políticas e práticas brasileiras como “irracionais” ou capazes de restringir o comércio norte-americano. 

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento já utilizado em disputas comerciais contra a China. 

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Entre os principais pontos apontados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. 

Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. 

Os EUA também questionam decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais. 

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O documento afirma que autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de residentes nos Estados Unidos.



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Tensão em Ormuz afeta produção de fertilizantes no Brasil

O aumento das tensões no Estreito de Ormuz está intensificando a crise no mercado mundial de fertilizantes e já provoca impactos diretos na produção agrícola brasileira. Com 70% dos fertilizantes utilizados no país sendo importados, o bloqueio nas rotas marítimas representa uma ameaça concreta à próxima temporada de plantio.

Segundo a editora e analista de Agro da CNN Fernanda Pressinott, ao CNN Novo Dia, o problema se desdobra em dois eixos principais. “Os fertilizantes nitrogenados não chegam aqui porque são produzidos ali na região do Estreito de Ormuz. E o enxofre, que é um insumo para a produção de fosfatados, também não chega”, explicou.

O Brasil depende da região para suprir 80% de seus nitrogenados e 45% do enxofre utilizado na indústria de fosfatados.

Fábricas paralisam atividades

Diante da escassez de matéria-prima, empresas do setor que importam insumos e realizam a mistura de fertilizantes para uso no campo já registram paralisação das atividades. “Aqui a gente não produz fertilizantes, mas faz a mistura para usar no campo”, destacou a analista.

Os preços dos insumos subiram 200% desde o início do conflito, e, embora tenham recuado em momentos de menor tensão no estreito, permanecem em patamares elevados.

Enxofre tem escassez agravada por outros fatores

A situação do enxofre é agravada por um fator adicional e paradoxal: a redução da poluição global. “Quando a gente tinha mais queima de produtos de ácido de enxofre na atmosfera, a gente tinha mais contaminação no solo de enxofre e isso era bom para a agricultura”, explicou a analista.

Além disso, o enxofre é subproduto da extração de petróleo, cuja utilização tem diminuído. A demanda crescente por baterias de automóveis elétricos também disputa o insumo com o setor agrícola, pressionando ainda mais a oferta.

Impacto direto no consumidor

As consequências da crise devem se refletir nos preços ao consumidor final. Com custos de produção mais elevados e menor disponibilidade de fertilizantes, a produtividade agrícola tende a cair na próxima safra.

“A próxima safra vai ser mais cara para ele produzir, com menor utilização de fertilizantes. Então, a produtividade tende a ser menor e isso acaba sendo refletido nos preços, com certeza, para o consumidor”, afirmou Fernanda Pressinott.

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Cartolouco vira réu por violência contra ex: ‘Já ouvi que eu era um câncer’


O Fantástico, da TV Globo, exibiu no domingo (13) imagens de uma das agressões que levaram o influenciador Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, a se tornar réu por violência física e psicológica contra a ex-namorada. As gravações mostram o momento em que ele encosta um cigarro aceso na orelha da mulher e, instantes depois, dá um tapa em seu rosto durante uma discussão em uma rua de São Paulo. Ele nega as acusações.

Em entrevista ao programa, a ex-namorada, que pediu para não ter a identidade revelada, afirmou que as imagens registram apenas um dos episódios de um relacionamento de pouco mais de nove meses. Segundo ela, o namoro começou de forma intensa, com frequentes demonstrações de carinho e atenção. Com o passar do tempo, porém, o comportamento do influenciador mudou e deu lugar a agressões físicas, violência psicológica e ofensas.

As agressões verbais vieram antes da violência física, segundo o relato da vítima. “Já ouvi que eu era um câncer, puta, vagabunda”, afirmou ao Fantástico. A situação se agravou durante uma viagem do casal a Cusco, no Peru, no início de dezembro do ano passado.

Segundo a ex-namorada, a discussão começou depois que ela voltou do banheiro de um bar. Cartolouco teria arrancado o escapulário que ela usava e cuspido nela ainda no estabelecimento. Já no hotel, passou a agredi-la com tapas e chutes. Ela também afirma que o influenciador tentou aplicar um golpe conhecido como “mata-leão” e destruiu seu celular durante a discussão.

As imagens exibidas pelo Fantástico foram registradas semanas depois, na madrugada de 31 de janeiro. Conforme o relato da vítima, o casal voltou ao mesmo bar onde havia iniciado o relacionamento. Ao deixar o local, Cartolouco passou a acusá-la de traição e jogou um copo com bebida em seu rosto.

Na sequência, as câmeras de segurança mostram o influenciador encostando um cigarro aceso na orelha da mulher. Fotografias exibidas pelo programa registram a queimadura provocada pela agressão. Instantes depois, outra câmera flagra o momento em que ele dá um tapa no rosto da então namorada.

Após a agressão, a mulher atravessou a rua e permaneceu próxima a um bar, onde havia outras pessoas. “Pensei: vai que ele me dá um outro tapa. Pelo menos agora tem a chance de alguém visualizar e presenciar isso”, afirmou.

Frequentadores do local perceberam a discussão e intervieram. Segundo a vítima, Cartolouco deixou a região logo depois.

Mais relatos de agressão

O Fantástico também ouviu outras duas ex-namoradas do influenciador. Elas relataram episódios semelhantes de violência durante os relacionamentos.

Gabriela Augusto, que manteve um relacionamento de três anos com Cartolouco, afirmou ter sido queimada no rosto com um cigarro. Ela também relatou agressões com chutes e puxões de cabelo. Outra ex-namorada, que atualmente mora em Londres e pediu para não ser identificada, afirmou que sofria agressões físicas e era alvo constante de insultos. Segundo ela, o influenciador mudava completamente de comportamento logo após os episódios de violência.

As duas mulheres disseram que nunca registraram denúncia contra o influenciador. No caso da ex-namorada agredida em janeiro, porém, a denúncia foi aceita. Lucas Strabko se tornou réu e responderá por agressão física e violência psicológica.

As três mulheres afirmaram conviver até hoje com as consequências dos relacionamentos. A ex-companheira que vive em Londres disse que seu maior arrependimento foi não ter denunciado o influenciador. “Eu sabia que isso ia acontecer com mais gente. Eu só não tinha condição na época”, declarou.

Em nota enviada ao Fantástico, Lucas Strabko negou as acusações. Segundo o influenciador, durante a viagem ao Peru foi a então namorada quem, em uma crise de ciúmes, passou a ofendê-lo e a arremessar objetos, inclusive o próprio celular, contra ele.

O influenciador declarou ainda que, mesmo após o registro do boletim de ocorrência, os dois voltaram a se encontrar.



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Boletim Focus reduz projeção de inflação para 2026


O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central mostrou redução na projeção de inflação para 2026, enquanto as estimativas para câmbio, PIB e Selic permaneceram praticamente estáveis. A mediana dos economistas consultados passou a prever IPCA de 5,16% em 2026, ante 5,30% na semana anterior.

Inflação

A projeção para o IPCA, índice oficial de inflação, subiu de 4,18% para 4,20% em 2027. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,70%, nível mantido há três semanas. Para 2029, os economistas mantiveram a previsão de inflação em 3,50%, patamar estável há 45 semanas.

No caso do IGP-M, a projeção para 2027 ficou em 4,10%, após alta registrada nas semanas anteriores, permanecendo estável há duas semanas. Para 2028, a expectativa caiu de 3,85% para 3,82%, após uma semana de redução. Em 2029, a previsão continuou em 3,77%, sem alteração há quatro semanas.

A estimativa para os preços administrados, que incluem itens como energia elétrica, combustíveis e tarifas públicas, ficou em 3,85% para 2027, após recuo na semana anterior. Para 2027, a projeção permaneceu em 3,50%, estável há três semanas. Para 2028, a expectativa também ficou em 3,50%, mantendo-se nesse nível há 52 semanas.

PIB

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 caiu de 1,69% para 1,65%, após uma semana de estabilidade. Para 2028, a estimativa permaneceu em expansão de 2%, nível mantido há 122 semanas. Para 2029, a previsão também ficou em 2%, sem mudanças há 69 semanas.

Câmbio

A projeção para o dólar ao fim de 2027 permaneceu em R$ 5,28, após alta nas semanas anteriores, com estabilidade há duas semanas. Para 2028, a estimativa caiu levemente de R$ 5,35 para R$ 5,34, após uma semana de redução. Para 2029, os economistas mantiveram a previsão de câmbio em R$ 5,40, patamar estável há quatro semanas.

Selic

A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em 12% ao ano para 2027, após quatro semanas de estabilidade. Para 2028, a projeção ficou em 10,50%, sem alteração há duas semanas. Para 2029, os economistas mantiveram a estimativa em 10% ao ano, nível estável há dez semanas.



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