USDA eleva produção e exportação de algodão do Brasil na safra 2026/27

O Brasil deve produzir 4,137 milhões de toneladas de algodão na safra 2026/27, alta de 1,3% em relação ao ciclo anterior, segundo as estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A projeção de exportações brasileiras também foi elevada, para 3,484 milhões de toneladas, volume recorde e 3,3% superior ao registrado na temporada 2025/26.

Na comparação com o levantamento anterior, as estimativas brasileiras de produção e exportação aumentaram em 109 mil toneladas cada. O avanço dos embarques deve ampliar a participação do Brasil no comércio mundial de algodão para 35,8% em 2026/27, ante 33,8% na safra passada. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com participação estimada em 27,5%.

O consumo interno brasileiro deve alcançar 740 mil toneladas, crescimento de 1,5% na comparação anual. Apesar do aumento projetado da produção, os estoques finais devem recuar 11%, de 785 mil para 699 mil toneladas. O movimento reflete o crescimento das exportações, que devem absorver uma parcela maior da oferta nacional.

De acordo com a análise da Terra Agro, cerca de 84% da produção brasileira projetada para 2026/27 deverá ser destinada às exportações. O cenário reforça a importância do mercado externo para o escoamento da safra e para a posição do país no comércio internacional da fibra.

Produção mundial cresce

No cenário global, o USDA elevou a estimativa de produção de algodão para 25,681 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 26,574 milhões de toneladas na temporada anterior. Apesar do aumento em relação ao levantamento mensal, o volume ainda representa uma queda anual de 3,4%.

A revisão positiva foi impulsionada principalmente pelo aumento das estimativas para Brasil e Estados Unidos, parcialmente compensado pela redução projetada para a Argentina. O consumo mundial, por sua vez, deve crescer 1,9%, para 26,798 milhões de toneladas.

As exportações globais foram estimadas em 9,734 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação à safra 2025/26, embora o volume tenha aumentado na comparação com o relatório anterior. A revisão foi puxada principalmente pela expectativa de embarques maiores do Brasil.

Os estoques finais mundiais devem somar 15,389 milhões de toneladas, recuo de 6,6% em relação ao ciclo anterior. Com isso, a relação entre estoques e consumo deve cair para 57,4%, o menor nível desde a safra 2010/11, segundo os dados apresentados pela Terra Agro.

Estados Unidos

Para os Estados Unidos, o USDA elevou em 2% a estimativa de produção de algodão na safra 2026/27, para 13,44 milhões de fardos. A produtividade média nacional projetada também aumentou 2%, para 790 libras por acre colhido. O avanço foi impulsionado principalmente por perspectivas de safras maiores nos estados da região do Delta.

A previsão de estoques finais norte-americanos subiu 6%, para 3,80 milhões de fardos, elevando a relação estoque/consumo para 27,5%, ante 26,1% no relatório anterior. As projeções de consumo e exportações dos Estados Unidos permaneceram inalteradas.

O preço médio recebido pelos produtores norte-americanos de algodão upland foi reduzido em um centavo de dólar por libra-peso, para 77 centavos na safra 2026/27. Para a temporada 2025/26, a estimativa foi ligeiramente elevada, para 62,2 centavos por libra-peso.

Na avaliação da Terra Investimentos, o aumento das safras no Brasil e nos Estados Unidos contribuiu para a elevação das projeções de oferta mundial no relatório de outubro. No balanço global, porém, a redução anual dos estoques e da relação estoque/consumo mantém o indicador em seu menor patamar em mais de 15 anos.

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