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Israel compra quase US$ 240 mi em carnes do Brasil e fornece fertilizantes

Israel é um comprador relevante de carnes brasileiras e, ao mesmo tempo, um fornecedor de fertilizantes para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil exportou US$ 238,82 milhões em carnes ao mercado israelense, quase metade das vendas externas do agronegócio ao país. No sentido inverso, importou US$ 499 milhões em fertilizantes israelenses, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A relação comercial ganha destaque nesta terça-feira (27), quando Israel realiza sua primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em outubro de 2023, e o início da guerra no Oriente Médio. O pleito coloca em disputa a continuidade do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta rivais políticos em meio às críticas à condução do conflito.

Segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel somaram US$ 480,11 milhões em 2025. As carnes responderam por US$ 238,82 milhões, o equivalente a 49,7% do total, com embarques de 38,11 mil toneladas.

O complexo soja aparece em segundo lugar, com US$ 91,73 milhões e 242,77 mil toneladas. As exportações de café totalizaram US$ 59,68 milhões, com 7 mil toneladas, enquanto os produtos florestais somaram US$ 40,58 milhões. Já os produtos oleaginosos, excluindo a soja, renderam US$ 15,1 milhões.

A pauta também inclui açúcar e outros produtos do complexo sucroalcooleiro, bebidas, cacau e derivados, cereais, frutas, lácteos e outros produtos de origem animal e vegetal.

As vendas brasileiras do agronegócio para Israel oscilaram nos últimos anos. Em 2020, somaram US$ 353,6 milhões, menor valor da série apresentada. Em 2021, avançaram para US$ 384,87 milhões e atingiram um pico de US$ 727,43 milhões em 2022.

Nos dois anos seguintes, houve recuo: as exportações caíram para US$ 449,07 milhões em 2023 e US$ 442,87 milhões em 2024. Em 2025, subiram para US$ 480,11 milhões.

De janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel já somavam US$ 486,27 milhões, superando o total registrado em todo o ano anterior.

Fertilizantes lideram compras brasileiras

Na direção contrária, os fertilizantes estão entre os principais produtos israelenses que abastecem o mercado brasileiro. As importações brasileiras desses insumos somaram US$ 499 milhões em 2025, aumento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC.

O valor corresponde a mais que o dobro das exportações brasileiras de carnes para Israel. Em termos relativos, os US$ 238,82 milhões vendidos em carnes equivaleram a 47,9% do valor desembolsado pelo Brasil em fertilizantes israelenses.

O comércio de insumos agrícolas também inclui defensivos. Em 2025, as compras brasileiras de defensivos agrícolas de Israel alcançaram US$ 101,8 milhões, alta de 34,2% em relação a 2024.

A dependência brasileira de fertilizantes importados torna esse fluxo relevante para o setor agropecuário. Antes da guerra iniciada em 2023, o Brasil chegou a importar cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes israelenses por ano.

Pelos dados do Agrostat, as importações brasileiras de produtos agropecuários israelenses somaram US$ 32,99 milhões em 2025. O complexo sucroalcooleiro respondeu por US$ 5,2 milhões, seguido por bebidas, com US$ 258,3 mil, e cereais, farinhas e preparações, com US$ 158 mil.

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Aliados veem Tarcísio como principal opositor a Lula após fuga de Flávio | Blogs | CNN Brasil


A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, fortalece o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal voz de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avaliação de aliados da família Bolsonaro.

Com o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e seus filhos Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro fora do país, interlocutores do clã avaliam que Tarcísio reúne as melhores condições para ocupar o espaço que o senador pretendia assumir após a derrota nas urnas.

A avaliação é que, além de governar o maior estado do país, Tarcísio tem capacidade de articulação para dialogar com diferentes setores da direita. Para esses aliados, o governador, reeleito em primeiro turno, também surge como nome natural para disputar a Presidência em 2030.

Entre integrantes da chamada ala moderada, a projeção de Tarcísio é vista ainda como um aceno a uma direita mais moderada, capaz de ampliar o diálogo para além da base bolsonarista.

O governador já era apontado, principalmente por setores do mercado, como o nome preferido para disputar o Planalto neste ano. Jair Bolsonaro, no entanto, escolheu o filho mais velho para representar o bolsonarismo na eleição presidencial.

Depois da decisão do pai, Flávio viajou a São Paulo para comunicá-la a Tarcísio. Inicialmente mais distante da disputa, o governador se reaproximou da campanha e se engajou na reta final, sobretudo no segundo turno.

Tarcísio também esteve entre os aliados que aconselharam Flávio a não contestar o resultado das urnas. O governador participou ainda da reunião em que o senador foi orientado a não fugir do país, apesar de dizer que corria risco de ser preso.

Na avaliação desses aliados, Tarcísio também se sobressai a outros integrantes da família Bolsonaro, como Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, eleitos para o Senado. Filho do ex-presidente, Carlos exerceu o mandato de vereador no Rio de Janeiro por anos e chegará agora a Brasília. Interlocutores do clã afirmam que ele não gosta da articulação política.

Michelle, eleita pelo Distrito Federal, tem sua liderança elogiada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas ocupará pela primeira vez um cargo eletivo. A ex-primeira-dama também enfrenta resistência dentro da família e de parte dos aliados do bolsonarismo, que apontam dificuldades em sua relação com o grupo.

Interlocutores que acompanharam de perto a campanha de Flávio também veem Tarcísio como o nome mais preparado para função entre os governadores da direita. Foram eleitos neste ano Sergio Moro (PL), no Paraná; Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro; e Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) foi reeleito.

Nesta terça-feira (27), dois dias após a vitória de Lula, Tarcísio reconheceu o resultado da eleição e agradeceu a Flávio pela caminhada durante a campanha. O governador, porém, afirmou que aceitar o resultado não significa deixar de questionar o que chamou de excessos na disputa.

Sem citar Lula nominalmente, Tarcísio defendeu que a oposição una forças para cobrar o governo. Na manifestação, ele não comentou a saída de Flávio do Brasil.

“Eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. Esse desejo tem nome, chama-se projeto de país”, disse o governador de São Paulo.

Segundo Tarcísio, mesmo com o fim da eleição, o país continua “fraturado e dividido”. Sem citar nominalmente Lula, ele afirmou ser necessária uma postura séria “de quem lidera” o Brasil.



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