Cera de carnaúba é um produto comercializado no exterior com uma grande surpresa. Crédito: José Sobrinho/FIEC
O agronegócio cearense movimentou US$ 393,8 milhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, consolidando a presença de produtos regionais em importantes mercados internacionais. Apesar da retração de 12,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segmentos como fruticultura e bebidas apresentaram crescimento expressivo, evidenciando diferentes desempenhos dentro da pauta exportadora do Estado.
Os dados integram levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), e mostram que a cera de carnaúba, os melões frescos e a castanha de caju sem casca continuam ocupando posições de destaque nas vendas externas. Lagostas congeladas, água de coco e melancias também figuram entre os produtos de maior relevância comercial no Brasil.
Carnaúba mantém liderança e frutas ganham espaço
Tradicional símbolo da economia cearense, a cera de carnaúba permaneceu na liderança das exportações do agronegócio estadual, com US$ 70,1 milhões comercializados nos nove primeiros meses do ano. O resultado, entretanto, representa uma redução de 11,6% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.
Na segunda posição, os melões frescos registraram desempenho positivo, alcançando US$ 58 milhões em vendas internacionais, crescimento de 16,5%. O avanço reforça a importância da fruticultura na pauta portadora cearense e sua capacidade de alcançar consumidores em diferentes mercados. A castanha de caju sem casca, produto de forte identidade regional, movimentou US$ 30,5 milhões, embora tenha apresentado retração de 41,4% na comparação anual.
Entre os segmentos em expansão, as lagostas inteiras congeladas somaram US$ 22,5 milhões, com crescimento de 3,7%. A água de coco, na classificação NCM 2009.89.21, alcançou US$ 19,6 milhões, registrando alta de 24%.
As melancias frescas apresentaram um dos avanços percentuais mais expressivos entre os produtos destacados pelo levantamento: 35,3% de crescimento, com exportações de US$ 17,9 milhões. O desempenho contribuiu para ampliar a participação das frutas entre os produtos cearenses comercializados no exterior.
EUA lideram destinos internacionais
No mapa das exportações, os Estados Unidos preservaram a posição de principal parceiro comercial do agronegócio cearense. O mercado norte-americano absorveu US$ 88,2 milhões em produtos, equivalentes a 22,4% de todo o valor exportado pelo setor no período.
Os Países Baixos aparecem na segunda colocação, com US$ 54 milhões; seguidos pela China, com US$ 36,9 milhões, e pelo Reino Unido, responsável por US$ 29,9 milhões em compras. A distribuição evidencia a presença dos produtos cearenses em mercados relevantes da América do Norte, Europa e Ásia, reforçando a dimensão internacional de cadeias produtivas tradicionais da economia estadual.
Balança comercial tem saldo positivo
Mesmo diante da redução no volume financeiro das exportações, o agronegócio cearense encerrou os nove primeiros meses de 2026 com resultado positivo em sua balança comercial. As importações totalizaram US$ 312,5 milhões, queda de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Com isso, o setor registrou superávit de US$ 81,3 milhões, embora o saldo tenha apresentado retração de 31,4% na comparação anual. Os indicadores revelam um cenário de contrastes: enquanto produtos tradicionais enfrentam redução nas receitas externas, segmentos como melões, melancias e água de coco ampliam suas vendas internacionais.



