Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a instalação do Ministério da Segurança Pública perde a urgência imediata e pode ficar para 2027.
O governo projeta que pode até recriar a pasta ainda neste ano como aceno ao cumprimento da proposta em uma área que desafiou Lula durante a eleição. O pleno funcionamento da pasta, no entanto, pode ficar para o ano que vem por questões orçamentárias.
A avaliação é de que o tema tinha prioridade máxima como aceno eleitoral. Lula condiciona a recriação da pasta, que existiu no governo Temer, à aprovação da PEC da Segurança.
O governo correu para fazer a votação final da matéria no plenário do Senado antes do segundo turno, mas a iniciativa foi freada diante da casca de banana colocada pela oposição em levantar na discussão da PEC o tema da maioridade penal.
Lula também avalia quem pode ser o ministro da pasta. Alguns auxiliares fazem circular o nome do ex-ministro Fernando Haddad (PT) para a função.
O petista, no entanto, é visto como uma figura distante do tema e não teria interesse, segundo governistas ouvidos sob reserva.
A avaliação interna é de que a pasta preferencialmente deve ser assumida por quem não dependa dos resultados efetivos dela para a atividade política, justamente porque os ganhos pessoais com o ministério são arriscados.
No Congresso, governistas aguardam o comando do Planalto para retomar a articulação junto ao presidente Davi Alcolumbre (União) para a aprovação da PEC da Segurança.
Um dos desafios será decidir se o PT vai ou não endossar uma emenda do senador Camilo Santana, líder da bancada na casa, para reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. O partido não teve consenso sobre a ideia, que vai na contramão do que é defendido historicamente pela esquerda.



