O senador e candidato derrotado à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, comparou-se a dois gigantes da história na carta de teor golpista divulgada nesta quarta-feira (28): Rui Barbosa, um dos maiores intelectuais brasileiros, e o estadista francês Charles de Gaulle.
“Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país”, afirmou.
Jurista, político, diplomata, jornalista e escritor, Rui Barbosa é considerado um dos principais juristas brasileiros. Nas faculdades de direito, é tratado como o grande nome da formação da República e da defesa das liberdades individuais no país. Seu acervo e sua casa, no Rio de Janeiro, são preservados pela Fundação Casa de Rui Barbosa, instituição federal ligada ao Ministério da Cultura.
Nasceu em Salvador, em 1849, e formou-se em Direito em São Paulo, em 1870. Ainda na monarquia, ganhou destaque por defender a abolição da escravidão.
Como deputado da Assembleia Provincial da Bahia e, depois, da Assembleia Geral do Império, defendeu o ensino gratuito, obrigatório e laico.
Foi um dos principais articuladores da queda da monarquia e da proclamação da República, e defendeu a descentralização do poder e o regime federalista.
No novo regime, foi ministro da Fazenda do governo provisório de Deodoro da Fonseca e acumulou interinamente a pasta da Justiça. Eleito senador pela Bahia, foi o principal redator da Constituição de 1891, a primeira da República, na qual se empenhou pela defesa das liberdades individuais e do ideário liberal. Também teve papel central no desenho do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em 1892, impetrou no Supremo um histórico habeas corpus em favor de opositores presos pelo governo autoritário de Floriano Peixoto. O enfrentamento com o marechal o levou ao exílio na Argentina, em Portugal e na Inglaterra, de onde escreveu as “Cartas de Inglaterra”. Mesmo fora do país, recebeu votos espontâneos na eleição de 1894.
Voltou ao Brasil em 1895, no governo de Prudente de Morais, e retomou a vida política dentro das regras do regime.
Foi, ainda, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897, e presidiu a instituição de 1908 a 1919, sucedendo Machado de Assis. Ficou conhecido como “Águia de Haia” pela atuação na Conferência da Paz de 1907, na Holanda, onde defendeu a igualdade jurídica entre as nações.
Disputou a Presidência da República em 1910 e em 1919 e perdeu as duas eleições. A de 1910 ficou conhecida como Campanha Civilista: seu nome era a opção civil à candidatura militar do marechal Hermes da Fonseca. Morreu em 1923, em Petrópolis (RJ).
Charles de Gaulle, o estadista do século 20
General e político, Charles de Gaulle (1890–1970) é considerado o principal estadista francês do século 20 e o símbolo da resistência da França ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Em junho de 1940, com o país derrotado e ocupado pelas tropas de Adolf Hitler, recusou o armistício assinado pelo marechal Philippe Pétain e partiu para Londres. Dali, em 18 de junho, fez pela rádio BBC o célebre apelo para que os franceses continuassem a lutar. O discurso marcou o nascimento da França Livre, que ele dirigiu do exílio ao longo da guerra e que reuniu as forças francesas que seguiram combatendo ao lado dos Aliados.
O regime colaboracionista de Vichy, comandado por Pétain, condenou-o à morte à revelia, por traição, ainda em 1940.
Com a libertação de Paris, em 1944, De Gaulle voltou ao país e assumiu a chefia do Governo Provisório da República Francesa, que restabeleceu a democracia no país.
Em 1958, liderou a criação da Quinta República, sistema que vigora até hoje na França, e foi presidente de 1959 a 1969. Deixou o cargo após perder um referendo e morreu no ano seguinte.



