
Entre terapias, abraços e histórias de superação, a Associação Juliano Varela, em Campo Grande, é mais do que um espaço de atendimento, e sim um lugar onde vidas são transformadas diariamente. Foi nesse ambiente, marcado pelo acolhimento e pela construção coletiva da inclusão, que o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, voltou a caminhar, desta vez reafirmando um vínculo que ultrapassa o papel institucional. Padrinho da entidade há muitos anos, ele acompanhou de perto o crescimento da Associação e destacou, durante a visita, a dimensão humana do trabalho realizado no local.
A entidade, que nasceu da iniciativa de uma mãe diante das barreiras enfrentadas pelo filho com síndrome de Down, hoje atende mais de 1.400 pessoas com deficiência intelectual, autismo e outras condições, oferecendo uma estrutura que integra saúde, educação e assistência social. O atendimento vai desde a estimulação precoce até a vida adulta, com acompanhamento contínuo também às famílias. Entre os avanços recentes, está a implantação de uma sala multidisciplinar tecnológica, que permite a construção de planos terapêuticos individualizados, utilizando estímulos sensoriais e recursos interativos para potencializar o desenvolvimento de cada atendido.
Durante a visita, Barbosinha destacou a emoção de retornar à instituição e acompanhar sua evolução ao longo dos anos. “É uma imensa alegria estar aqui na Associação Juliano Varela, ao lado desses grandes amigos que tem uma história de vida dedicada à causa da síndrome de Down e hoje acolhem tantas outras pessoas. É emocionante acompanhar esse crescimento, tijolo a tijolo, e ver uma instituição que hoje atende tantas famílias, com milhares de procedimentos realizados, acolhendo não só as crianças, mas também as famílias e, especialmente, as mães. A Juliano Varela é uma história linda de inclusão, que acompanha do nascer ao envelhecer, nascida do amor de uma mãe pelo filho, o Juliano, e que hoje transforma a vida de tantas outras pessoas”, enfatizou.
O vice-governador também reforçou a importância da parceria entre o poder público e instituições como a Associação. “O Estado precisa caminhar junto e apoiar, porque essas instituições chegam onde muitas vezes o poder público não consegue alcançar, e fazem isso com muita qualidade. O trabalho desenvolvido aqui é excepcional”, completou, ao destacar que o compromisso com a inclusão também passa pela sensibilidade de quem ocupa cargos públicos.
Para a presidente da Associação, Maria Lúcia Fernandes, a trajetória da instituição é resultado da união de esforços e do compromisso coletivo com a inclusão. “Aqui, todas as mãos constroem a inclusão. Quando recebemos o Barbosinha pela primeira vez, atendíamos cerca de 80 crianças. Já era um trabalho que considerávamos muito importante e ele também reconheceu isso. Mas, ao longo dos anos, chegamos a mais de 1.400 atendidos, e esse crescimento tem a presença forte do governo, de homens públicos sensíveis à causa da pessoa com deficiência. Isso muda a história de uma população que tanto precisa do apoio do poder público”, afirmou.
Ela também ressaltou o reconhecimento ao Governo do Estado e à construção de políticas públicas inclusivas. “Fico feliz em recebê-lo aqui novamente. Leve o nosso abraço ao governador Eduardo Riedel e diga que somos felizes por fazer parte de um governo inclusivo. Quando se juntam mãos que constroem, as coisas acontecem”, completou.
Além da estrutura física e dos atendimentos especializados, a Associação tem como um de seus pilares o cuidado com as famílias, especialmente com a saúde mental das mães. Segundo Maria Lúcia, o desenvolvimento das pessoas atendidas está diretamente ligado ao ambiente familiar. “Nós temos uma grande preocupação com a saúde mental das famílias, porque entendemos que elas são a base do desenvolvimento dessa criança. Não adianta oferecer um ambiente extremamente qualificado durante algumas horas se, ao voltar para casa, ela não encontra continuidade nesses estímulos. Por isso, trabalhamos paralelamente o desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual e o fortalecimento emocional da família”, explicou.
Nesse contexto, atividades como dança, artesanato e acompanhamento psicológico têm promovido mudanças significativas na vida das mães. “Uma mãe feliz, que se sente realizada e com autoestima, oferece um ambiente mais seguro e propício para o desenvolvimento do filho. Esse trabalho conjunto é fundamental para que o resultado final seja a inclusão social de verdade, um projeto completo, que transforma não só a vida do atendido, mas de toda a família”, afirmou.
Essa transformação é vivida na prática por famílias como a de Kátia Santini, mãe dos gêmeos Breno e Victor, de 17 anos, que frequentam a Associação desde os primeiros meses de vida. Ao longo de quase duas décadas, a Juliano Varela se tornou parte essencial da rotina e da história da família. “Eles estão aqui desde os três meses de vida. Para nós, a Juliano Varela é muito boa, não só para mim e para os meninos, mas para toda a família, inclusive para o irmão mais velho. Todo o período de estimulação precoce e agora na escola tem sido muito importante. Além da educação, temos vários atendimentos que ajudam muito no desenvolvimento deles”, relata.
Kátia também destaca que o acolhimento oferecido pela instituição vai além dos filhos e alcança diretamente as mães. “A nossa rotina é muito puxada, com escola, terapias, médicos e as tarefas de casa. Então, quando a gente passa a ter atividades voltadas para nós, isso melhora muito a autoestima, faz a gente se sentir valorizada. É como se abrisse um novo mundo”, afirma. Segundo ela, iniciativas como aulas de psicomotricidade, dança e artesanato têm transformado o dia a dia. “A gente percebe a diferença na comunicação, no olhar, no sorriso. Essas atividades fazem muito bem para mim e para as outras mães também. E isso reflete diretamente na qualidade de vida deles e da família inteira”, completa.
Entre tecnologia, cuidado e afeto, a Associação Juliano Varela segue consolidando um modelo de inclusão que começa no indivíduo, passa pela família e alcança toda a sociedade em um trabalho que, como destacou o vice-governador, precisa ser reconhecido, apoiado e fortalecido continuamente.





Fotos: Geder Ostemberg (Comunicação Juliano Varela)



