Brasil assina protocolo com China para exportar cálculo biliar bovino

O Brasil e a China assinaram nesta quinta-feira (23) um protocolo sanitário que estabelece os requisitos para a exportação brasileira de cálculo biliar bovino ao mercado chinês. O acordo define as regras de inspeção, certificação e controle das remessas do produto, utilizado pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa.

O acordo estabelece os requisitos de quarentena e sanidade para o envio do produto, além de definir as responsabilidades das autoridades dos dois países na inspeção, certificação sanitária e fiscalização das cargas exportadas.

O cálculo biliar bovino, conhecido na China como niúhuáng, é um insumo natural encontrado na vesícula ou nos ductos biliares de cerca de 1% a 2% dos bovinos. Considerado um dos produtos mais valorizados da Medicina Tradicional Chinesa, o material é utilizado há mais de dois mil anos na fabricação de medicamentos destinados principalmente ao tratamento de emergências médicas, doenças neurológicas e processos inflamatórios.

Segundo a Farmacopeia Chinesa, o cálculo biliar bovino integra aproximadamente 650 fórmulas medicinais reconhecidas oficialmente. A procura pelo produto permanece elevada devido à dificuldade de substituição do insumo natural por alternativas sintéticas.

O Brasil é considerado o maior produtor mundial de cálculo biliar bovino e responde por cerca de 40% da oferta global. A posição é favorecida pelo tamanho do rebanho comercial brasileiro, o maior do mundo, e pelo grande volume de abates realizados sob inspeção oficial.

Com o novo protocolo, frigoríficos e estabelecimentos brasileiros habilitados poderão acessar um mercado de alto valor agregado, desde que cumpram as exigências sanitárias estabelecidas no acordo bilateral.

Para a China, a abertura representa uma alternativa para ampliar o fornecimento de um insumo estratégico para a indústria farmacêutica tradicional. A produção doméstica chinesa é limitada e não atende totalmente à demanda interna.

De acordo com estudo AgroInsight, elaborado pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, a China produz atualmente entre 600 e 700 quilos por ano de cálculo biliar bovino natural, com potencial máximo estimado em cerca de 900 quilos anuais. A demanda interna, porém, varia entre 5 e 6 toneladas por ano, gerando um déficit estrutural de oferta.

A escassez do produto também se reflete nos preços internacionais. Em julho de 2024, o cálculo biliar bovino chegou a ser negociado por aproximadamente US$ 241,6 mil por quilograma. Após a entrada da Argentina no mercado chinês, os valores recuaram e passaram a variar entre US$ 73 mil e US$ 76 mil por quilograma em abril de 2026.

Antes do Brasil, apenas Argentina e Uruguai haviam obtido autorização para exportar o produto à China dentro do regime piloto criado pelo governo chinês. A Argentina foi habilitada em abril de 2025, enquanto o Uruguai recebeu autorização em março de 2026.

A assinatura do protocolo amplia a pauta de produtos agropecuários brasileiros destinados ao mercado chinês e cria uma nova oportunidade de receita para a cadeia da pecuária nacional, especialmente para estabelecimentos que já possuem estrutura de coleta, processamento e certificação do subproduto bovino.

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