Governo aposta em midterms para recalibrar relação com Trump | Blogs | CNN Brasil


O governo brasileiro mantém a cautela em relação a adotar respostas concretas aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.

A avaliação é de que ainda é preciso aguardar as apurações sobre a fuga do candidato derrotado Flavio Bolsonaro com a participação dos dois países antes de tomar posições mais definitivas sobre o assunto.

A leitura é de que o ideal é o presidente Lula manter a discrição e não entrar, ao menos por enquanto, publicamente no tema por haver o entendimento de que isso só interessaria à oposição brasileira e especialmente a Milei, que enfrenta eleições internas no ano que vem e, na avaliação do Planalto, interessa a ele tentar crescer na oposição.

Sobre Trump, a percepção é de que nada ocorrerá até as midterms, as eleições de meio de mandato que ocorrerão na próxima terça-feira e que irão renovar as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas no Senado.

O governo brasileiro aposta em uma vitória dos Democratas com formação de maioria nas duas casas, reequilibrando o jogo de forças interno americano e criando mais obstáculos para Trump levar adiante suas políticas.

Interlocutores do presidente Lula dizem, por exemplo, que se pelo menos se confirmar a maioria democrata na Câmara já será positivo porque os parlamentares americanos poderão pressionar a Casa Branca a reposicionar suas políticas, em especial sobre big techs e minerais críticos.

A visão é de que até mesmo uma negociação sobre o tarifaço pode ser facilitada com a vitória da oposição no Congresso americano.

A diplomacia brasileira entende que após as midterms será dada a largada para a própria sucessão de Trump, que poderá ser impactada pela eleição da próxima terça-feira.

Além disso, o governo brasileiro entende que o próprio Trump vem dando sinais ambíguos sobre o resultado eleitoral de domingo no Brasil. Não parabenizou Lula, mas também não disse nada favorável a Flavio Bolsonaro.

A postura é vista no Planalto como o reconhecimento por parte dele de que as urnas brasileiras deram sinais claros e mesmo o governo norte-americano terá dificuldade de desconsiderar isso.

A percepção é que Trump busca um discurso que acomode proteger seus aliados sem comprometer os interesses americanos na América Latina e especialmente no Brasil.

Isso significa que o Brasil entende que não há chance de os Estados Unidos avaliarem que Flavio Bolsonaro será o interlocutor de Estado brasileiro, mesmo porque, longe do Brasil, não terá meios para fazer isso.

 



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