Agroindústria recua 2,9% em julho e mantém ritmo de desaceleração

A agroindústria brasileira registrou queda de 2,9% na produção em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV Agro. A retração ocorreu tanto em Produtos Alimentícios e Bebidas, com recuo de 1,6%, quanto em Produtos Não Alimentícios, que caíram 4,5%.

O resultado acompanha a desaceleração observada na economia brasileira, segundo a instituição de pesquisa. 

No segundo trimestre, a Indústria de Transformação registrou queda de 0,9%, segundo dados do IBGE divulgados em setembro. Para a FGV Agro, o desempenho da agroindústria reflete fatores como o ambiente de juros elevados e a perda de força do consumo das famílias.

Entre os Produtos Alimentícios e Bebidas, a queda foi determinada principalmente pelos Produtos Alimentícios, cuja produção recuou 2,6%. Já o segmento de Bebidas teve alta de 5%.

A produção de bebidas alcoólicas cresceu 6,8% em julho, enquanto a de bebidas não alcoólicas avançou 3,3%.

Apesar da queda em relação a julho de 2025, a produção agroindustrial apresentou uma alta de 0,4% entre junho e julho de 2026, já considerando os ajustes sazonais.

O avanço foi registrado nos dois grandes segmentos: Produtos Alimentícios e Bebidas cresceram 0,5%, enquanto Produtos Não Alimentícios aumentaram 0,4%.

A alta, porém, não foi generalizada. Houve queda nos Alimentos de Origem Animal, de 1,1%, nos Insumos Agropecuários, de 5,1%, e nos Produtos Florestais, de 0,5%.

Para a FGV Agro, o crescimento na margem pode indicar uma mudança no ritmo de produção, mas ainda não permite concluir que o setor esteja entrando em uma trajetória de recuperação. “Somente as próximas divulgações poderão esclarecer”, afirma o relatório.

Carnes e alimentos

Entre os alimentos de origem vegetal, a produção caiu 3,8%. O resultado foi influenciado principalmente pela menor fabricação de produtos da moagem de trigo e de açúcar refinado. A expansão de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café ajudou a limitar a retração.

Nos alimentos de origem animal, a queda foi de 1,7%, puxada principalmente pela menor produção de carne bovina e pescados. Em sentido contrário, houve aumento na produção de carne suína, aves e laticínios.

Segundo a FGV Agro, a produção de carne bovina já pode estar refletindo os efeitos do esgotamento da cota chinesa para a carne brasileira. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pela instituição mostram que os embarques de carne bovina para a China caíram 47,8% em julho, na comparação anual.

Insumos agropecuários têm forte queda

No segmento de Produtos Não Alimentícios, a produção recuou 4,5% em julho. O resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento dos setores de Biocombustíveis e Fumo.

A produção de biocombustíveis aumentou 6,1%, em meio à maior moagem e à melhora na qualidade da cana-de-açúcar. Já o setor de Fumo cresceu 23,6%, na terceira alta consecutiva na comparação anual e no melhor resultado para um mês de julho desde 2018.

O destaque negativo ficou com os Insumos Agropecuários, com uma queda na produção de 20,8%. O setor registra retração na comparação anual desde novembro de 2025 e teve, em julho, o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2023.

A queda foi determinada pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos, além de tratores e máquinas agrícolas.

Também houve retração nos Produtos Têxteis, de 6,7%, e nos Produtos Florestais, de 0,1%.

Agroindústria acumula queda no ano

No acumulado de janeiro a julho, a produção agroindustrial caiu 0,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas teve alta de 0,6%, insuficiente para compensar a retração de 2,5% nos Produtos Não Alimentícios.

Entre os alimentos, a produção acumula alta de 0,4% no ano, enquanto Bebidas avançam 1,9%.

Nos Produtos Não Alimentícios, apenas Biocombustíveis e Fumo acumulam crescimento, de 15,3% e 5,3%, respectivamente. Insumos Agropecuários, Produtos Têxteis e Produtos Florestais registram queda no acumulado do ano.

De acordo com a FGV Agro, a trajetória mostra perda gradual de dinamismo. A agroindústria acumulava crescimento de 0,7% até abril, mas passou a registrar variações negativas nos meses seguintes, aprofundando a retração até julho.

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