Choque de custos e inflação justificam pausa de juros em 14%, avalia XP


Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em cortar a Selic em mais 0,25 ponto percentual, levando-a a 14%, o mercado analisa, agora, os próximos passos dos juros no Brasil. De acordo com a XP, o choque de custos e a inflação justificam uma pausa na calibração dos juros ao longo deste ano, voltando a cortes maiores no ano que vem. O cenário mudaria caso os sinais de desaceleração da atividade e da inflação se confirmem antes do esperado.

Rodolfo Margato, economista da XP, afirma que, na economia real, uma série de preocupações vêm se somando, como a onda inflacionária impulsionada pelos choques globais e fatores climáticos, como o El Niño. Essa visão de cautela na ponta final da economia é endossada pelo contato direto com o setor produtivo. “A gente percebe uma série de incertezas. O nível de juros ainda é alto, é restritivo, tem um grau elevado de endividamento das famílias e das empresas”, afirma Margato, durante o programa Morning Call.

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Margato também destacou os receios com as contas públicas e as mudanças regulatórias no radar dos empresários. “Tem a incerteza das eleições, qual vai ser a política econômica, especialmente a política fiscal nos próximos anos, e o impacto de mudanças na jornada de trabalho (6×1) e na reforma tributária, que podem pressionar adicionalmente os custos das empresas”.

Atividade econômica e risco fiscal 

Diante desse cenário mais restritivo e da fraqueza disseminada nos últimos indicadores de atividade, a XP retirou o viés positivo que atribuía ao crescimento do país, embora tenha mantido a projeção de alta de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026.

Para 2027, a expectativa é de uma desaceleração acentuada, com o PIB recuando para 1%. A corretora avalia que esse freio refletirá a piora no mercado de crédito e o fim do forte impulso fiscal e parafiscal visto recentemente.

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As contas públicas continuam sendo um ponto de pressão. A gestora projeta que o governo deverá registrar um déficit primário de 0,3% do PIB em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027. “A dívida pública em alta pressiona os custos de financiamento, e mudanças nos parâmetros do arcabouço fiscal não devem ser suficientes para garantir uma trajetória sustentável”, afirma a XP, em relatório. 

O tema ganha ainda mais peso diante da corrida eleitoral, que deve permanecer apertada e com a candidatura governista focada em defender a manutenção da sua agenda.

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Câmbio, inflação e cenário externo 

Apesar da surpresa positiva e do alívio disseminado nas últimas leituras de inflação, a trégua deve ser temporária. Com o mercado de trabalho ainda aquecido e as expectativas desancoradas, a XP manteve a projeção para o IPCA em 5,1% neste ano e 4,2% no próximo, ressaltando o ambiente de “elevada incerteza”.

No ambiente externo, embora a inflação nos países do G3 tenha apresentado alívio, a incerteza no Oriente Médio e a alta probabilidade de juros elevados nos Estados Unidos mantêm o mercado em alerta.

Ainda assim, as contas externas brasileiras têm ajudado a blindar a moeda. O Brasil deve sustentar um superávit comercial robusto, impulsionado pela queda nas importações — reflexo da economia mais lenta —, o que compensará o recuo recente nos preços do petróleo. 

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Além disso, a XP destaca que o forte ingresso de Investimento Direto no País (IDP) continuará financiando com folga o déficit em transações correntes. Com esse suporte técnico do Banco Central e o balanço de pagamentos sólido, as projeções para o câmbio foram mantidas em R$ 5,00 por dólar no final de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.



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