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Hungria confirma foco de peste suína africana em granja com 1,8 mil animais

A Hungria confirmou um novo foco de PSA (peste suína africana) em uma criação comercial de suínos no condado de Somogy, no sul do país. O vírus foi identificado pelo laboratório do Nébih (Escritório Nacional de Segurança da Cadeia Alimentar) em uma propriedade com aproximadamente 1.850 suínos para engorda.

A confirmação ocorreu no domingo (09), após a identificação de sinais clínicos nos animais, como febre, fraqueza, diarreia e mortes.

A autoridade sanitária determinou o isolamento imediato da propriedade e a adoção das medidas necessárias para conter a doença. O plantel afetado, localizado na cidade de Lakócsa, está sendo eliminado, enquanto as autoridades conduzem uma investigação epidemiológica para identificar a origem da infecção e verificar se houve transmissão para outras propriedades.

A granja está situada em uma área da Hungria já classificada como infectada. Segundo o Nébih, o vírus também foi identificado em diversas amostras de javalis coletadas na região, o que reforça a necessidade de medidas de biossegurança para impedir o contato entre os animais domésticos e a população selvagem.

Como parte das ações de controle, foram estabelecidas zonas de proteção e vigilância com raios de 3 e 10 quilômetros ao redor do foco. Restrições foram adotadas nessas áreas, enquanto técnicos avaliam os riscos epidemiológicos relacionados à propriedade afetada, ao entorno e a possíveis criações que tenham tido contato com o plantel infectado.

O caso é o segundo registro de peste suína africana em suínos domésticos na Hungria em 2026, segundo a autoridade sanitária. O país também enfrenta a circulação do vírus entre javalis, considerada um dos principais fatores de risco para a introdução da doença em criações comerciais.

A PSA não é transmitida aos seres humanos e não representa risco à saúde pública. Para a cadeia de produção de carne suína, porém, a doença pode provocar impactos econômicos relevantes, principalmente por causa da necessidade de eliminação de animais, restrições de movimentação e comércio e possíveis efeitos sobre as exportações.

O Nébih reforçou a orientação para que produtores mantenham as granjas fechadas, reforcem as medidas de biossegurança e evitem qualquer contato direto ou indireto dos suínos com javalis. A autoridade também recomenda que casos de mortes ou doenças incomuns sejam comunicados imediatamente aos veterinários para que as medidas de controle sejam adotadas.

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Acessos portuários pressionam custos e minam a competitividade do agronegócio


Em fevereiro de 2026, no pico da colheita da safra de soja, a fila de caminhões para acessar o Porto de Miritituba (PA) chegou a 40 quilômetros na BR-163, principal corredor de escoamento do Centro-Oeste para o chamado Arco Norte. Novamente, transportadoras e produtores relataram aumento de custos e incerteza para cumprir janelas de entrega no porto.

O gargalo mostra que a eficiência dos terminais, por si só, já não basta quando rodovias, ferrovias e hidrovias não avançam no mesmo ritmo da produção. Nos períodos de safra, a conta do atraso aparece em cadeia: caminhões parados, fretes mais caros, risco de perda de qualidade da carga e pressão sobre o preço final.

As filas se formam quando o volume de caminhões, em poucas horas, supera a capacidade de recebimento dos terminais e dos pontos de controle ao longo do corredor. No pico da safra, o fluxo se concentra em janelas curtas e qualquer restrição vira efeito dominó: chuva e trechos com baixa condição de trafegabilidade reduzem a velocidade; acidentes ou fiscalizações interrompem a fluidez; e o acesso final aos pátios opera no limite.

Os caminhões acabam parados no acostamento e em vias locais, formando filas que se retroalimentam: quanto mais demora para descarregar, mais veículos se acumulam na entrada e maior fica o congestionamento no entorno.

O problema pode gerar custos que vão além do frete rodoviário e chegam ao transporte marítimo, segundo Jesualdo Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP). Nas contas da associação, o demurrage – taxa cobrada pelo dono de um navio ou contêiner quando o importador demora mais tempo do que o combinado para retirar a mercadoria e devolver o equipamento – custa cerca de US$ 40 mil por dia, valor repassado à carga, afirma.

“A carga é o grande prejudicado. Quem paga os caminhões, quem paga o frete, quem paga a operação portuária, quem paga a dragagem, quem paga tudo é a carga. O preço todo vai apertando a margem”, diz.

Leia também: Brasil ganha nova rota para exportar farelo de soja pelo porto de Itaqui

Integração e investimentos insuficientes

Para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as filas não são um evento episódico, mas um desafio já habitual que exige planejamento de longo prazo e investimentos em infraestrutura e gestão. A entidade avalia que, embora o investimento federal tenha crescido nos últimos dois anos, ainda está abaixo do necessário para reverter a deterioração de trechos críticos.

Além disso, o presidente da CNT, Vander Costa, diz que o País ainda não conseguiu integrar de forma efetiva os modais de transporte. Afirma que a implantação de pátios de triagem, sistemas de agendamento de cargas e condomínios logísticos próximos aos terminais, pode reduzir filas e congestionamentos nos períodos de pico.

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“A solução passa pela integração efetiva dos modais de transporte. Rodovias, ferrovias e hidrovias devem atuar de forma complementar, ampliando a capacidade de escoamento da produção […] É urgente a elaboração de um plano para hidrovias, com foco em programas de dragagem e manutenção das vias navegáveis, além da estruturação de novos mecanismos de financiamento e concessões, que envolvam hidrovias estratégicas”, diz.

Para o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, o País paga caro para enfrentar seus gargalos logísticos, mas pagará ainda mais caro se adiar projetos estratégicos. “O Brasil é um país muito rodoviarista, mas não se pode esquecer das obras férreas e de projetos em hidrovias. São obras caras, em especial as ferrovias, mas necessárias e, cedo ou tarde, precisam ser feitas. Se levar dez anos para ficar pronta, tem que começar logo.”

Glanzmann diz que o acesso aos terminais de Miritituba ilustra o desalinhamento entre a expansão da produção e a infraestrutura de transporte. “Nossas grandes riquezas estão no interior do Brasil. Não adianta pensar só lá no porto, lá na ponta, se a gente não tiver o caminho.”

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A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 reforça o diagnóstico: dos 13,9 mil km avaliados na região Norte, 81,3% foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. Para a confederação, a condição do pavimento, da sinalização e da geometria das vias afeta diretamente o desempenho de corredores que conectam a produção aos portos do Arco Norte, pressionando custos e elevando o risco de acidentes.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Lucas Beber, reforça o discurso sobre o escoamento ser um dos principais entraves à competitividade do produtor e diz que poucas são as soluções apresentadas.

Ele afirma que nenhum dos candidatos à disputa pelo Planalto em 2026 apresentou propostas detalhadas para enfrentar os gargalos ainda. “Os candidatos até reconhecem a importância e a relevância, mas não têm respostas e propostas completas. Na verdade, eles discutem só com grandes financiadores de campanha e não discutem com quem realmente tem propostas e tem demandas”, diz.



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Terra Santa reconhece perda contábil sobre 2,1 mil hectares em disputa

A Terra Santa Propriedades Agrícolas reconheceu uma perda contábil sobre o valor de 2.091,43 hectares de imóveis que são objeto de uma disputa judicial sobre posse e propriedade. O ajuste foi registrado nas informações financeiras referentes ao período encerrado em 30 de junho de 2026, divulgadas nesta segunda-feira (10).

Segundo a companhia, a decisão ocorreu após a avaliação dos impactos contábeis do processo judicial, cujo prognóstico de êxito foi alterado para remoto. As áreas fazem parte dos ativos da Terra Santa.

A empresa já havia informado sobre a mudança no prognóstico em fato relevante divulgado em 15 de julho. Com a conclusão da avaliação contábil, a companhia reconheceu a perda sobre o valor registrado dos imóveis em disputa.

A Terra Santa ressaltou, no entanto, que o reconhecimento da perda contábil não representa uma saída de caixa. Também não houve impacto sobre a receita da companhia, uma vez que os ativos envolvidos não são objeto de contratos de arrendamento.

A empresa informou ainda que o episódio não terá impacto na avaliação anual das terras. Isso porque as áreas em disputa não fazem parte do laudo utilizado para a avaliação anual do valor de mercado das terras da companhia.

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Leilão de canal de acesso de Santos deve servir de teste para modelo de concessão


Com os projetos dos canais de acesso de Itajaí (SC), Santos (SP) e Rio Grande do Sul ainda em preparação, agentes do setor avaliam que o leilão de Santos será decisivo para testar a viabilidade e a atratividade do modelo. A percepção é de que, por se tratar do maior complexo portuário do País em movimentação de cargas, o desempenho da concessão paulista servirá de referência para futuros projetos.

Com o leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado em outubro de 2025, o governo federal deu início ao plano de transferir à iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção das condições de navegabilidade dos principais acessos portuários do País. O modelo inclui atividades como dragagem, sinalização náutica, monitoramento hidrográfico e gestão operacional dos canais.

Leia também: Movimentação no Porto de Santos bate recorde em abril e no quadrimestre

A expectativa decorre da mudança de lógica promovida pelo governo. Até então, a União e as autoridades portuárias eram responsáveis por contratar e financiar obras periódicas de dragagem. Em alguns portos, como Itajaí, atrasos nesses contratos chegaram a gerar preocupações quanto à manutenção dos calados e à entrada de embarcações.

Um dos receios manifestados pelo setor durante a estruturação do modelo era o risco de a concessão estimular uma espécie de “indústria da dragagem”, na qual a remuneração do operador estivesse excessivamente associada ao volume de material retirado do fundo dos canais.

Para o CEO do MoveInfra, movimento que reúne os seis principais grupos de infraestrutura do País, Ronei Glanzmann, a modelagem adotada pelo governo reduziu esse risco ao vincular a remuneração à manutenção da navegabilidade, e não à quantidade de sedimentos dragados.

“O ideal da dragagem é você dragar menos possível. Primeiro porque é uma atividade muito cara. Segundo porque tem toda a questão ambiental de achar um local para depósito. O governo encontrou uma modelagem inteligente de conceder. O compromisso de quem vence é para garantir a navegabilidade. Como ele vai fazer é uma questão de engenharia. A concessão do canal de acesso não é um contrato de dragagem. A dragagem é um meio, mas não é o único. Isso evita a lógica excessiva”, afirmou Glanzmann ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Segundo ele, os concessionários podem recorrer a diferentes soluções para garantir a operação segura dos canais, incluindo sistemas de sinalização, monitoramento contínuo da batimetria e acompanhamento da dinâmica dos sedimentos ao longo do ano. “Estamos vendo o primeiro modelo entrar em operação em Paranaguá. Agora vamos acompanhar como será o desenvolvimento dos projetos de Santos, Itajaí e Rio Grande do Sul”, disse.

Risco e retorno

Apesar da avaliação positiva de parte do mercado, há agentes que consideram o modelo excessivamente oneroso para os futuros concessionários. A crítica central é que a estrutura transfere ao setor privado uma parcela relevante dos riscos associados à demanda, à necessidade de dragagens adicionais e aos custos de manutenção dos canais.

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Na visão desses participantes, diferentemente das concessões rodoviárias ou dos arrendamentos portuários, em que demanda e custos operacionais tendem a ser mais previsíveis, as concessões de canais de acesso estão sujeitas a variáveis de difícil mensuração. Entre elas estão a evolução do assoreamento, a ocorrência de eventos hidrológicos extraordinários e mudanças no fluxo de embarcações ao longo da vigência contratual.

Esses fatores podem elevar significativamente os custos do projeto sem que haja, necessariamente, um aumento proporcional das receitas, o que leva investidores a acompanhar com atenção a forma como o poder concedente distribui os riscos entre as partes. Somado a essas questões, ainda estaria a especificidade de cada canal de acesso e do serviço necessário para manter a navegabilidade em cada um.

Para esses agentes, o sucesso do modelo dependerá da existência de mecanismos capazes de reequilibrar os contratos diante de eventos extraordinários que afetem os custos de manutenção dos canais ou a movimentação portuária. Nesse contexto, o leilão de Santos é visto como um importante termômetro para medir o apetite dos investidores e a confiança do mercado na nova política de concessões.

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A consultora de Infraestrutura, Óleo e Gás e Energia do Instituto Livre Mercado (ILM), Simone Mayara, afirma que o setor acompanha a iniciativa com cautela. Segundo ela, há dúvidas sobre a possibilidade de replicar um mesmo modelo de concessão para canais com características operacionais e econômicas tão distintas.

“Esperamos ver como o governo vai fazer para esse novo modelo funcionar. Não consigo ver uma forma disso avançar. A Antaq não tem conseguido chegar à conclusão em temas simples que são gargalos relevantes. Há dificuldade real de tomada de decisão simples. Há dificuldade de bancar as decisões”, disse.

O corpo técnico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) afirma que não percebe a questão dessa forma. Diz que as empresas se mostram “muito” interessadas nos certames desde a concessão do serviço no canal de Paranaguá e já apresentaram interesse em participar do leilão de Itajaí, o próximo na fila do governo federal, com previsão para publicação do edital em agosto.

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Já o Ministério de Portos e Aeroportos sustenta que os projetos seguem os mesmos princípios aplicados às demais concessões federais, com realização de consultas e audiências públicas e estruturação voltada à modicidade tarifária e ao equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

“Qualquer potencial participante que identifique algum desequilíbrio no modelo pode contribuir nas consultas e audiências públicas, seja para sanar eventuais dúvidas ou para propor mitigações […] O dimensionamento de encargos e investimentos atende ao princípio da modicidade tarifária e do equilíbrio econômico-financeiro, com matrizes de risco estruturadas para assegurar a viabilidade comercial dos projetos”, afirmou a Pasta em nota.



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China informa que cota para carne bovina do Brasil chega a 90%

A China informou que as importações de carne bovina do Brasil já atingiram 90% da cota estabelecida no âmbito das medidas de salvaguarda aplicadas ao produto. O alerta consta de aviso publicado pelo Departamento de Investigação e MOFCOM (Medidas de Defesa Comercial chinês) nesta segunda-feira (10).

Segundo o documento, em 10 de agosto o volume de carne bovina brasileira importada pela China alcançou 90% do limite definido para o Brasil no âmbito das salvaguardas. A medida foi estabelecida pelo Ministério do Comércio chinês em dezembro de 2025.

Pelas regras, quando as importações atingirem 100% da cota destinada ao Brasil, será aplicada uma tarifa adicional de 55% sobre as alíquotas atualmente vigentes. A cobrança começa a valer a partir do terceiro dia, inclusive, após o volume alcançar o limite.

O aviso não informa quanto da cota ainda pode ser utilizado em toneladas, mas indica que o mercado brasileiro está próximo do esgotamento do limite estabelecido pela China para 2026.

A salvaguarda entrou em vigor em janeiro deste ano e estabelece cotas específicas para os principais fornecedores de carne bovina da China. A medida tem como objetivo proteger a produção doméstica chinesa diante do aumento das importações.

A proximidade do limite é relevante para o Brasil porque a China é o principal destino da carne bovina brasileira. O eventual acionamento da tarifa adicional de 55% pode elevar significativamente o custo do produto brasileiro no mercado chinês e pressionar as condições de exportação nos próximos meses.

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economia

EUA afirmam que estão à disposição do Brasil para conversar sobre tarifaço


Os Estados Unidos responderam nesta segunda-feira ao pedido de consulta do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as duas sobretaxas impostas aos produtos brasileiros importados pelo país.

Em documento enviado ao órgão, os EUA afirmaram que “aceitam o pedido do Brasil para iniciar consultas” e que os representantes estão “à disposição para conversar com os representantes de sua missão em uma data que seja conveniente para ambas as partes para a realização das consultas”.

Também hoje, a China pediu para participar da discussão tarifária entre EUA e Brasil, afirmando que “possui um interesse comercial substancial nessas consultas”. No documento, o país diz que as medidas podem afetar também as exportações chinesas, já que as discussões podem afetar as condições de concorrência de seus produtos no mercado americano.

“A China, portanto, solicita respeitosamente que lhe seja permitido participar das consultas nesta controvérsia”, diz trecho de outro documento vinculado à discussão.

A resposta americana realizada hoje responde à queixa realizada pelo Brasil à OMC, formalizada no fim do mês passado. Em 27 de julho, o Brasil afirmou que as medidas adotadas pelos americanos violavam compromissos assumidos pelo país no sistema multilateral de comércio e representam uma tentativa de impor sanções de forma unilateral.

A iniciativa, datada de 27 de julho pelo país, questiona as duas sobretaxas anunciadas no mês passado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ambas tomadas com base na Seção 301 da legislação comercial americana: a primeira sobre alíquota adicional de 25% relacionada à investigação sobre práticas comerciais brasileiras. A segunda sobre a taxa de 12,5% vinculada à apuração sobre supostas falhas do Brasil no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

Somadas, as medidas elevam a tributação sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano.

Na manifestação enviada à OMC, o Brasil argumenta que Washington desrespeitou o princípio da nação mais favorecida, um dos pilares do comércio internacional, ao aplicar tarifas específicas contra produtos brasileiros sem estender o mesmo tratamento a outros membros da organização. Também sustenta que os Estados Unidos passaram a cobrar tarifas superiores aos limites consolidados junto à OMC.

Outro ponto da reclamação é a alegação de que os EUA recorreram a medidas unilaterais para responder a supostas violações comerciais, em vez de utilizar o mecanismo de solução de controvérsias previsto pela própria organização.

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“Os Estados Unidos agem de forma incompatível com o Artigo 23.1 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU) ao buscar reparar supostas violações de obrigações, ou outra anulação ou redução de benefícios previstos nos acordos abrangidos, ou ainda obstáculos ao alcance dos objetivos desses acordos, por meio de determinações unilaterais e da imposição de tarifas, em vez de recorrer e observar as regras e os procedimentos estabelecidos no DSU”, diz trecho da manifestação.

O documento também resgata o histórico da disputa comercial entre os dois países. O Brasil lembra que, desde fevereiro de 2025, os Estados Unidos vêm adotando sucessivas tarifas adicionais contra parceiros comerciais sob diferentes justificativas.



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Estudante de biologia é encontrada morta na casa de namorado em SC; suspeito é preso


Uma jovem de 19 anos foi encontrada morta nesta segunda-feira (10) dentro de uma residência no bairro Santa Apolônia, em Sangão, Santa Catarina. O namorado dela, de 21 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil sob suspeita de feminicídio.

A jovem foi identificada como Joviana Evelyn Jankovski. Ela era estudante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e havia ingressado no curso de Ciências Biológicas no segundo semestre de 2026. Em publicação nas redes sociais, a universidade lamentou a morte da estudante.

A vítima estava desaparecida desde quinta-feira (6). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, familiares acionaram a Polícia Militar após dias de contato inconsistente por mensagens.

Na manhã desta segunda, a Polícia Militar recebeu informações de que a jovem poderia estar morta dentro de uma residência no bairro Santa Apolônia. Os policiais foram até o endereço e encontraram o corpo em um dos quartos do imóvel.

“A Polícia Civil foi imediatamente acionada e iniciou diligências para a localização do investigado, namorado da vítima. Durante os trabalhos de campo, foram colhidas informações com familiares de ambas as partes e traçado o histórico dos últimos passos do casal”, informou a corporação em nota.

O suspeito se apresentou voluntariamente à polícia na tarde desta segunda-feira. Durante o interrogatório, segundo a Polícia Civil, ele confirmou a versão que já havia apresentado aos investigadores sobre a dinâmica dos fatos. A corporação não informou, no entanto, qual foi o relato apresentado pelo jovem.

Diante dos elementos reunidos na investigação, o homem foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Científica realizou perícia no imóvel onde o corpo da jovem foi localizado, enquanto a Polícia Civil prossegue com as diligências para esclarecer as circunstâncias do crime e sua motivação.



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China pede para ingressar em consultas do Brasil à OMC por tarifas dos EUA


A China pediu nesta segunda-feira, 10, ingresso nas consultas feitas pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) em razão das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Anunciadas em julho, as tarifas, se combinadas, podem chegar a 37,5% e foram aplicadas em decorrência de duas investigações iniciadas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O pedido da China para participar das consultas nesta controvérsia envolvendo Brasil e EUA foi noticiado primeiro pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Em 27 de julho de 2026, o Brasil solicitou consultas para contestar as determinações feitas pelos EUA relativas a atos, políticas e práticas do Brasil (sobre PIX, tarifas preferenciais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal) na investigação da Seção 301, que resultaram na sobretaxa de 25% sobre produtos originários do Brasil, com exceções. Também foram questionadas as determinações na Investigação da Seção 301 sobre Trabalho Forçado, que culminaram na tarifa adicional de 12,5%, também sujeita a isenções específicas. O Brasil alega que essas medidas são inconsistentes com determinações de comércio internacional.

No documento desta segunda, o país asiático diz ter “um interesse comercial substancial nessas consultas”.

A China sustenta que podem ser impostas pelos EUA certas medidas sobre produtos chineses. “Essas medidas afetam todas as exportações da China para os Estados Unidos, sujeitas a isenções específicas, e, em particular, as condições de concorrência para produtos originários da China vendidos no mercado dos Estados Unidos, em razão das tarifas adicionais impostas.”

O que diz o Brasil

No documento protocolado no fim de julho, a chancelaria brasileira argumentou, com base no princípio de nação mais favorecida, que as decisões de Trump prejudicam o Brasil, porque o País perderia benefícios dados a outros sócios comerciais.

O Itamaraty reclamou, conforme noticiou o Estadão/Broadcast, que as medidas americanas são incompatíveis com diversos artigos do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, entre eles, exceder as alíquotas da lista de concessões dos EUA, o que, em consequência, deixa de conceder ao comércio do Brasil tratamento não menos favorável do que o previsto na regra.

Também disse que os EUA agiram em desacordo ao usar de “determinações unilaterais e medidas tarifárias” e “sem recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias”.

Como funciona o pedido

O pedido de consultas é a primeira fase da disputa na OMC. Os americanos aceitaram a reclamação brasileira, o que deu andamento ao pedido de consultas.

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Caso não haja um entendimento depois de 60 dias, o governo brasileiro pode solicitar a arbitragem por meio de um painel em Genebra, a segunda etapa, que pode levar alguns anos para emitir decisão.

Em agosto do ano passado, o governo Lula adotou a mesma estratégia com o tarifaço de 50% então vigente, e que seria derrubado legalmente pela Suprema Corte dos EUA, em fevereiro deste ano.

Apesar da abertura do processo, há dúvidas sobre sua efetividade. Na prática, a OMC tem as instâncias superiores paralisadas, e o governo brasileiro voltou a recorrer ao órgão de forma simbólica, para marcar posição de que a disputa deveria ser conduzida em Genebra e em defesa do órgão multilateral.

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Por resistência do governo Donald Trump, o órgão de apelação não funciona desde 2019, ainda no primeiro mandato do republicano. Trump bloqueou a escolha dos integrantes, o que na prática impediu seu funcionamento. O órgão é a terceira etapa e pode revisar as decisões de um painel de especialistas.



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Preço do açúcar atinge maior valor em dez meses na Bolsa de Nova York

Os preços futuros do açúcar avançaram nesta segunda-feira (10) e alcançaram o maior patamar em dez meses na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em outubro subiu 0,12%, para 16,47 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo análise da StoneX, a valorização observada ao longo da semana indica um possível movimento generalizado de recomposição de posições vendidas, conhecido como short covering, por parte dos fundos.

A avaliação é de que um ou poucos participantes do mercado podem ter interpretado os dados divulgados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) como um gatilho para a recompra de posições.

A dimensão desse movimento, no entanto, deverá ficar mais clara com a divulgação do relatório do CFTC (Commodity Futures Trading Commission), prevista para a próxima semana, que mostrará a evolução das posições dos fundos no mercado.

Apesar da alta dos contratos futuros, os fundamentos do mercado ainda não indicam um cenário de forte sustentação para os preços. A StoneX destaca que os indicadores do mercado físico continuam mostrando sinais de fraqueza, o que reforça a avaliação de que o movimento recente tem caráter predominantemente especulativo.

Em Santos, o açúcar VHP manteve nesta semana um desconto na faixa de 50 a 60 pontos em relação ao contrato de referência. Além disso, os dados de lineup, que mostram a programação de navios para carregamento nos portos brasileiros, permanecem em níveis considerados fracos.

Ao mesmo tempo, a produção de açúcar vem ganhando força, principalmente no estado de São Paulo. De acordo com a StoneX, a paridade entre a produção de açúcar e a de etanol hidratado tem favorecido a fabricação do adoçante desde meados de junho, contribuindo para o aumento da oferta.

Dessa forma, apesar da recuperação dos preços em Nova York, o mercado segue dividido entre o movimento financeiro dos fundos e fundamentos que ainda apontam para uma oferta elevada no Brasil.

Cacau

As compras de fundos ajudaram a sustentar os preços do cacau em meio às preocupações com possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre a produção na África Ocidental. Na Bolsa de Nova York, o contrato para entrega em setembro avançou 0,63% e encerrou o pregão negociado a US$ 5.932 por tonelada.

Segundo a Barchart, os preços do cacau chegaram a registrar perdas no início do pregão, mas reverteram o movimento ao longo do dia e terminaram em alta. A perspectiva de condições climáticas adversas associadas ao El Niño aumentou a preocupação dos investidores com a oferta da commodity na principal região produtora mundial.

Ainda segundo o Barchart, a valorização da libra esterlina, que atingiu o maior nível em duas semanas, reduziu a atratividade do cacau negociado na moeda britânica e contribuiu para conter os ganhos no mercado londrino.

Café

O café arábica fechou em queda na Bolsa de Nova York, pressionado pela expectativa de avanço no ritmo da colheita no Brasil. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,63% e encerrou o pregão cotado a US$ 3,13 por libra-peso.

Segundo a Barchart, a previsão de chuvas abaixo da média em importantes regiões produtoras brasileiras favorece a aceleração dos trabalhos de campo e aumenta a expectativa de oferta no mercado, o que pesa sobre os preços.

Dados da Climatempo divulgados nesta segunda-feira mostram que Minas Gerais recebeu 5,8 milímetros de chuva na semana encerrada em 9 de agosto, volume equivalente a 92% da média histórica para o período. O estado é o principal produtor brasileiro de café arábica.

No mercado de estoques, os indicadores seguem apresentando sinais distintos entre as variedades. Para o café robusta, o aumento dos estoques da ICE atua como fator negativo sobre as cotações. Na segunda-feira, os estoques atingiram 4.285 lotes, o maior nível em quatro meses e meio.

Já para o arábica, a redução dos estoques certificados da ICE oferece algum suporte aos preços. Os estoques recuaram para 242.673 sacas, o menor volume em dois anos e meio.

Com isso, o mercado acompanha de um lado a perspectiva de maior disponibilidade de café brasileiro com o avanço da colheita e, de outro, a redução dos estoques de arábica, que limita uma pressão maior sobre as cotações.

Algodão

Os contratos futuros de algodão encerraram em queda na Bolsa de Nova York, com o vencimento para dezembro recuando 0,64%, a 83,86 centavos de dólar por libra-peso.

No mercado físico, a Seam reportou a venda de 246 fardos no leilão realizado em 7 de agosto, com preço médio de 81,82 centavos de dólar por libra-peso.

O índice Cotlook A, referência para o mercado internacional de algodão, avançou 20 pontos em relação ao dia 7 e chegou a 93,70 centavos de dólar por libra-peso.

Já os estoques de algodão certificados pela ICE permaneceram estáveis na sexta-feira, em 84.632 fardos. Na semana passada, o Preço Mundial Ajustado, indicador utilizado como referência para o algodão norte-americano, subiu 163 pontos, para 66,29 centavos de dólar por libra-peso.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 0,49% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,41 por libra-peso.

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Dirigente diz que ‘não sabe’ até que ponto o Fed teria que elevar os juros nos EUA


A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que “não sabe” até que ponto o banco central teria que elevar as taxas de juros se retomar o aperto monetário, ao ser perguntada em entrevista ao Yahoo! Finance. Mas, segundo ela, os dirigentes precisam agir agora, para evitar dificuldades em retornar a inflação para a meta.

Hammack argumentou que não vê a política monetária significativamente restritiva diante das pressões inflacionárias amplas, enfrentadas por conta de múltiplos choques econômicos como tarifas, guerras, custos de seguros, preços de energia e investimentos em inteligência artificial (IA). “Uma única alta de juros de 25 pontos-base pode não fazer o suficiente pela economia”, disse.

A dirigente afirmou que este é o motivo de ter discordado da última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, em inglês). Usando metáforas, Hammack sinalizou que prefere aumentar os juros e “frear” a inflação “suavemente”, do que fazê-lo de modo agressivo.

O mercado de trabalho esteve dentro das estimativas de pleno emprego nos últimos anos e, na visão dela, o payroll de julho demonstrou estabilidade o suficiente para permitir o foco na inflação, ainda que tivesse sinais divergentes. Hammack ponderou que a contração nas vagas e queda da taxa de desemprego ocorrendo simultaneamente sugere uma mudança no ponto de equilíbrio do emprego dos EUA graças às novas políticas de imigração, argumento já defendido por outras autoridades americanas.

“Quando olho os mercados financeiros e converso com empresas, não ouço que estejam sentido qualquer restrição a investimentos por conta dos juros. Isso diz que agora é a hora de agir”, afirmou ela. “Quanto mais tempo esperarmos, maiores serão os custos para os americanos”.

Apesar de defender o aumento dos juros, Hammack reiterou que entra em cada reunião de “mente aberta” sobre qual será a trajetória da política monetária. “Eu ficaria muito feliz de estar errada e ver leituras de inflação mais baixas nos próximos meses. Soque simplesmente não vejo os preços voltando para a meta por conta própria”, disse.



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