Agência de Comunicação – Rastreabilidade no agronegócio responde a exigências crescentes dos mercados compradores

Com o avanço das exigências impostas por compradores internacionais, o produtor rural Matheus Gusatti interpreta a rastreabilidade no agronegócio como condição de acesso a mercado, e não como diferencial comercial. O conceito envolve a capacidade de reconstruir o caminho de um produto desde a área onde foi cultivado até o destino final, com registro de cada etapa intermediária. Em cadeias longas, nas quais grãos de origens distintas se misturam em armazéns e portos, a reconstrução depende de documentação consistente desde a lavoura.

O que precisa ser registrado ao longo da cadeia?

O registro começa na identificação da área produtiva, com coordenadas geográficas e comprovação de regularidade ambiental e fundiária. A ele se somam os dados de manejo, como insumos aplicados, datas de operação, intervalos de segurança respeitados e resultados de análises de solo e de resíduos. Na sequência, entram informações de colheita, formação de lotes, transporte, condições de armazenagem e documentos fiscais que acompanham a carga. Cada elo precisa manter o vínculo com o anterior, porque a quebra em um ponto compromete a cadeia inteira.

A dificuldade prática está na padronização, não na coleta. Como pontua Matheus Gusatti, o problema raramente é a ausência de informação, e sim a convivência de formatos incompatíveis entre produtor, cooperativa, transportadora e indústria, o que obriga retrabalho a cada auditoria. Sistemas que não se comunicam transformam a verificação em processo manual, sujeito a erro de digitação e à perda de prazo. A adoção de identificadores únicos por lote tem sido o caminho mais comum para reduzir o ruído.

Rastreabilidade no agronegócio e as barreiras de exportação

Blocos compradores passaram a condicionar a entrada de commodities à comprovação de origem e à ausência de desmatamento nas áreas de produção. A exigência atinge cadeias inteiras, porque a responsabilidade pela verificação recai sobre o importador, que a transfere contratualmente aos fornecedores. Para a propriedade brasileira, o efeito é direto, já que a falta de documentação adequada pode excluir a carga de determinados destinos, mesmo quando a produção atende a todos os requisitos técnicos. O obstáculo deixa de ser agronômico e passa a ser documental.

Certificações voluntárias ampliaram o movimento ao incorporar critérios sociais e ambientais às auditorias de origem. A etapa de verificação em campo, que Matheus Gusatti delimita como a mais exigente para quem inicia o processo, costuma revelar lacunas em registros antigos, contratos informais de arrendamento e sobreposições de matrícula. Regularizar tais pontos leva tempo e precisa começar antes da negociação comercial, porque auditorias marcadas sobre documentação incompleta tendem a resultar em novas visitas.

Papel e planilha ainda sustentam parte dos registros

A digitalização do campo avançou de forma desigual. Em muitas propriedades, cadernos de anotação e planilhas eletrônicas isoladas continuam a sustentar o histórico de aplicação de defensivos e de movimentação de lotes, sem backup e sem padronização de preenchimento. O modelo funciona enquanto o volume é pequeno e a mesma pessoa cuida de tudo, mas se mostra frágil diante de auditorias que pedem comprovação cruzada entre documentos de origens diferentes. A informação existe, porém não é recuperável no tempo exigido.

No entendimento do produtor rural Matheus Gusatti, a transição para sistemas digitais encontra menos resistência quando começa pelos registros já obrigatórios por lei, antes de avançar para controles adicionais. Receituário agronômico, notas fiscais e laudos de análise formam uma base que a propriedade precisa manter de qualquer modo, e organizá-la em formato digital reduz o esforço posterior. A ampliação para dados de manejo e de produtividade tende a ocorrer com menos atrito depois dessa primeira etapa.

Rastreabilidade como ferramenta interna de gestão

Fora da pauta de exportação, a rastreabilidade no agronegócio tem utilidade imediata dentro da porteira. Lotes identificados permitem relacionar resultado de colheita com manejo aplicado, comparar desempenho entre áreas e isolar a origem de um problema de qualidade sem suspender a comercialização de toda a safra. O custo por lote, calculado a partir desses registros, mostra onde a margem se concentra e onde o investimento não retorna. A informação deixa de servir apenas ao comprador e passa a orientar a operação.

O histórico organizado também pesa em negociações de crédito e de seguro agrícola. A análise conduzida por Matheus Gusatti projeta que propriedades capazes de comprovar manejo e produtividade por área encontram condições mais favoráveis, porque reduzem a incerteza de quem avalia o risco. O mesmo acervo ampara discussões sobre indenização e renegociação de contratos, já que substitui estimativas por documentação verificável e converte o registro consistente em argumento técnico durante a negociação.

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