Colômbia realiza eleição presidencial em meio ao crescimento de grupos armados


Pesquisa mostra o esquerdista Ivan Cepeda, o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella e a conservadora Paloma Valencia na liderança

STRINGER/AFPIntegrantes do ELN em Catatumbo, na Colômbia, em março de 2025
Segundo relatório, grupos armados encerraram 2025 com mais de 27 mil integrantes

Cerca de 40 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo (31) para eleger o próximo presidente do país. O sucessor do atual chefe de Estado, Gustavo Petro, herdará o desafio de combater a violência armada enraizada na Colômbia há mais de 60 anos.

Desde segunda-feira (25), os mais de 1,4 milhão de eleitores colombianos no exterior votam no primeiro turno do pleito presidencial. Caso nenhum dos 14 candidatos em disputa obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno em 21 de junho.

Segundo pesquisa eleitoral, o resultado do pleito pode culminar na continuidade da agenda de esquerda do governo atual ou em uma reaproximação da Colômbia com os Estados Unidos. Aliado de Petro, o senador Ivan Cepeda (Pacto Histórico) lidera as intenções de voto no primeiro turno e prometeu dar continuidade ao legado social de seu padrinho político. Caso avance à segunda etapa da eleição, o seu provável adversário virá do campo da direita.

O levantamento da AtlasIntel, divulgado em 23 de maio, mostrou o advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella (Defensores de La Patria) com 36,3% das intenções de voto, no primeiro turno, contra 37,7% de Cepeda. Admirador dos presidentes argentino e norte-americano, Javier Milei e Donald Trump, o jurista defendeu, em sua campanha, a livre iniciativa e a família tradicional. Sobre o tema da segurança, prometeu seguir uma abordagem “linha-dura”.

Atrás de Espriella, conforme a AtlasIntel, aparece a senadora conservadora Paloma Valencia (Centro Democrático) com 13,9%. Ligada ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, a parlamentar se opõe à estratégia de “Paz Total”, de Petro, na qual buscou-se negociar a desmobilização dos grupos armados no enfrentamento da violência no país. Ela prometeu desenvolver um “Plano Colômbia 2.0” para combater o narcotráfico em parceria com os Estados Unidos.

Crescimento dos grupos armados

Um relatório da Fundação Ideias para a Paz (FIP), divulgado em janeiro, informou que a Colômbia iniciou este ano eleitoral em um contexto maior de insegurança do que em eleições passadas. De acordo com o estudo, o cenário de instabilidade se dá em razão do crescimento dos grupos armados, das disputas entre as organizações e da dificuldade do Estado em retomar o controle de territórios ocupados.

Conforme apresentado no relatório, os grupos armados colombianos encerraram 2025 com mais de 27 mil integrantes, o que representa um aumento de 23,5% ante ao ano anterior. Já as disputas atingiram o nível mais alto dos últimos 10 anos, com 115 confrontos — uma alta de 34% em comparação a 2024.

No estudo, a FIP explicou que o aumento dos confrontos está relacionado ao fim de acordos que viabilizavam a coexistência entre os grupos armados. A fundação citou o caso da área andina de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela.

Em fevereiro de 2025, eclodiu um conflito armado pelo controle da região andina propícia ao plantio da folha de coca, usada na produção de cocaína. A disputa travada entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a 33ª Frente, dissidente das antigas Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), deixou aproximadamente 117 mortos, segundo a Defensoria Pública do país. Mais de 64 mil pessoas deixaram Catatumbo à força até 28 de abril de 2025. Essa foi considerada a crise humanitária mais grave da Colômbia desde a década de 1990.





Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.