Acordo Mercosul-UE vai beneficiar setor de embalagens de mandioca

O acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir uma nova janela de oportunidades para o mercado brasileiro de embalagens biodegradáveis à base de mandioca.

A avaliação é da Lorenz, empresa do grupo GTF e maior processadora de mandioca do Brasil, que vê no avanço das negociações comerciais um fator estratégico para ampliar as exportações de soluções sustentáveis produzidas a partir de amidos vegetais.

Segundo o diretor de novos negócios da companhia, Aleksandro Siqueira, o cenário internacional vem favorecendo produtos renováveis e biodegradáveis, especialmente na Europa, onde a pressão por redução do uso de derivados fósseis cresce de forma acelerada.

Nesse contexto, a mandioca brasileira ganha espaço como alternativa competitiva para substituir matérias-primas químicas utilizadas em embalagens, adesivos e polímeros industriais.

“O mercado vem procurando substituir a famosa cola química por cola vegetal. Atualmente, você já tem aplicações em embalagens, saquinhos de supermercado, embalagens de papel e adesivos feitos à base de mandioca. Isso cresce porque existe uma demanda cada vez maior por produtos biodegradáveis e renováveis”, afirmou Siqueira.

A expectativa da empresa é que o acordo entre Mercosul e União Europeia facilite principalmente os processos logísticos e regulatórios, reduzindo burocracias e acelerando o desembaraço de cargas brasileiras nos portos europeus.

Para a Lorenz, esse ponto pode ser tão importante quanto a própria redução tarifária.

“A Europa já é um destino importante para o Brasil e para nós. O maior benefício do acordo será deixar o fluxo mais rápido e competitivo. Hoje o produto fica muitos dias parado em fiscalização e desembaraço. Quando existe acordo entre países, a expectativa é que os processos sejam mais ágeis”, destacou o executivo.

A companhia avalia que o ganho de competitividade pode ampliar as exportações de soluções biodegradáveis desenvolvidas a partir da mandioca, especialmente em um momento em que a Europa enfrenta custos elevados de energia e produção industrial.

Segundo Siqueira, esse cenário tem reduzido a competitividade de produtores europeus e asiáticos, abrindo espaço para fornecedores brasileiros.

“A Europa enfrenta uma crise energética importante e isso encarece a produção local. Além disso, o custo logístico da Ásia para a Europa também aumentou bastante. O Brasil ficou mais competitivo e a mandioca brasileira passou a ganhar destaque”, disse.

O executivo ressaltou ainda que a crise no Oriente Médio e os impactos sobre o petróleo também fortalecem a busca global por materiais alternativos aos derivados petroquímicos.

Para ele, embalagens produzidas com polímeros biodegradáveis à base de mandioca tendem a ganhar escala nos próximos anos.

“Hoje nós já temos polímeros biodegradáveis feitos com mandioca. Já existem sacolas, embalagens e aplicações industriais utilizando amidos vegetais. Com o petróleo mais caro e com as pressões ambientais, isso deve crescer muito”, afirmou.

Segundo a Lorenz, a indústria mundial vem ampliando a procura por insumos vegetais tanto por questões ambientais quanto regulatórias. Em diversos países, setores industriais passaram a ser estimulados a substituir componentes químicos por matérias-primas renováveis, tendência que beneficia diretamente o mercado de derivados de mandioca.

“A indústria vem buscando soluções biodegradáveis porque existe pressão do consumidor, pressão ambiental e também regulamentações. A mandioca é uma fonte renovável e atende exatamente essa demanda”, explicou Siqueira.

Além das embalagens, os derivados da mandioca vêm sendo utilizados em adesivos vegetais para caixas de papelão, sacarias, tubos industriais, embalagens alimentícias e até aplicações ligadas ao setor de óleo e gás.

De acordo com a companhia, a substituição de componentes químicos por soluções vegetais ganhou força após novas exigências ambientais internacionais.

“O mercado de embalagens, papelaria e adesivos vem crescendo bastante. A indústria procura substituir produtos químicos por soluções vegetais porque isso melhora sustentabilidade, reduz impacto ambiental e atende novas legislações”, disse.

Para a Lorenz, o acordo Mercosul-União Europeia pode acelerar esse movimento ao tornar o comércio mais fluido e reduzir custos operacionais para exportadores brasileiros.

A empresa acredita que o Brasil reúne condições para se consolidar como um dos principais fornecedores globais de soluções biodegradáveis à base de mandioca.

“O Brasil pode se tornar um grande supplier global do mercado plant-based e de produtos biodegradáveis. Muitas multinacionais já olham o país de uma forma diferente por conta desse potencial”, afirmou Siqueira.

A companhia também destaca que o avanço internacional das soluções feitas a partir da mandioca fortalece toda a cadeia produtiva nacional, desde agricultores familiares até a indústria de transformação.

Segundo a empresa, o crescimento da demanda por produtos sustentáveis pode impulsionar investimentos, geração de empregos e ampliação da produção brasileira nos próximos anos.

“A gente precisa transformar a mandioca em produto de valor agregado. Quando isso acontece, conseguimos fomentar a produção no campo, gerar emprego na indústria e levar soluções sustentáveis para o mundo”, concluiu o executivo.

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