A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, disse nesta quinta-feira, 13, em evento na Câmara do Comércio de Dayton Area, que é “crítico” agir agora para devolver a inflação à meta de 2%.
Ela afirmou não ver, no momento, uma tensão relevante no duplo mandato do banco central americano, apontando que o mercado de trabalho tem se mantido “razoavelmente estável”, com a taxa de desemprego oscilando em torno do nível que estima como compatível com máximo emprego.
Segundo Hammack, a inflação continua acima do objetivo do Fed há mais de cinco anos. Após a melhora registrada no período pós-pandemia, quando o avanço dos preços recuou de mais de 7% para abaixo de 3%, ela disse que choques recentes fizeram a inflação voltar a superar 3%, o que reforça a necessidade de ação para evitar que o processo de desinflação se prolongue e imponha mais custos a famílias e empresas.
A dirigente avaliou que a política monetária, atualmente, não parece particularmente restritiva. Ela relatou ouvir de empresas que seguem dispostas a captar e tomar empréstimos para investir, em parte devido ao impulso da construção de infraestrutura ligada à inteligência artificial, o que, em sua leitura, pode adicionar pressão sobre preços e exigir mais contenção para evitar superaquecimento.
Hammack também citou incertezas associadas a tarifas, choques de energia e problemas nas cadeias de suprimentos, inclusive relacionados ao Estreito de Ormuz.
Ao falar de estabilidade financeira, apontou três focos de atenção: o crescimento do crédito privado, isto é, empréstimos concedidos por fundos fora do sistema bancário tradicional, pela menor transparência; vulnerabilidades no mercado de Treasuries, diante de trajetória fiscal que considera “insustentável” e do uso de alavancagem; e o volume de capital direcionado à IA, que pode lembrar ciclos anteriores de euforia se a rentabilidade esperada não se confirmar.



