O governo dos Estados Unidos ainda não respondeu ao pedido de cooperação enviado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para avançar nas investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A solicitação foi encaminhada pela Polícia Federal ao DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça, em 9 de outubro.
Após analisar a documentação, o departamento enviou o pedido às autoridades americanas na semana seguinte, no âmbito do Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT, na sigla em inglês), em vigor entre Brasil e Estados Unidos desde 2001.
Segundo apurou a CNN, esse tipo de solicitação pode levar alguns meses para ser respondido. A pendência, contudo, ganha uma nova dimensão diante da viagem do senador: ele entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça-feira (27) e, 40 minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador.
A cooperação com as autoridades americanas é considerada importante para rastrear os recursos enviados pelo Banco Master ao fundo Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos, e esclarecer se o dinheiro foi utilizado para financiar o filme “Dark Horse”.
A PF conduz dois inquéritos sobre o financiamento de “Dark Horse”. O primeiro é relatado pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a abertura da investigação em 22 de julho. Nesse procedimento, Flávio passou a ser investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Em maio, o site Intercept Brasil revelou um áudio em que Flávio pedia dinheiro ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme. O senador negociou diretamente com o ex-banqueiro um repasse de US$ 24 milhões.
Documentos da investigação mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências bancárias, para financiar o projeto.
Segundo a investigação, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador financeiro de Vorcaro, afirmou em delação ter feito sete transferências para o Havengate Development Fund. O fundo é ligado a um advogado que atua para o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
A PF apura se parte do dinheiro destinado ao filme foi desviada para sustentar Eduardo nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido recursos de Vorcaro ou do fundo.
O segundo inquérito é relatado pelo ministro Flávio Dino e apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares para financiar o filme produzido pela Go Up.



