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O cenário de crédito mais restrito, taxas de juros elevadas e frequente oscilação nos preços das commodities agrícolas tem levado o produtor rural brasileiro a buscar alternativas sólidas de financiamento e proteção de margem. Nesse contexto, as operações de barter — a troca de insumos por produção futura — deixaram de ser apenas uma opção emergencial de crédito para se consolidar como uma ferramenta estruturada de gestão de risco e planejamento da safra.
Gestão de risco e previsibilidade no campo
Durante participação no programa Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, o diretor de Barter da Corteva Agriscience, Fernando Borba Júnior, explicou que a modalidade permite travar antecipadamente os custos de produção, reduzindo a exposição a oscilações bruscas de mercado. Segundo o executivo, o conceito central que deve orientar a decisão do produtor é a relação de troca: o cálculo exato de quantas sacas de grãos serão necessárias para pagar o pacote tecnológico utilizado na lavoura.
“O barter não é somente uma operação financeira; é uma operação de planejamento de safra, de previsibilidade de resultado da sua lavoura”, afirmou Fernando Borba Júnior. O executivo sintetizou a dinâmica do mecanismo com uma máxima do setor: “Barter é produção futura que traz crédito no presente”.
Outro diferencial que vem ganhando força no mercado é a incorporação de derivativos financeiros diretamente estruturados pela mesa de trading da empresa, sem custo extra para o agricultor. Essa ferramenta permite que o produtor participe de eventuais valorizações do mercado físico ou conte com travas de piso para se proteger de quedas bruscas nas cotações. Segundo Borba Júnior, cerca de 25% do volume negociado pela companhia já utiliza ferramentas de derivativos.
Expansão geográfica e consolidação nos negócios
Tradicionalmente concentrado em regiões do Centro-Oeste e no Matopiba — como Mato Grosso, Goiás e Bahia —, o barter tem quebrado barreiras e expandido fronteiras agrícolas. Um dos exemplos destacados é o Rio Grande do Sul, estado historicamente reticente à prática, onde atualmente 50% das vendas de insumos da Corteva ocorrem por meio de operações de troca.
Os números refletem essa adesão crescente: na safra 2024/25, a companhia ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em operações de barter, registrando uma taxa de fidelização superior a 65% entre os clientes que realizam a operação em anos consecutivos. Para a safra 2025/26, mais de 40% das vendas da empresa já estão atreladas à modalidade.
Ao aconselhar os agricultores sobre o momento do mercado, o diretor reforçou a necessidade de foco na sustentabilidade econômica: “O mercado está muito desafiador em termos de crédito e volatilidade das commodities. Faça sua trava, trave seu custo de produção. Lucro pequeno não quebra ninguém; o que quebra é o prejuízo”.
Mercado internacional: café e suco de laranja sob pressão
No panorama das cotações internacionais, o dia iniciou com quedas expressivas nas bolsas externas. O café registrou desvalorizações superiores a 2% na Bolsa de Nova York (ICE Futures), influenciado por relatório do Rabobank que apontou melhora nas perspectivas de recomposição dos estoques globais após chuvas favoráveis registradas no Brasil em setembro e a recuperação das exportações brasileiras.
O suco de laranja congelado e concentrado também enfrentou perdas próximas a 3% em Nova York. O mercado reflete a retração do consumo global decorrente dos preços recordes praticados nos últimos meses, combinada a sinais graduais de recomposição da oferta nos principais polos produtores.
Pecuária e clima no centro das atenções
No setor pecuário, levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontaram que a valorização recente do boi gordo superou a do boi magro na parcial de outubro, encurtando o diferencial de preços e favorecendo a atratividade da terminação intensiva. No segmento de carnes concorrentes, a carcaça suína especial registrou forte alta no atacado paulista, reduzindo sua competitividade em relação às carnes bovina e de frango.
Na meteorologia, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de tempestades com possibilidade de granizo e rajadas de vento para o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. No Sul, o excesso de umidade segue gerando preocupações para a reta final da colheita das culturas de inverno (como trigo e cevada) e atrasando os trabalhos iniciais de semeadura da safra de verão.
A convergência de instabilidades climáticas, volatilidade nas bolsas internacionais e condições financeiras mais restritas reforça a relevância de instrumentos como o barter e a disciplina orçamentária para a sustentabilidade da atividade agrícola no país.
* Com auxílio de IA



