Relator abre julgamento de recurso com voto desfavorável à candidatura de Jamilson Name


Defesa considera que posição já era esperada e aposta no convencimento de outros ministros do TSE

O ministro Sebastião Reis Júnior, relator do processo que pode definir o futuro do deputado estadual Jamilson Name (PL) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), votou pela manutenção do indeferimento do registro de candidatura do parlamentar.

O voto abre a sessão virtual de julgamento nesta sexta-feira (6) e trata da análise de um recurso apresentado pela defesa do parlamentar. A votação virtual segue aberta e tem encerramento previsto para o dia 12 de novembro.

Voto de relator sustenta decisão monocrática desfavorável a Jamilson

O relator manifestou voto contrário ao provimento do recurso da defesa, mantendo os termos do parecer individual assinado em 2 de outubro de 2026.

Naquela decisão, o ministro atendeu ao pedido do MPE (Ministério Público Eleitoral) e reformou acórdão do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), que havia deferido o registro da candidatura.

Sebastião Reis Júnior fundamentou o indeferimento no artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição Federal — dispositivo que proíbe o uso de organizações paramilitares ou congêneres por partidos políticos.

Segundo o voto do relator, a vedação constitucional impede a interferência de grupos criminosos organizados no processo eleitoral e independe do uso ostensivo de armamento ou de condenação definitiva transitada em julgado.

O magistrado apontou a existência de sentença penal condenatória de primeiro grau contra Name pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, ligada à Operação Omertà, além do reconhecimento de função de liderança no núcleo financeiro e na exploração do jogo do bicho por meio da empresa Pantanal Cap.

A posição da defesa

Ao Jornal Midiamax, o advogado Alexandre Ávalo Santana, responsável pela defesa de Name, afirmou que a manifestação contrária do relator já era esperada e que o recurso teve como objetivo técnico transferir o debate para os outros seis ministros do colegiado do TSE.

“O ministro Reis deu um voto que é condizente com a decisão monocrática que ele deu antes. O agravo regimental, neste caso no Tribunal Superior, tem o objetivo de levar o caso para o colegiado. Portanto, o voto do relator era o voto esperado”, disse Ávalo.

O advogado sustentou que a expectativa recai sobre a análise do plenário, considerando que decisões recentes da Corte podem acolher a tese da defesa.

“Se for condizente com os últimos julgamentos do TSE, a nossa perspectiva é muito boa de que os votos venham favoráveis à nossa tese de que o artigo 17 não se aplica de forma direta sem os requisitos exigíveis para impedimento de qualquer candidatura”, pontua.

Ávalo também declarou que o debate supera o interesse individual. “Essa questão ultrapassa o interesse das partes que estão pleiteando em juízo. É o interesse coletivo de aplicação adequada da Constituição”, defende.

Jamilson já havia rechaçado a tese de envolvimento com grupos armados nas eleições, classificando a acusação de uso de força paramilitar como indevida e sustentando a inexistência de coação de eleitores ou porte de armas.

O que muda na Assembleia Legislativa

Jamilson Name obteve 35.211 votos nas Eleições de 2026, montante suficiente para assegurar sua reeleição na Alems. Com a decisão liminar do relator proferida na antevéspera do pleito, a candidatura permaneceu sob a condição de indeferida sub judice (pendente de julgamento definitivo).

Essa classificação impediu a validação imediata dos votos do parlamentar para o cálculo do quociente eleitoral. Em decorrência do indeferimento, a cadeira na Assembleia Legislativa foi atribuída temporariamente ao candidato Marcio Fernandes, do PL.

Caso o plenário do TSE acompanhe o voto do relator até 12 de novembro, o indeferimento será mantido e a vaga continuará com Fernandes. Se a maioria dos ministros acolher os argumentos da defesa e reformar a decisão, os 35,2 mil votos de Name serão validados, devolvendo a cadeira ao PP.

Seis ministros ainda devem votar na sessão virtual: André Mendonça, Dias Toffoli, Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques, Nunes Marques e Ricardo Villas Bôas Cueva. Caso o resultado final no TSE seja desfavorável, a defesa de Name não descarta recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) por se tratar de tema constitucional.

🔵 Receba notícias de Política no seu WhatsApp

Participe do grupo de Política do Jornal Midiamax no WhatsApp e receba informações diárias de tudo o que acontece na política de Mato Grosso do Sul.

✅ Clique aqui para participar

(Revisão: Nichole Munaro)



Veja a matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.