O Brasil foi citado numa categoria média no relatório do Escritório de Política Comercial e de Manufatura da Casa Branca, divulgado na quinta-feira (14) pela administração de Donald Trump e que cita o que chamou de “rede paralela de transbordo” da China, Essa rede seria um esquema usado por parceiros comerciais para contornar as tarifas sobre importações para os Estados Unidos.
Segundo o estudo, que acusa 40 países de integrarem essa rede “sombra”, os parceiros comerciais da China envolvidos fazem parte de um sistema distribuído de centros de acabamento, plataformas logísticas, corredores de processamento, operadores de zonas francas e centros de reexportação que permitem que produtos chineses entrem no mercado dos EUA sob novas identidades nacionais.
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Essas dezenas de países foram agrupada em três níveis. No primeiro, chamado de “Líderes de Escala Diversificados”, países e blocos comerciais que representam grandes volumes absolutos de produtos ligados à China, mantêm simultaneamente bases industriais diversificadas e importantes plataformas de exportação com destino aos EUA. Nessa categoria – que inclui Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan – o risco de transbordo ilegal está inserido em amplos fluxos comerciais legítimos, alerta o relatório.
O Brasil foi incluí no nível 2, dos chamados “Líderes de Escala com Integração Econômica Significativa com a China”. O estudo diz que os países dessa categoria combinam volumes significativos de transbordo ilegal com uma integração mais profunda nas cadeias de abastecimento ligadas à China, fornecimento de insumos, plataformas de produção, sistemas logísticos ou canais de reencaminhamento regional.
Além do Brasil, o nível 2 inclui, Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã, países que o Escritório de Política Comercial e de Manufatura da Casa Branca cita como detentores de escala industrial, capacidade portuária, infraestrutura de fornecedores, profundidade de fabricação ou capacidade logística suficientes para movimentar volumes significativos de produtos ligados à China para fluxos comerciais com destino aos EUA.
O relatório afirma que Vietnã, a Tailândia, a Malásia e a Indonésia estão estreitamente integrados nas redes de fabricação adjacentes à China e tornaram-se importantes plataformas para eletrônicos, maquinário, plásticos, calçados, vestuário, componentes e outros produtos industriais que incorporam insumos de origem chinesa.
Já o Brasil e a Turquia têm servido como plataformas regionais de produção e logística de maior dimensão, capazes de apoiar alegações de reencaminhamento ou transformação em categorias de produtos selecionadas.
Alvos oportunistas
O nível 3 é classificado como “Pequenos Alvos Oportunistas Chineses”, que inclui economias menores e com volumes absolutos de transbordo ilegal mais baixos, mas com vantagens específicas de elo fraco — incluindo mão de obra de baixo custo, zonas francas, acesso portuário ou fronteiriço, armazenagem alfandegada, capacidade de montagem de nicho, acesso preferencial aos EUA ou capacidade limitada de aplicação aduaneira. Para a Casa Branca, isso torna esses países em “alvos oportunistas atrativos para o reencaminhamento ligado à China”.
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Esse nível é o maior nível em número de países, incluindo Camboja, Laos, Mianmar, Panamá, Costa Rica, Azerbaijão, Geórgia e Jordânia, nações que oferecem desde mão de obra de baixo custo e zonas de processamento de exportação, até acesso logístico diferenciado. Argentina, Chile, Colômbia e Peru foram incluídos nessa categoria.
Sobre as perdas tarifária que os EUA tiveram com esse transbordo considerado ilegal, o relatório traz várias estimativas. A Exiger, empresa especializada em cadeias de suprimento e inteligência artificial, apresentou uma estimativa intermediária de US$ 75 bilhões em mercadorias transbordadas ilegalmente entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Mas a conta máxima estimada pela Altana chega a US$ 303 bilhões em exposição anual potencial.



