FAESP critica restrições da União Europeia à carne e ao mel brasileiros

A FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo) criticou duramente a decisão da União Europeia de restringir a importação de carnes, mel e outros produtos de origem animal brasileiros. Em nota divulgada, a entidade classificou a medida como desnecessária, discriminatória e sem respaldo técnico ou científico.

Segundo a Federação, a iniciativa europeia representa uma mudança unilateral das condições negociadas ao longo de mais de duas décadas entre Mercosul e União Europeia. Para a federação, após 25 anos de negociações e entendimentos entre os blocos, a adoção de novas exigências cria obstáculos artificiais ao comércio internacional e compromete a previsibilidade necessária para as relações comerciais.

A FAESP argumenta que o argumento utilizado pela União Europeia, relacionado ao uso de antibióticos na produção animal, não se sustenta diante da realidade do mercado global. A entidade destaca que países concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam produtos semelhantes em seus sistemas produtivos e não foram alvo de medidas equivalentes por parte dos europeus.

Na avaliação da federação, a diferença de tratamento evidencia uma postura protecionista voltada especificamente para reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. A entidade afirma que a agropecuária nacional segue rigorosos protocolos sanitários e que a qualidade da produção brasileira é reconhecida mundialmente.

De acordo com a FAESP, o país construiu ao longo das últimas décadas um dos mais sólidos sistemas de controle sanitário do mundo, consolidando-se como referência internacional na produção de proteína animal. A entidade destaca ainda que a excelência sanitária do rebanho brasileiro é um dos principais diferenciais competitivos do setor.

Diante do que considera uma agressão comercial e reputacional ao agronegócio nacional, a federação cobra uma atuação mais firme do governo federal nas negociações internacionais. Para a entidade, o Brasil não deve aceitar passivamente medidas consideradas injustificadas e precisa defender de forma mais contundente seus interesses comerciais em fóruns internacionais.

A FAESP também defende uma articulação conjunta dos países do Mercosul diante da decisão europeia. Segundo a entidade, Argentina, Uruguai e Brasil devem construir uma posição regional unificada para fortalecer o poder de negociação do bloco e responder de maneira coordenada às restrições impostas pela União Europeia.

O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, afirma que os produtores rurais brasileiros cumprem sua parte ao investir em qualidade, sanidade e sustentabilidade dentro das propriedades rurais. Segundo ele, cabe agora à diplomacia brasileira garantir que o setor receba tratamento justo no mercado internacional e que a competitividade conquistada pelo agronegócio nacional seja preservada.

A federação conclui que o Brasil tem papel estratégico na segurança alimentar global e que o respeito às regras do comércio internacional é fundamental para assegurar a continuidade das relações comerciais entre os países e blocos econômicos.

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