A economia e a política caminham juntas, e o cenário político nos Estados Unidos voltou a dar provas disso. Segundo Rita Mundim, comentarista de Economia do CNN Money, a derrota de Donald Trump nas eleições legislativas americanas trouxe um aumento de previsibilidade para os mercados, que reagiram positivamente à mudança no equilíbrio de poder no Congresso.
Mundim explicou que, enquanto Trump contava com maioria republicana tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, tinha maior liberdade para conduzir decisões por meio de tarifas e conflitos de forma quase unilateral.
“A partir do ano que vem, ele não terá mais essa maioria“, afirmou. “Isso torna o mundo um pouco mais previsível. E foi isso que os mercados precificaram”.
Brasil enfrenta falta de previsibilidade fiscal
A comentarista ainda destacou o contraste com o cenário brasileiro.
Mundim apontou que o Brasil vive uma carência de previsibilidade em relação à política fiscal, com a política monetária sendo forçada a ancorar a fiscal. Ela citou o comunicado do Copom, que menciona acompanhar como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária.
“Tem que saber para que lado a política fiscal vai para que a política monetária possa tirar o pé do freio ou pisar ainda mais nesse freio”, disse. “E o freio da economia chama taxa de juros”.
A comentarista ressaltou que o Copom tem reiteradamente apontado que a política fiscal caminha na direção oposta à política monetária. Enquanto o BC promove aperto para controlar a inflação, o governo mantém estímulos ao consumo — que, segundo Mundim, foram ainda ampliados na reta final da campanha eleitoral. “Esse é o grande problema”, afirmou.
Para Mundim, caso o governo decida se pronunciar para acalmar os mercados, o discurso precisa ser concreto. “O que ele tem que falar é como vai cortar gastos para acalmar esse mercado que hoje mostra do que ele gosta”, disse.
Segundo ela, o mercado valoriza a previsibilidade para que empresas e famílias possam fazer seus planejamentos e investimentos. “É necessária a previsibilidade que sumiu do Brasil”, concluiu.



