Montadoras da China avançam globalmente e preparam novas cartadas | Blogs | CNN Brasil


Como em tantas outras atividades econômicas, também no setor automobilístico os números da China são grandiosos. A capacidade instalada permite a produção de 63 milhões de veículos por ano, mas um número bem inferior saiu de suas linhas de montagem no ano passado: 34,78 milhões de veículos, ofertados por mais de 90 marcas.

O país detém hoje 35% do mercado global de automóveis (em grande medida devido ao próprio consumo interno, de longe o maior do mundo) e alcançou uma fatia de 60% no segmento específico dos modelos elétricos.

O apetite para avançar sobre novas geografias é enorme. Vetadas nos Estados Unidos, as marcas chinesas buscam outros territórios para fazer escoar sua produção.

Na América Latina sua presença já se consolidou (no Brasil, um em cada dez carros novos vendidos tem essa origem). Mas o mercado da Europa exerce uma atração especial, pelas margens que proporciona aos fabricantes.

Hoje a participação daqueles modelos asiáticos nas vendas no continente já supera 11% e deve subir para 16%, 18% ou mesmo 20% até 2030, segundo estimativas de diferentes especialistas.

A União Europeia definiu em outubro um teto na importação de veículos híbridos oriundos da China: 350 mil unidades por ano. As tratativas representam um esforço de frear o ímpeto direcionado aos consumidores do bloco. Mas para os carros 100% elétricos continua valendo a tarifa de 35,3% imposta por Bruxelas no final de 2024.

A chegada de dezenas de marcas ao continente está aumentando a competição não apenas com as marcas europeias, mas também entre as próprias montadoras chinesas. Os fabricantes e fornecedores tradicionais enfrentam forte pressão, o que deve abrir espaço para a formação de novas parcerias e alianças estratégicas.

Outro número que espelha uma nova e definitiva realidade do cenário automotivo europeu: um terço das 60 marcas presentes no Salão do Automóvel de Paris, realizado em outubro, era de origem chinesa.

Nomes consolidadas no continente como Volkswagen, Renault e Citroen, preveem o lançamento de novos modelos elétricos por meio de uma estratégia que os chineses, players recentes no mercado global, não poderiam adotar: o relançamento de modelos clássicos, que marcaram época, mas totalmente reestilizados e modernizados.

Esse é o caso do famoso 2C (ou ‘deux chevaux’, dois cavalos em francês), com previsão de chegada ao mercado em 2028, que deverá sair da linha de montagem da Citroen, marca atualmente pertencente ao grupo Stellantis (que abriga também Fiat, Peugeot e Jeep).

A mesma abordagem ‘vintage’ é considerada pela também francesa Renault para os tradicionais modelos R5 e Twingo. A líder Volskwagen esboça uma versão atualizada do Golf, modelo bem-sucedido durante os anos 1990/2000.

Enquanto buscam opções e modelos inovadores, as marcas tradicionais tentam impulsionar a política “Made in Europe”, iniciativa que visa respaldar empresas do continente de diferentes setores e garantir novo vigor e competitividade à economia do bloco.

Sempre pensando dois ou três carros à frente, no entanto, as marcas chinesas também preparam sua cartada: já se articulam para fabricar seus modelos no próprio continente, livrando-se assim de sobretaxas e cotas de importação.



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