Comunicado do Copom deve guiar mercado com pistas sobre mais um corte em setembro


A decisão sobre os juros desta quarta-feira (2) deve levar a taxa Selic para 14% ao ano, de acordo com as projeções da maior parte do mercado (95%) que buscará, agora, alguma pista no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) para estimar se pode haver mais um corte em setembro ou se a pausa deve se impor a partir desta reunião.

“A decisão, em si, parece amplamente definida. O foco principal recairá sobre a comunicação”, avalia o banco Santander, em seu relatório macroeconômico.

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Espaço para mais cortes?

Segundo os economistas essa comunicação do Copom será determinante para direcionar as apostas para os próximos meses. 

“Mesmo com a taxa estável, o comunicado pode alterar significativamente a percepção de risco. O mercado quer entender se o Banco Central considera o atual patamar de juros suficiente ou se ainda vê necessidade de manter uma postura restritiva por mais tempo”, diz Paulo Cunha, sócio do Grupo Fatorial.

Para a XP, a estratégia do Copom será a de deixar a porta aberta para a decisão de mais um corte ou pausa, a depender dos dados econômicos.

Por isso, a gestora avalia que o comunicado deve vir neutro, sem uma sinalização clara sobre os próximos passos, deixando o Copom livre para definir a ação de acordo com os dados econômicos que têm, de um lado, a volatilidade dos preços do petróleo, as expectativas de inflação acima da meta e a taxa de desemprego nas mínimas históricas.

Por outro lado, os dados recentes do IPCA e da atividade vieram abaixo das expectativas, indicando que a política restritiva está tendo seu efeito. “As eleições se aproximam, o que pode elevar o prêmio de risco dos ativos financeiros, particularmente a taxa de câmbio”, avalia a XP.

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Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos, destaca que a perspectiva é de que a autoridade monetária siga uma linha de comunicação semelhante à do Federal Reserve (Fed), que optou pela manutenção da taxa de juros norte-americana com um tom mais duro em relação à trajetória da inflação e ao balanço de riscos. 

No cenário doméstico, Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, ressalta que a divulgação do IPCA de junho surpreendeu para baixo, subindo apenas 0,16%, mas o IPCA-15 de julho reacelerou a 0,33%, puxado principalmente pelo reajuste da energia elétrica residencial e por transportes, elevando o indicador acumulado em doze meses a 5,30%.

Simioni também aponta que a taxa de desocupação ficou estável em 5,6% no trimestre encerrado em maio, indicando um mercado de trabalho que, embora mostrando o primeiro sinal de acomodação na renda, ainda é insuficiente para aliviar as pressões inflacionárias de forma relevante. 

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Conforme o relatório da XP Investimentos, o fluxo de dados desde a última reunião do Copom foi majoritariamente favorável, com preços de petróleo um pouco mais baixos e leituras de inflação mais benignas nas economias avançadas, o que deve manter a projeção para o IPCA no primeiro trimestre de 2028 estável em 3,2%. 

Para o Santander, o comunicado do Copom deve evitar que os mercados extrapolem a expectativa de um ciclo prolongado de flexibilização monetária. “Se a própria estrutura de análise do BCB continuar validando a convergência, o ciclo de flexibilização poderá se estender por mais tempo”, avalia o relatório, assinado por Marco Antonio Caruso. 

O BTG avalia que os dados correntes benignos sustentam dois cortes adicionais, apesar do balanço de riscos para 2027. De acordo com a instituição, a pausa só aconteceria se houver uma “deterioração relevante” antes de setembro.

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Outras instituições também ajustaram suas visões para os próximos passos. O Bank of America (BofA) revisou sua projeção para a taxa básica de juros e agora espera que o Copom reduza a taxa Selic para 14% nesta semana e para 13,75% em setembro, antes de uma pausa prolongada. De acordo com o BofA, os dados de atividade tornaram-se mais consistentes com uma perda gradual de dinamismo, corroborando a visão de que a demanda doméstica não está mais acelerando, o que ajuda a criar espaço para mais flexibilização. 

Sob uma ótica mais incisiva sobre os juros, Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, enfatiza que “o grau de restrição monetária atual é excessivo: com a Selic em 14,25%, o juro real gira em torno de 9%, bem acima do juro neutro, que estimamos em cerca de 5%”. 

Projeções para a taxa Selic

A projeção do Santander é de que a taxa Selic chegue em 13,75% ao final de 2026 e em 12,75% ao final de 2027. A do BTG é parecida, de 13,75% em 2026, mas de 12,50% ao fim de 2027.

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No âmbito das expectativas gerais do mercado, o Boletim Focus trouxe recentemente uma revisão em baixa que chamou a atenção, projetando a taxa terminal para 13,75% ao ano em 2026, após semanas consecutivas ancorando a projeção em 14%. 

Em contrapartida, o C6 Bank adota uma postura mais conservadora em suas projeções de longo prazo. Segundo nota do economista-chefe Felipe Salles, a instituição projeta a Selic estacionada em 14% ao final de 2026 e em 12% ao fim de 2027. O banco justifica que as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem a manutenção de uma política monetária contracionista, somados à ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e ao ambiente externo incerto, que reforçam a necessidade de prudência adicional. 



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