O debate da Rede Globo na noite desta sexta-feira (23) pouco alterou o cenário digital, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter conseguido um desempenho levemente melhor que o do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A conclusão é da AP Exata, empresa que faz análise de dados nas redes sociais.
Segundo a empresa, a melhora de Lula, no entanto, foi residual e não alcançou o indicador central para o presidente, que é a avaliação do governo. O índice de ruim e péssimo permaneceu em 41,5%, contra 34,3% de ótimo e bom e 24,2% de regular. Os três índices ficaram iguais aos registrados na véspera. A avaliação negativa supera a positiva em 7,2 pontos percentuais.
De acordo com a análise, a maior circulação de manifestações favoráveis a Lula após o debate não se converteu em melhora na percepção sobre sua gestão, fator considerado essencial para uma virada. Para a consultoria, o desafio continua sendo convencer o eleitor ainda em dúvida de que o governo merece um novo mandato.
O levantamento aponta que, nas menções positivas, Lula passou de 42,23% para 42,85%, avanço de 0,62 ponto percentual. Flávio recuou de 39,92% para 39,34%, queda de 0,58 ponto. Na confiança, o presidente subiu de 15,09% para 15,56%, enquanto o senador oscilou de 15,17% para 15,13%. A diferença de apenas 0,43 ponto mantém os candidatos próximos.
A AP Exata afirma em seu boletim que a repercussão sugere maior atividade da militância petista na exploração de episódios virais.
“A esquerda impulsionou a reação de Lula à expressão ‘nove dedos’, o pedido de desculpas de Flávio e a hashtag #SomosTodos9Dedos. Também explorou a presença da mãe de Ana Clara e recuperou vídeos de Jair Bolsonaro imitando falta de ar, após o senador negar que o pai tivesse debochado das vítimas da Covid-19”, diz o texto.
Já a direita difundiu a fala de Lula de que iria “acabar com a polícia”, associando o presidente à tolerância com criminosos, e fez circular memes sobre o “Gugo”, as respostas de Flávio aos pedidos de consulta ao Google e comparações de Lula com Joe Biden, avançando para o etarismo.
“Portanto, o saldo indica leve proveito de Lula na disputa entre militâncias, sem alteração significativa do cenário. A avaliação do governo permaneceu intacta. Os dados mostram maior recepção positiva ao candidato, mas não evidenciam que ele tenha conseguido transformar essa mobilização em convencimento dos indecisos”, conclui o boletim.



