FriGol amplia operação em Rondônia com baixo Capex e mira nos EUA

A FriGol aposta na expansão da operação em Rondônia para aumentar o volume de produção sem realizar grandes investimentos na compra ou construção de novas plantas.

O modelo adotado pela empresa prevê contratos de prestação de serviços de industrialização com frigoríficos parceiros, enquanto a companhia fica responsável pela compra dos animais e pela comercialização da carne.

Em entrevista ao CNN Agro, o CEO da FriGol, Luciano Pascon, afirmou que a estratégia permite à companhia ampliar volumes e resultados com uma necessidade relativamente baixa de capital.

“Vimos uma oportunidade em Rondônia. É um estado com uma pecuária muito desenvolvida, com índices zootécnicos excelentes e que vem crescendo ano a ano, em volumes e qualidade. No modelo de produção que desenhamos com os parceiros, vimos uma oportunidade de crescimento com um investimento em Capex relativamente baixo, possibilitando alavancar nossos volumes e resultados”, disse.

A companhia iniciou 2026 com parcerias para operar três plantas em Rondônia. Uma delas é da RioBeef, em Ji-Paraná, enquanto outras duas pertencem à DistriBoi, também em Ji-Paraná e em Rolim de Moura. Pelo acordo com a DistriBoi, firmado em março, a FriGol compra os animais e comercializa os produtos, enquanto a parceira realiza o abate, a desossa e o processamento.

As unidades possuem habilitações sanitárias para mercados como China, Israel, Chile, Canadá e Indonésia, além dos Estados Unidos.

O movimento já começou a aparecer nos planos de produção da empresa. No primeiro trimestre, a FriGol informou que as três plantas ainda estavam em fase inicial de operação, mas afirmou que, a partir de abril, começaram a produzir no volume esperado.

“Estamos muito otimistas. Mesmo em meio a todos os desafios do ano, projetamos um aumento significativo na produção e no faturamento, consolidando nossa posição entre os quatro maiores frigoríficos do Brasil”, afirmou Pascon.

A operação também permitiu à companhia avançar em um mercado considerado estratégico, os Estados Unidos. Segundo Pascon, a possibilidade de acessar o mercado americano foi um dos fatores decisivos para a escolha das parcerias em Rondônia.

“Queríamos entrar nesse mercado. Vemos que o mercado dos Estados Unidos é um mercado que não vai recuperar volumes de rebanho. Ele já tem um nível muito elevado de produtividade e uma limitação muito grande para aumentar os índices de produtividade”, afirmou ao CNN Agro.

Para o executivo, a restrição estrutural de oferta nos Estados Unidos cria uma oportunidade para países com capacidade de produção em larga escala, como o Brasil.

“O Brasil, como produtor de larga escala, grandes volumes, consistência na sua produção, qualidade e segurança alimentar, é o player de maior capacidade de suprir esse mercado”, disse.

A estratégia começou a gerar resultados com o primeiro embarque da FriGol para os Estados Unidos, realizado em abril a partir da planta de Rolim de Moura, em Rondônia, unidade que passou a integrar a operação da companhia por meio do acordo de industrialização.

O Canadá também está entre os mercados avaliados pela FriGol, embora tenha uma escala menor que a dos Estados Unidos. Segundo Pascon, o país apresenta uma dinâmica semelhante à do mercado americano e, por isso, também é visto como uma oportunidade de expansão para a companhia. “É um mercado também que tem o seu potencial”, afirmou ao CNN Agro.

Segundo o executivo, atualmente apenas animais provenientes de cinco estados brasileiros estão aptos a serem exportados ao Canadá, entre eles Rondônia e Acre, em razão das regras sanitárias relacionadas à febre aftosa. A expectativa da companhia é de ampliação dessa possibilidade em aproximadamente um ano.

Além do acesso a novos mercados, Rondônia também aumenta a base de fornecimento da companhia. Para a FriGol, a região reúne oferta regular de gado e animais compatíveis com as linhas especiais destinadas ao mercado interno.

A expansão acontece em um momento em que a companhia busca crescer sem transformar o aumento de capacidade em uma pressão excessiva sobre o balanço. No primeiro trimestre, a FriGol encerrou o período com caixa de R$ 415,4 milhões e alavancagem de 1,7 vez a dívida líquida sobre Ebitda.

Pascon afirma que, neste momento, a prioridade é capturar os ganhos dos investimentos já realizados antes de avançar para novas grandes estruturas.

“Investimos mais de R$ 50 milhões em melhoria da estrutura das nossas plantas, com equipamentos mais modernos e eficazes. Também construímos uma graxaria nova”, disse.

Segundo o CEO, o objetivo agora é extrair mais produtividade dos ativos existentes por meio do programa FriGol+, voltado para eficiência, cultura e resultados.

“Nosso empenho é olhar para dentro do nosso negócio e procurar extrair os melhores resultados que possamos ter com os recursos que possuímos hoje”, afirmou.

A expansão em Rondônia ampliou a presença geográfica da FriGol, que passou a combinar as três unidades próprias localizadas em São Paulo e no Pará com outras três plantas operadas por meio de contratos de industrialização no estado. A companhia mantém ainda uma operação voltada ao mercado internacional, com presença em mais de 60 países.

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