A Nutrien, canadense de produção e distribuição de insumos, registrou lucro líquido de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita líquida de vendas somou US$ 10,8 bilhões, alta de 4%, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou US$ 2,4 bilhões, recuo de 2% na mesma comparação.
No acumulado do primeiro semestre, a companhia apresentou crescimento dos principais indicadores financeiros. O lucro líquido aumentou 9%, para US$ 1,3 bilhão, a receita avançou 8%, para US$ 16,8 bilhões, e o Ebitda ajustado subiu 6%, totalizando US$ 3,5 bilhões.
Segundo a empresa, o desempenho do semestre foi impulsionado pela alta das referências globais de preços de fertilizantes, pelo crescimento dos resultados da divisão de varejo e pelo volume recorde de vendas de potássio. Já o resultado do segundo trimestre foi impactado pela redução dos volumes comercializados de fertilizantes e pelo aumento dos custos com enxofre, fatores que mais do que compensaram o efeito positivo dos preços internacionais.
Em comunicado, o presidente e CEO da Nutrien, Ken Seitz, afirmou que a companhia alcançou volume recorde de vendas de potássio no primeiro semestre, ampliou as margens de produtos proprietários e avançou em iniciativas voltadas ao aumento da eficiência operacional e da geração de caixa.
Receitas do mix
As vendas de fertilizantes recuaram de US$ 1,8 bilhão no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2026.
Na divisão de nutrição de cultivos, a receita cresceu no trimestre e no semestre em função do aumento dos preços de venda. A margem bruta permaneceu praticamente estável entre abril e junho, já que o crescimento das vendas de produtos nutricionais proprietários foi compensado pela redução dos volumes comercializados de fertilizantes, especialmente fosfatados e nitrogenados. No acumulado do semestre, a margem aumentou devido ao maior peso dos produtos proprietários.
Na área de defensivos agrícolas, as vendas e a margem bruta cresceram tanto no trimestre quanto no semestre, impulsionadas pelo maior volume de vendas de herbicidas nos Estados Unidos e pelo início antecipado das compras por produtores na Austrália.
A margem da divisão de sementes recuou no trimestre e no semestre em razão de mudanças no mix de produtos, embora parte desse efeito tenha sido compensada pelo aumento dos volumes vendidos, incluindo sementes de canola de maior valor agregado na Austrália.
As receitas com serviços e outras atividades também avançaram, refletindo principalmente o fortalecimento do mercado pecuário australiano.
Potássio
A receita da divisão de potássio cresceu 6% no segundo trimestre, para US$ 1 bilhão. No acumulado do primeiro semestre, o avanço foi de 14%, alcançando US$ 1,9 bilhão.
O Ebitda ajustado da operação aumentou no trimestre e no semestre, impulsionado pela elevação dos preços internacionais e pela execução operacional, que sustentou volumes recordes de vendas no primeiro semestre. Parte desse ganho foi compensada pelo aumento dos tributos provinciais sobre mineração.
Segundo a companhia, os volumes vendidos cresceram devido aos baixos níveis de estoques e à maior competitividade do potássio nos principais mercados internacionais. O preço líquido por tonelada aumentou em razão das cotações globais mais elevadas, embora parcialmente reduzido pelo aumento dos custos de frete e seguro. O custo dos produtos vendidos por tonelada também cresceu, principalmente devido a maiores gastos com royalties e manutenção.
A empresa informou ainda que manteve o custo controlável de produção abaixo de US$ 60 por tonelada e avançou na automação de minas.
Nitrogênio
Na divisão de nitrogênio, a receita caiu 3% no segundo trimestre, para US$ 1,1 bilhão. No acumulado do semestre, houve crescimento de 5%, totalizando US$ 2,1 bilhões.
O Ebitda ajustado aumentou no primeiro semestre em função da alta dos preços internacionais do nitrogênio e da redução dos custos com gás natural. No segundo trimestre, porém, o indicador recuou devido aos menores volumes vendidos, apesar dos preços mais elevados.
Os volumes comercializados diminuíram no trimestre em razão da ausência de produção nas unidades de Trinidad e New Madrid, da realização de manutenção programada na planta de Carseland e do adiamento de compras por clientes. No semestre, parte desses efeitos foi compensada pelo aumento das vendas de soluções nitrogenadas, nitratos e sulfatos.
O preço líquido por tonelada aumentou para todos os principais produtos nitrogenados, acompanhando o fortalecimento das referências globais. Já o custo dos produtos vendidos por tonelada caiu em decorrência da redução dos custos com gás natural, embora parcialmente compensado pelo aumento dos gastos com enxofre e pelas despesas de manutenção.
Fluxo de caixa e portfólio
O caixa gerado pelas atividades operacionais aumentou 12% no primeiro semestre. A empresa informou que destinou US$ 848 milhões aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações, sendo que o volume de recompras cresceu 26% em relação ao ano anterior. Até 4 de agosto, a companhia havia recomprado aproximadamente US$ 82 milhões em ações no terceiro trimestre.
Desde junho, a Nutrien também firmou acordos para vender ativos considerados não estratégicos por aproximadamente US$ 90 milhões. Com essas operações, o total de desinvestimentos desde o quarto trimestre de 2024 chega a cerca de US$ 1 bilhão.
A empresa informou ainda que segue trabalhando na definição do futuro de seus negócios de fosfato, da unidade de nitrogênio em Trinidad e da operação de varejo no Brasil ao longo de 2026.
Projeções
Para o restante do ano, a Nutrien afirmou que espera continuidade da demanda global por fertilizantes, sustentada pelo consumo de grãos e oleaginosas. A companhia avalia que fatores geopolíticos, possíveis efeitos do El Niño e restrições na oferta de algumas matérias-primas podem influenciar os mercados agrícolas e de fertilizantes.
A empresa manteve a projeção de embarques globais de potássio entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas em 2026 e elevou sua estimativa de vendas de potássio para um intervalo entre 14,2 milhões e 14,8 milhões de toneladas.
Para o segmento de nitrogênio, a previsão de vendas permanece entre 9,2 milhões e 9,7 milhões de toneladas, apoiada por melhorias operacionais previstas para o segundo semestre.
A companhia também reduziu sua estimativa de investimentos para um intervalo entre US$ 1,95 bilhão e US$ 2,05 bilhões, citando foco na eficiência do capital e no aumento estrutural da geração de caixa livre.



