Senador relatou reuniões com autoridades dos EUA após proposta de tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras por divergências comerciais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter solicitado diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não aplique taxas sobre empresas brasileiras. O pedido, segundo o parlamentar, foi feito nas reuniões que contaram com a presença do vice-presidente, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio. As declarações de Flávio foram dadas à rádio Itatiaia, de Minas Gerais.
O movimento ocorre em meio à proposta do governo americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil.
De acordo com Flávio, a argumentação utilizada nos encontros focou na valorização da tecnologia e da produção nacional. O senador destacou setores como o agronegócio, o sistema de pagamentos PIX e o etanol como ativos estratégicos.
“É um pedido que eu fiz expresso a eles, porque eu disse o seguinte: a partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e vai negociar de igual para igual”, declarou.
A fala do senador acontece no mesmo dia em que foi divulgada a conclusão de uma investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão classificou políticas do governo brasileiro como “irrazoáveis” e sugeriu a taxação de 25% por considerar que as práticas brasileiras restringem o comércio norte-americano. O relatório fundamenta-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e aponta problemas em seis áreas, incluindo o mercado de etanol e serviços de pagamento eletrônico.
No âmbito digital, a investigação dos EUA citou ordens judiciais brasileiras para suspensão de perfis em redes sociais e remoção de conteúdo, além de restrições a sistemas de pagamentos.
Sobre o etanol, o documento afirma que o Brasil não oferece reciprocidade tarifária desde 2017. Outros pontos citados incluem a aplicação ineficaz de leis contra o desmatamento e falhas na proteção da propriedade intelectual.
Críticas a Lula
Flávio Bolsonaro criticou a condução diplomática do governo Lula (PT), afirmando que o presidente gerou desconfiança nas autoridades americanas. Segundo o senador, a postura do Executivo brasileiro em relação à segurança pública e declarações sobre a política externa dos EUA dificultam as negociações comerciais.
“Sentado hoje na cadeira de presidente da República, você tem alguém que simplesmente conseguiu ganhar a desconfiança do governo americano. Eles não confiam no Lula, porque o Lula sai de lá pedindo primeiro para não combater facções criminosas”, disse Flávio Bolsonaro.
“‘Os caras’ já pensam o que, ‘pô’: ‘Que presidente é esse? Estamos aqui oferecendo uma ajuda, uma cooperação, e o presidente do Brasil sai daqui pedindo (1:12) o contrário, para defender bandido, para defender terrorista’”, completou.
Por outro lado, o embaixador americano Jamieson Greer afirmou que a investigação do USTR foi iniciada a pedido de Trump para tratar de preocupações comerciais persistentes. Embora tenham ocorrido reuniões entre Trump e Lula nos últimos meses, o embaixador ressaltou que permanecem divergências substanciais entre os dois países.
As medidas propostas pelos Estados Unidos estão em fase de consulta pública até o dia 1º de julho. Uma audiência sobre o tema será realizada em 6 de julho, com o prazo final para a decisão sobre as tarifas fixado em 15 de julho.



