AGCO registra queda de 76,2% no lucro líquido do 2º trimestre

A AGCO, dona das marcas de máquinas agrícolas Valtra, Fendt e Massey Ferguson, registrou lucro líquido de US$ 74,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 76,2% em relação aos US$ 314,4 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. 

A receita líquida somou US$ 2,6 bilhões entre abril e junho, recuo de 1% na comparação anual.

Em comunicado, o presidente e CEO da empresa, Eric Hansotia, afirmou que os agricultores adotaram uma postura mais cautelosa na compra de máquinas em razão da elevação dos custos de produção e das incertezas em relação à demanda. Segundo ele, a companhia continua ajustando os níveis de produção à demanda do mercado, administrando os estoques da rede de concessionárias e mantendo controle sobre despesas operacionais e capital de giro.

Hansotia afirmou ainda que a empresa revisou suas perspectivas para o restante do ano em razão de condições do mercado mais fracas do que o esperado, das oscilações cambiais e do ambiente macroeconômico.

 “Os agricultores continuam enfrentando pressão de custos operacionais elevados, economia agrícola desigual e incerteza macroeconômica, o que resulta em adiamento dos investimentos em máquinas e pouca visibilidade sobre a recuperação da demanda”, disse em comunicado.

No acumulado do primeiro semestre, a AGCO registrou receita líquida de aproximadamente US$ 5 bilhões, alta de 5,7% sobre igual período de 2025. Desconsiderando o efeito positivo da variação cambial, o avanço foi de 0,5%.

Brasil

No Brasil, as vendas de tratores no varejo caíram 11% nos seis primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, a retração reflete principalmente a menor demanda por tratores de maior porte, parcialmente compensada pelo aumento das vendas de máquinas pequenas e médias.

A empresa avaliou que a rentabilidade dos produtores brasileiros segue pressionada pelos elevados custos de produção, especialmente com fertilizantes importados. Além disso, afirmou que custos de financiamento, condições de crédito e fatores políticos devem continuar limitando a demanda por máquinas agrícolas ao longo de 2026.

As vendas de colheitadeiras no Brasil recuaram 39% no primeiro semestre na comparação anual. O desempenho foi inferior ao observado em outras regiões. Na América do Norte, as vendas de tratores caíram 9% e as de colheitadeiras, 7%, enquanto na Europa Ocidental houve crescimento de 3% nas vendas de tratores e queda de 3% nas de colheitadeiras.

Na América Latina como um todo, a receita líquida da AGCO diminuiu 25% no segundo trimestre, excluindo os efeitos cambiais. A companhia atribuiu o resultado à menor demanda do setor, que reduziu as vendas em todas as categorias de produtos. O lucro operacional da região caiu US$ 48,7 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025, impactado principalmente pelo menor volume de vendas e produção e pelo aumento das despesas com engenharia.

Finanças

Durante o trimestre, a empresa concluiu a recompra de US$ 345 milhões em ações. Também finalizou a venda de sua participação de 49% nas joint ventures AGCO Finance nos Estados Unidos e no Canadá por aproximadamente US$ 190 milhões.

Para 2026, a AGCO passou a projetar receita líquida entre US$ 10,1 bilhões e US$ 10,2 bilhões, margem operacional ajustada de aproximadamente 7,5% e lucro por ação entre US$ 5,50 e US$ 5,75. Segundo a companhia, as estimativas consideram as políticas tarifárias vigentes até 30 de julho e poderão ser revisadas caso ocorram mudanças nesse cenário.

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