Republicanos e democratas disputam o próprio futuro nas Midterms | Blogs | CNN Brasil


Toda eleição produz vencedores e perdedores. Algumas, porém, ajudam a determinar quem terá autoridade para definir o que significa vencer.

É o caso das Midterms norte-americanas de 2026.

Enquanto disputam o controle do Congresso, republicanos e democratas enfrentam questões que ultrapassam os próximos dois anos de governo.

Ambos precisam decidir que tipo de partido pretendem ser depois de Donald Trump.

Para os republicanos, o dilema começa com o próprio presidente. Trump não apenas conquistou a liderança partidária, mas transformou sua identidade, sua linguagem e parte de sua base social.

Incorporou eleitores menos vinculados ao conservadorismo tradicional, aproximou o partido de setores da classe trabalhadora e reorganizou suas prioridades em torno do nacionalismo econômico e cultural.

O problema é que uma coalizão construída em torno de uma personalidade não se transforma automaticamente em uma organização capaz de sobreviver à sua ausência.

Essa tensão já aparece nas campanhas.

Um levantamento da agência de notícias Reuters identificou que, em 41 de 62 disputas competitivas, candidatos republicanos procuraram se distanciar de alguma política de Trump ou reduzir a exposição de seus vínculos com ele.

Poucos, entretanto, desafiaram diretamente sua liderança. O movimento revela uma dificuldade estrutural.

Para vencer as primárias, é importante preservar a confiança da base trumpista. Para conquistar eleitores independentes, pode ser necessário demonstrar autonomia.

A sucessão presidencial torna esse equilíbrio ainda mais delicado.

JD Vance representa uma tentativa de dar continuidade ao trumpismo com outra liderança.

Marco Rubio e outros nomes republicanos também participam, de maneiras distintas, das discussões sobre 2028.

Mas herdar o apoio de Trump não significa necessariamente reproduzir sua capacidade de mobilização. O presidente pode indicar um sucessor sem conseguir transferir integralmente sua autoridade política.

Entre os democratas, a questão é diferente.

O partido consegue reunir uma oposição ampla a Trump, mas continua dividido sobre como transformá-la em uma proposta de governo.

Progressistas defendem mudanças mais profundas nas políticas econômicas e sociais, enquanto setores moderados priorizam candidaturas capazes de competir em territórios conservadores.

As divergências envolvem estratégia eleitoral, prioridades programáticas e a própria interpretação das derrotas recentes.

As candidaturas deste ano ajudam a tornar essas diferenças concretas.

No Texas, James Talarico combina referências religiosas e uma linguagem de aproximação com eleitores tradicionalmente republicanos.

Em outros estados, candidatos progressistas procuram mobilizar jovens e trabalhadores com propostas mais ambiciosas de transformação econômica, como é o caso de Abdul El Sayed no Michigan.

São caminhos distintos para responder à mesma dificuldade.

Como reconstruir uma maioria nacional sem depender exclusivamente da rejeição ao adversário?

Há uma ironia nessa disputa.

Os republicanos possuem uma liderança dominante, mas enfrentam incertezas sobre sua sucessão.

Os democratas têm diferentes lideranças disponíveis, mas ainda não chegaram a um entendimento sobre qual projeto deve prevalecer.

Em ambos os casos, o resultado das urnas influenciará a distribuição interna de poder, fortalecendo algumas estratégias e enfraquecendo outras.

Também por isso, as eleições para governadores merecem atenção.

Além de administrar estados importantes, governadores podem oferecer aos partidos experiências concretas de gestão e plataformas para a disputa presidencial.

Em um ambiente político dominado por conflitos nacionais, resultados estaduais podem revelar alternativas que ainda não ganharam projeção em Washington.

Seria precipitado, contudo, imaginar que esse novembro resolverá essas disputas.

Uma vitória eleitoral não encerra divergências internas, assim como uma derrota não determina automaticamente uma mudança de orientação.

Partidos são organizações complexas, nas quais lideranças, financiadores, militantes e eleitores disputam continuamente influência.

O que as Midterms podem fazer é alterar o peso relativo dessas forças.

Para os republicanos, indicarão quanto da coalizão de Trump pode funcionar sem ele na cédula.

Para os democratas, mostrarão quais estratégias conseguem converter descontentamento em representação política.

Nessa terça-feira (3), os norte-americanos escolherão seus representantes.

Dentro dos partidos, porém, outra disputa continuará em andamento.

A de quem poderá reivindicar o resultado como evidência de que seu caminho é o mais promissor para 2028.

 



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.