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Lideranças da proteína animal defendem união para ampliar mercados globais

Representantes dos setores de aves, suínos, bovinos, leite e pescados defenderam maior integração entre as cadeias produtivas como estratégia para ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional de proteínas animais durante o SIAVS, realizado em São Paulo.

No painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, lideranças destacaram que o Brasil reúne vantagens competitivas como disponibilidade de recursos naturais, tecnologia, capacidade produtiva e reconhecimento sanitário, mas precisa avançar na comunicação desses diferenciais para conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, afirmou que o país precisa reforçar internacionalmente a imagem da produção brasileira, principalmente em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, o Brasil possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas dentro de propriedades privadas por meio da reserva legal, além de áreas de pastagens que podem ser utilizadas para ampliar a produtividade sem necessidade de abertura de novas áreas.

“Temos clima favorável, produtores capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando uma proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, afirmou.

Cadeia organizada amplia presença internacional

O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que a organização da cadeia produtiva brasileira é um dos fatores que diferenciam o país no cenário internacional.

Para ele, em um ambiente global marcado por incertezas e disputas comerciais, a união entre entidades, produtores e governo ajudou o Brasil a conquistar confiança dos compradores internacionais.

“O Brasil consegue atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e, ao mesmo tempo, alcançar recordes de exportação. Isso é resultado de organização, tecnologia e confiança construída por toda a cadeia”, disse.

Pescados buscam novos mercados

O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, destacou que o setor de pescados tem espaço para crescer no mercado nacional e internacional.

Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 400 milhões em pescados, mas, segundo Lobo, o potencial é significativamente maior. Entre as oportunidades estão novas parcerias comerciais, especialmente com o mercado europeu.

“O setor está em expansão e temos confiança de que podemos avançar. O otimismo e a resiliência são grandes”, afirmou.

Leite busca maior competitividade

A cadeia leiteira também defendeu maior integração com outros segmentos da proteína animal. O presidente do Sindilat, Guilherme Portela, afirmou que o Brasil ainda precisa superar desafios para ampliar sua participação no comércio internacional.

Apesar dos avanços em produtividade e acesso a mercados externos, o setor ainda importa mais produtos lácteos do que exporta.

Entre as estratégias para mudar esse cenário estão o fortalecimento da competitividade, abertura de novos mercados, valorização do produtor e maior aproximação entre os diferentes elos da cadeia.

“Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia”, afirmou.

Pecuária mantém peso econômico

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, destacou a relevância econômica da pecuária brasileira. Segundo ele, no último ano, o setor movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e aproximadamente US$ 80 bilhões em vendas totais.

Perosa afirmou que a cadeia enfrenta desafios relacionados ao cenário geopolítico e às barreiras comerciais, mas mantém capacidade de abastecer o mercado doméstico e atender a demanda internacional.

“As exportações não competem com o abastecimento doméstico. Elas são um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Segundo o executivo, a parceria entre Abiec e ApexBrasil ao longo de mais de duas décadas foi fundamental para a abertura de mercados em diferentes regiões do mundo.

Empresas discutem futuro da proteína animal

As transformações no consumo, as mudanças geopolíticas e as novas exigências do comércio internacional também estiveram no centro do painel “Futuro das Proteínas”.

O debate reuniu os CEOs João Campos, da Seara, Miguel Gularte, da MBRF, e o diretor-presidente da Aurora Coop, Neivor Canton.

Os executivos destacaram que a manutenção da liderança brasileira no mercado global dependerá de investimentos em eficiência, inovação, segurança sanitária e adaptação ao novo perfil do consumidor.

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Malásia e Cuba abrem mercado para produtos agrícolas do Brasil

As autoridades sanitárias da Malásia e de Cuba comunicaram ao Brasil a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros nesta quarta-feira (05), ampliando as oportunidades para exportadores nacionais.

Na Malásia, foi firmado protocolo sanitário que autoriza a exportação de miúdos bovinos brasileiros. O país asiático depende de importações para atender boa parte da demanda interna de proteína animal.

Atualmente, cerca de 84% a 89% da carne bovina e de búfalo consumida pelos malaios vem do exterior. O déficit doméstico gera uma necessidade anual de importação superior a 160 mil a 170 mil toneladas, enquanto o consumo total supera 190 mil toneladas por ano.

Além dos miúdos bovinos, o Brasil já vinha avançando nas negociações sanitárias com o país. No ano passado, durante a visita do ministério da agricultura em Sarawak, o maior estado da Malásia, foi acordado o modelo de CSI (Certificado Sanitário Internacional) para a exportação de carne de aves e carne bovina brasileiras.

Em 2024, o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de carnes para a Malásia, com receita próxima de US$ 67 milhões. O estado de Sarawak, localizado em uma ilha separada da Malásia continental e com cerca de 30 milhões de habitantes, possui requisitos específicos para a entrada de alimentos.

Já em Cuba, as autoridades aprovaram a abertura do mercado para a exportação de limão-taiti brasileiro. A autorização amplia o acesso de produtos agrícolas nacionais ao país caribenho e reforça a estratégia do Brasil de diversificar destinos para o agronegócio.

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BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14% ao ano, e deixa próximos passos em aberto







O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) cortar a Selic, taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14% ao ano, em sua quinta reunião de 2026. Foi a quarta queda seguida da taxa.

No comunicado, a autoridade monetária deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta. “Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.

O Copom iniciou um ciclo de afrouxamento monetário moderado em março, após manter a Selic em 15% durante o segundo semestre de 2025. A decisão foi em linha com o esperado, uma vez que a aposta majoritária do mercado era de que o Comitê reduzisse a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a nova redução, os juros básicos vão agora ao patamar mais baixo desde março do ano passado, apesar de seguir em nível historicamente elevado.

A perspectiva de queda da Selic se consolidou nas últimas semanas, mesmo em meio às idas e vindas do conflito no Oriente Médio.

Os resultados mais amenos da inflação, que ajudam a acomodar expectativas inflacionárias, estiveram entre os principais fatores a contribuir para a expectativa de continuidade do processo de calibração da Selic.

“O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação”, disse a autoridade monetária no comunicado.

Nesta quarta-feira, o BC melhorou ligeiramente sua própria projeção de inflação para 2026 em relação a junho, de 5,2% para 5,1%, bem acima do teto da meta, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2028, que agora passou a ser o horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,2%, mesmo patamar estimado em junho no Relatório de Política Monetária da autarquia.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,10, mesmo nível usado na última reunião.

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A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos — o que na prática implica uma inflação de até 4,5%.

Confira o comunicado do Copom na íntegra:

​O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

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Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

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O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.

Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

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O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

(com agências)



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Foragido, Oswaldo Eustáquio é denunciado pela PGR por associação criminosa


A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Oswaldo Eustáquio, blogueiro e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, por associação criminosa. As informações foram noticiadas pelo portal g1 e confirmadas pela Jovem Pan.

O órgão entendeu que Eustáquio teria cometido a infração em publicações nas redes sociais e ao participar de atos contra a posse e a diplomação do chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O processo contra Eustáquio no Supremo Tribunal Federal (STF) tramita em sigilo.

Em petição protocolada nesta quarta-feira (5) junto à Corte, a PGR indicou haver indícios de que o blogueiro participou de mobilizações para a montagem de acampamentos em frente a unidades militares após o segundo turno do pleito presidencial de 2022 e associou-se a outras pessoas com o intuito de contestar a legitimidade do sistema eleitoral.

Alvo de dois mandados de prisão preventiva, Eustáquio está foragido desde 2023. Ele foi para a Espanha depois de receber o benefício de ficar custodiado em casa.

Em dezembro de 2025, a Justiça espanhola rejeitou o recurso do governo brasileiro contra a decisão anterior que negou a extradição de Eustáquio.



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Seara supera R$ 4 bilhões em investimentos na SuperAgro em dez anos

A Seara, controlada pela JBS, anunciou que ultrapassou a marca de R$ 4 bilhões em investimentos na plataforma SuperAgro, programa criado há dez anos para fortalecer a produção integrada de aves e suínos.

A iniciativa reúne mais de 9 mil granjas em todo o país e combina incentivos financeiros, assistência técnica e investimentos em infraestrutura para elevar a produtividade e a rentabilidade dos produtores.

Segundo a companhia, os recursos foram destinados à construção, modernização e ampliação de granjas, além da adoção de tecnologias voltadas à automação, biosseguridade e bem-estar animal.

Entre as melhorias estão a instalação de sistemas de ventilação e resfriamento, medidas que, de acordo com a empresa, contribuem para melhores índices zootécnicos e maior eficiência produtiva.

O programa adota um modelo de remuneração baseado em desempenho técnico e econômico. Conforme a Seara, produtores que atingem os melhores indicadores podem receber até 23% a mais por animal em relação à remuneração padrão. O acompanhamento das propriedades é realizado por extensionistas da companhia, responsáveis pelo suporte técnico aos integrados.

“O produtor tem a propriedade, mas esse relacionamento próximo, acrescido de um robusto suporte técnico e financeiro da Seara mostram o quão benéfico é ser um produtor integrado da companhia”, afirmou o presidente da Seara, João Campos.

O investimento faz parte da estratégia da empresa de ampliar a eficiência da cadeia produtiva em um momento de crescimento da demanda por proteínas animais e de maior busca por competitividade no setor. No sistema de integração, a agroindústria fornece insumos, assistência técnica e acesso ao mercado, enquanto o produtor entra com a estrutura e a mão de obra.

A companhia afirma que o programa tem contribuído para a expansão das operações de produtores parceiros. Um dos exemplos citados é o da família Maia, que ampliou a capacidade de alojamento de 140 mil para mais de 900 mil frangos por lote. A partir de setembro, a propriedade também iniciará a produção de ovos, com expectativa de produzir 12 milhões de unidades por ano.

Na suinocultura, a Seara destaca o caso do produtor José Anderson dos Santos, que expandiu a capacidade de terminação de pouco mais de 300 animais para mais de 33 mil cabeças ao longo de quase três décadas de integração. A expectativa é chegar a 44 mil animais com a construção de duas novas unidades.

Além dos investimentos em infraestrutura, a plataforma passou a incorporar programas de capacitação técnica e gerencial, treinamentos em compliance, ações voltadas à sucessão familiar e iniciativas para ampliar a participação feminina na atividade, como o Mulheres SuperAgro.

A empresa também informou que já distribuiu mais de R$ 12 milhões em premiações aos produtores com melhor desempenho desde a criação da plataforma. Neste ano, o Prêmio SuperAgro reconheceu produtores em 18 categorias, considerando critérios como bem-estar animal, manejo, conversão alimentar e qualidade da produção.

Segundo Campos, o objetivo é consolidar um modelo de parceria de longo prazo com foco em produtividade e sustentabilidade. “A SuperAgro é um modelo de longo prazo que valoriza quem entrega excelência. Não basta produzir mais, é preciso produzir com qualidade, com técnica e com visão de futuro”, afirmou.

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Petróleo, juros nos EUA e inflação vão ditar se haverá mais cortes na Selic


O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, indo a 14% ao ano, nesta quarta-feira (5), em decisão unânime. O comunicado, no entanto, deixou em aberto os próximos passos do ciclo de flexibilização, sem oferecer diretrizes futuras (forward guidance) e condicionando as decisões à evolução dos dados.

De acordo com economistas, o tom do comunicado reforçou os riscos de inflação à frente. Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, o texto foi “sucinto e assertivo”, eliminando a discussão sobre cenários alternativos para a trajetória da inflação. 

Leia também: Corte da Selic faz Brasil cair uma posição e leva país ao 2º maior juro real do mundo

Apesar da queda na taxa, a leitura majoritária é de que o Banco Central adotou uma postura mais dura (hawkish) do que o esperado. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que, embora o Copom tenha reconhecido a moderação da atividade, endureceu a interpretação sobre o mercado de trabalho, que deixou de ser classificado como “resiliente” para ser chamado de “aquecido”. Em relação à inflação, o BC pontuou que, embora tenha desacelerado, continua acima do teto da meta. 

Impacto da inflação e do cenário externo na Selic

A justificativa para o corte, mesmo em um cenário de cautela, apoia-se na perda de força da economia. O IPCA-15 avançou apenas 0,06% em julho, enquanto a produção industrial caiu 1,8% em junho. 

“O Banco Central não está cortando porque a inflação chegou à meta, mas porque os juros anteriores já retiraram demanda suficiente para permitir uma flexibilização gradual”, explica Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco. 

O cenário externo, no entanto, impõe barreiras. Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que o comunicado reconhece um ambiente internacional desafiador, pressionado pelas incertezas quanto aos conflitos no Oriente Médio e à condução da política monetária nas economias avançadas. Além disso, economistas pontuam riscos adicionais como o tarifaço americano sobre produtos brasileiros e a instabilidade do petróleo, fatores que podem pressionar o câmbio e gerar inflação importada. 

Além das pressões externas, o quadro fiscal doméstico em ano eleitoral permanece como um limitador central. Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, pontua que a evolução dos riscos fiscais e cambiais serão os principais determinantes para a continuidade ou não do ciclo de cortes de juros. Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, reforça que o Comitê segue atento à incerteza fiscal em ano eleitoral, fator que justifica a postura dependente de dados. 

A desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo também foi um ponto de atenção reforçado no texto. O Copom estendeu o horizonte relevante de sua política monetária para o primeiro trimestre de 2028, projetando a inflação em 3,2% nesse período. 

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Aposta em mais um corte

A sinalização de que o ciclo de calibração está indefinido mantém vivas as projeções de continuidade dos cortes. Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, a expectativa é de mais uma redução em setembro, para 13,75%, e encerramento de 2026 com a Selic a 13,25%, apoiada na projeção de continuidade na desaceleração da inflação e da atividade. 

 “O comunicado não fechou completamente a porta para futuros cortes de juros, mas deixou claro que será necessário observar uma melhora no balanço de riscos para que o processo de calibração avance”, pondera Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.

Aposta em pausa

Por outro lado, parte do mercado avalia que o ciclo deve parar nos atuais 14%. “Os atuais choques de oferta global (energia, inteligência artificial, El Niño) e a demanda doméstica (pacote expansionista fiscal e parafiscal), além das expectativas acima da meta ainda justificam uma pausa”, afirma Caio Megale, economista-chefe da XP. Ele argumenta que uma postura conservadora evitaria a deterioração das expectativas e garantiria um ciclo mais sustentável no próximo ano. 

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Bruno Perri também leu no comunicado sinais de pausa. Ele ressalta que a autoridade monetária retirou as menções a diferentes trajetórias de juros, focando apenas em manter a restrição adequada. “Para mim, isso é um sinal mais forte de que ele vai pausar o ciclo de cortes da taxa de juros em 14%”, diz. “Temos que ter surpresas positivas daqui pra frente para isso mudar”, conclui Perri. 

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o processo de calibração parece estar próximo do fim, e que o monitoramento do petróleo, juros dos EUA e dívida pública dirá se haverá ou não um corte adicional em setembro. 

Fora das planilhas do mercado financeiro, o setor produtivo alerta para os danos da política restritiva prolongada. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, lembra que, embora a Selic tenha caído, o custo do crédito atinge 30% ao ano para as empresas e passa de 60% para as famílias, sufocando o caixa e travando inovações. Skaf destaca ainda que a dívida pública de R$ 10,8 trilhões, atrelada à Selic, gera encargos anuais superiores a R$ 1 trilhão devido à “gastança desmedida do governo”.

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Reforçando o cenário de crédito escasso, Cassio Viana de Jesus, CEO da Pilar Capital, ressalta que o corte de 0,25 ponto é apenas uma calibragem. Segundo ele, sem uma sequência consistente de cortes, o crédito continuará restrito e o efeito sobre os investimentos será limitado. 

Projeções para a Selic ao fim de 2026

Com o cenário indefinido e a dependência de dados reforçada pelo Copom, as estimativas para a taxa básica de juros ao final de 2026 divergem entre os analistas.

A XP e o C6 Bank mantêm a avaliação de que o ciclo se encerrou, estimando a Selic estagnada em 14% ao final de 2026.  

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Rafaela Vitoria, do Inter, e Alberto Friggi, da Friggi & Secco, enxergam espaço para a continuidade de cortes consecutivos de 0,25 ponto, projetando a taxa em 13,25% até o fechamento do ano.  

A Ouro Preto Investimentos trabalha com a expectativa de mais uma redução em setembro, levando a Selic para 13,75% ao final de 2026.  

Gestoras como MA7 Capital e Grupo Intra apostam em um intervalo de encerramento entre 13,75% e 14%. Os analistas condicionam qualquer corte adicional à estabilidade cambial, à redução do prêmio fiscal e ao comportamento do petróleo no mercado internacional.



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Frigoríficos ociosos levam Paraguai a importar suínos vivos do Brasil

A abertura do mercado paraguaio para a importação de suínos vivos destinados ao abate pode representar uma nova alternativa para a suinocultura brasileira.

No fim de julho, o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) anunciou que o Paraguai aprovou o modelo de CSI (Certificado Sanitário Internacional), documento que autoriza as exportações brasileiras e amplia as oportunidades comerciais para o setor.

Na avaliação de representantes da cadeia produtiva, a medida cria uma nova opção de destino para os animais produzidos no Brasil, ajudando a reduzir a oferta destinada ao mercado interno e dando maior sustentação ao crescimento da atividade.

Segundo o presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Losivânio Luiz de Lorenzi, a abertura do mercado está diretamente ligada ao momento vivido pela indústria paraguaia.

De acordo com ele, o país vizinho vem ampliando os investimentos na suinocultura, mas ainda possui capacidade ociosa nos frigoríficos, o que aumenta a necessidade de importar matéria-prima para abastecer as plantas de processamento.

“Como eles estão investindo na atividade e as indústrias operam com ociosidade, surgiu a necessidade de buscar animais fora do país. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade importante de ampliar o mercado“, afirma.

Losivânio destaca que a exportação de suínos vivos também pode trazer reflexos positivos para o mercado brasileiro. Segundo ele, parte dos animais que iria abastecer exclusivamente o mercado doméstico passa a ter um novo destino comercial, contribuindo para reduzir a oferta interna e incentivando os produtores a manterem ou ampliarem os investimentos na atividade.

Apesar da abertura para animais destinados ao abate, o Paraguai já vinha importando material genético brasileiro para fortalecer seu rebanho. A diretora sócia da DASAGRO, Esther Storch, explica que, até o momento, as informações oficiais indicam apenas a entrada de matrizes reprodutoras.

Segundo ela, o primeiro embarque foi composto por 115 fêmeas, que passaram por um período de quarentena antes de serem distribuídas para centros de reprodução e granjas do país.

Ainda segundo Storch, o consumo de carne suína no país tem apresentado crescimento ao longo da última década e atualmente gira em torno de 11 kg por habitante ao ano.

Embora o avanço seja consistente, o índice ainda está abaixo da média regional, estimada em aproximadamente 20 kg per capita, indicando espaço para expansão da demanda doméstica.

Além do fortalecimento do consumo interno, o Paraguai também busca ampliar sua presença no mercado internacional. O país já realizou exportações de carne suína no ano passado, fator que vem estimulando novos investimentos da indústria na produção e no aumento da capacidade de processamento.

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Entidades da indústria acham corte da Selic acertado, mas reclamam de juro ainda alto


O Comitê de Política Monetária (Copom) acertou ao diminuir os juros nesta quarta-feira para 14% ao ano, mas o corte foi considerado insuficiente para aliviar os desafios impostos ao setor produtivo e às famílias brasileiras. Essa foi a linha de comunicação de algumas das principais entidades que representam a indústria.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, destacou em comunicado que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. A entidade lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses seguidos.

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirmou em nota Ricardo Alban, presidente da CNI.

A CNI disse ver justificativas para uma redução mais acelerada da Selic, como as expectativas de inflação em queda, segundo os últimos Boletins Focus do BC. Ao mesmo tempo, destaca que a própria inflação corrente vem perdendo força, como mostrou o último IPCA-15. Para a Confederação, esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses.

A entidade também disse que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. “A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação”, diz a CNI.

A Firjan, que representa as indústrias do Rio de Janeiro, também elogiou o corte, mas afirmou que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e restringe os investimentos e a expansão do setor industrial.

“O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o IBGE”, disse a nota da entidade.

Custo Brasil

A Firjan também reforçou que a redução da Selic precisa ser acompanhada por avanços que permitam uma queda mais consistente dos juros e dos custos de produção no país. “Para isso, é indispensável o fortalecimento da credibilidade fiscal, a redução dos prêmios de risco e a continuidade da agenda de redução do Custo Brasil. A combinação entre equilíbrio das contas públicas, maior previsibilidade econômica e melhoria do ambiente de negócios é essencial para que a flexibilização monetária se traduza em mais investimentos, produtividade e competitividade para a indústria.”

A avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg foi na mesma linha. “A estabilidade de preços é indispensável para o crescimento sustentável da economia. O processo precisa ocorrer com menor custo para a produção, os investimentos e o emprego, o que exige maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal”, afirmou em nota o economista-chefe da Federação mineira, João Gabriel Pio.

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Segundo a Federação, a decisão do Copom reflete um cenário em que ainda persistem pressões inflacionárias, sobretudo no setor de serviços, além de um mercado de trabalho aquecido e incertezas em relação ao quadro fiscal.

Na avaliação da entidade, o caráter expansionista da política fiscal e a ampliação de programas de crédito subsidiado, quando não acompanhados de um compromisso com o equilíbrio das contas públicas, reduzem a eficácia da política monetária e tornam o processo de controle da inflação mais custoso para a economia.

“Um ciclo mais consistente de queda dos juros depende de um ambiente macroeconômico mais equilibrado, com responsabilidade fiscal, previsibilidade e maior efetividade da política monetária. Esse conjunto de fatores amplia a confiança, favorece o investimento produtivo e fortalece a competitividade da indústria”, destaca o economista.

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JBS amplia linhas de crédito rotativo global para US$ 4,2 bilhões

A JBS anunciou nesta quarta-feira (05) a ampliação de sua capacidade de financiamento de curto e médio prazo com a assinatura de um aditivo ao contrato de crédito sindicalizado global. A operação elevou em US$ 650 milhões o volume total disponível nas linhas de crédito rotativo do grupo, que passaram de US$ 3,5 bilhões para US$ 4,2 bilhões.

Segundo comunicado enviado ao mercado, a JBS N.V., juntamente com determinadas subsidiárias, incluindo a JBS S.A., firmou o Sixth Amendment to Credit Agreement and Restatement Agreement, que altera e consolida o contrato originalmente celebrado em novembro de 2022.

O novo acordo prevê uma linha de crédito rotativo sênior sem garantia real de até US$ 2,65 bilhões, disponível em múltiplas moedas. O vencimento está previsto para 2031, com possibilidade de prorrogação por mais dois anos, desde que haja concordância dos credores.

Em comunicado ao mercado, a empresa destacou que a linha de crédito rotativo funciona como uma reserva de liquidez para a companhia. Diferentemente de um empréstimo tradicional, os recursos ficam disponíveis para saque conforme a necessidade da empresa, que paga juros apenas sobre o valor efetivamente utilizado.

Esse tipo de instrumento é amplamente utilizado por grandes companhias para administrar o capital de giro, financiar operações e enfrentar períodos de maior volatilidade nos mercados.

De acordo com a JBS, a ampliação da disponibilidade representa mais um avanço na estratégia de gestão financeira da empresa, fortalecendo sua posição de liquidez e ampliando sua flexibilidade para atender necessidades operacionais e financeiras em diferentes mercados.

A operação ocorre em um momento em que a companhia mantém uma estratégia de diversificação geográfica e de proteínas, além de continuar investindo em expansão e modernização de suas operações.

Com uma linha de crédito maior e de longo prazo, a JBS amplia sua capacidade de acessar recursos rapidamente caso surjam oportunidades de investimento ou necessidades adicionais de capital.

O novo contrato também acompanha a estrutura corporativa da JBS após a reorganização societária que resultou na listagem da JBS N.V. na Bolsa de Nova York (NYSE), mantendo a Companhia e suas subsidiárias entre as garantidoras das operações de crédito do grupo.

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Corte da Selic faz Brasil cair uma posição e leva país ao 2º maior juro real do mundo


O corte de 0,25 ponto percentual da Selic, que levou a taxa básica de juros do Brasil a 14% ao ano nesta quarta-feira (5), fez com que o país ficasse em segundo lugar no ranking dos maiores juros reais do mundo, com 9,33%. A estimativa leva em conta a taxa básica de juros, menos a inflação. A lista inclui as 40 maiores economias e é liderada pela Rússia.

A posição do Brasil seria mantida mesmo se o Comitê de Política Monetária (Copom) decidisse pela manutenção dos juros em 14,25%, ou pelo corte de 0,50 ponto percentual. Nestes casos, os juros reais ficariam em 9,37% e 9,2%, respectivamente.

Na última reunião do Copom, o Brasil ficou na liderança dos maiores juros reais do mundo.

O Ranking Mundial de Juros Reais foi elaborado pela Money You e Lev Intelligence, sob liderança do economista Jason Vieria. No relatório, Vieira destaca que “as perspectivas inflacionárias foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série maior de juros reais negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio, com forte caráter inflacionário”.

Na análise ampla, considerando 164 países, 84,15% mantiveram os juros, 4,88% elevaram e 10,98% cortaram. No levantamento, entre 40 países, 85% mantiveram, enquanto 7,50% elevaram as taxas e 7,50% cortaram.

Ranking dos juros reais
1 Rússia 9,67%
2 Brasil 9,33%
3 México 5,09%
4 África do Sul 4,62%
5 Indonésia 3,31%
6 Hungria 3,02%
7 Colômbia 2,63%
8 Polônia 2,61%
9 República Tcheca 2,20%
10 Índia 2,19%
11 Israel 2,09%
12 Chile 2,03%
13 Austrália 1,62%
14 Coréia do Sul 1,35%
15 China 1,29%
16 Tailândia 1,21%
17 Malásia 1,18%
18 Reino Unido 1,16%
19 Bélgica 1,07%
20 Estados Unidos 0,97%
21 Hong Kong 0,94%
22 França 0,84%
23 Cingapura 0,82%
24 Turquia 0,76%
25 Itália 0,75%
26 Suécia 0,74%
27 Canadá 0,68%
28 Grécia 0,44%
29 Espanha 0,37%
30 Alemanha 0,37%
31 Dinamarca 0,31%
32 Portugal 0,21%
33 Holanda 0,11%
34 Nova Zelândia 0,10%
35 Filipinas 0,09%
36 Áustria 0,03%
37 Taiwan -0,15%
38 Suíça -0,21%
39 Argentina -1,15%
40 Japão -1,56%
Fonte: Money You e Lev Intelligence



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