Eleição em Israel decidirá o próximo capítulo do Oriente Médio | Blogs | CNN Brasil


Israel realiza nesta terça-feira (27) sua primeira eleição nacional desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

O voto decidirá quem governará o país depois de três anos de guerras em Gaza, Líbano e Irã. Mas sua importância ultrapassa em muito a sobrevivência política de Benjamin Netanyahu.

O que estará em disputa é a forma como Israel pretende converter poder militar em posição geopolítica.

Desde 2023, Israel expandiu sua ação militar de Gaza ao Líbano e ao Irã, buscando degradar capacidades de adversários e reduzir ameaças antes que elas se materializem.

Essa lógica produziu um paradoxo.

O país demonstrou enorme capacidade de projetar força, ao mesmo tempo em que viu aumentar o atrito com aliados tradicionais e diminuir sua margem diplomática.

É por isso que a eleição não deve ser lida simplesmente como uma escolha entre continuidade e ruptura.

Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e hoje principal nome da oposição nas pesquisas, também defende uma postura dura em matéria de segurança.

Uma mudança de governo, portanto, não significaria automaticamente uma mudança de doutrina militar.

A diferença mais relevante poderá estar naquilo que vem depois do uso da força: reconstrução institucional, coordenação com Washington, relação com os países árabes e disposição para transformar ganhos militares em arranjos políticos mais duradouros.

Esse ponto é especialmente importante para os Estados Unidos.

A relação entre Washington e Israel permanece estratégica, mas deixou de ser apenas uma questão bilateral.

Hoje ela se conecta diretamente à guerra com o Irã, à estabilidade do Golfo, à segurança energética e à tentativa de Donald Trump de ampliar os Acordos de Abraão. O governo norte-americano condicionou recentemente um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita à normalização das relações de Riade com Israel.

Os sauditas, por sua vez, seguem vinculando esse movimento a um caminho crível para a criação de um Estado palestino.

A eleição israelense incidirá, portanto, sobre uma equação que Washington ainda não conseguiu resolver: como preservar a segurança de Israel e, ao mesmo tempo, construir uma arquitetura regional capaz de incluir os principais países árabes.

Quanto menor o espaço político para a questão palestina, mais difícil se torna fechar essa equação.

Há ainda uma segunda frente. Reino Unido, França, Canadá e outros parceiros ocidentais vêm elevando a pressão sobre Israel por causa da expansão dos assentamentos na Cisjordânia.

O debate já deixou o terreno apenas retórico e passou a envolver medidas comerciais e diplomáticas.

Para Israel, isso cria um problema estratégico que não pode ser resolvido apenas militarmente: um país pode vencer batalhas e, ainda assim, perder liberdade de ação se o custo político de suas escolhas crescer entre aliados.

Talvez seja esse o significado mais profundo da eleição de outubro.

Ela ocorrerá em um Israel que demonstrou maior alcance militar e, ao mesmo tempo, enfrenta pressão diplomática crescente.

O eleitor israelense escolherá um governo.

Mas o resultado ajudará a definir algo maior – se a ordem regional produzida pelas guerras dos últimos três anos será consolidada prioritariamente pela força ou convertida, em alguma medida, em uma nova arquitetura política.

No Oriente Médio, poder militar pode mudar fronteiras de influência. O desafio começa quando chega a hora de transformar poder em ordem.

 



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.