A diplomacia brasileira vê Donald Trump pressionado pela vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e avalia ainda os possíveis impactos do resultado na relação com o Brasil.
A imprevisibilidade pela qual Trump é conhecido é um dos elementos na mesa para justificar a cautela de governistas brasileiros para avaliar cenários. Tudo dependerá de como o presidente irá guiar os próximos dois meses do governo até a virada do ano, quando os novos congressistas assumem os cargos. A dúvida é se Trump irá para o “tudo ou nada” durante o período e como isso poderá afetar a relação dele com outros países.
Outra expectativa é sobre como Trump irá se comportar com um legislativo que passará a ser de maioria democrata e que, logo de partida, já indica ser mais crítico ao presidente. Uma das apostas é em uma queda de braço entre o republicano e o Congresso até 2028, com o presidente evocando o modo de “senhor veto”, que já foi sinalizado por ele durante as eleições.
Fontes ouvidas pela CNN preveem um enfraquecimento de Trump e apontam riscos do presidente ser encurralado pela nova composição do Congresso americano. Ao trazer recados do eleitorado descontente com a atual Casa Branca, a vitória pode abrir ainda caminho para uma derrota republicana nas próximas eleições presidenciais, mas é preciso aguardar desdobramentos.
Um dos efeitos esperados é que um Trump abatido pelo resultado estará menos interessado em dar espaço para a articulação bolsonarista nos Estados Unidos, o que pode contribuir para ampliar o isolamento da família, que conta com Eduardo e Flávio em solo norte-americano.
Questões bilaterais como o tarifaço contra países como o Brasil, no entanto, são tratadas pelo Poder Executivo e não com o Congresso. O nível de pressão sobre pautas do tipo dependerá do que será eleito pelo capitólio como prioridade de agenda, avaliam fontes da diplomacia. O governo brasileiro afirma que as conversas não foram interrompidas e sinaliza a apresentação de uma proposta até a semana que vem.


