Categorias
agro destaque_home

Safra recorde, dívida bilionária: o desafio do agro no novo governo Lula

Dólar alto pode elevar receitas, mas juros e custos crescentes ameaçam lucros e agravam endividamento rural, diz consultoria Cogo

Veja matéria completa aqui!

Categorias
brasil destaque_home

A eleição que Trump domina, mas não controla | Blogs | CNN Brasil


O principal dilema eleitoral de Donald Trump em 2026 nasceu de uma de suas maiores conquistas políticas. Depois de reorganizar o Partido Republicano em torno de sua liderança, o presidente precisa que uma coalizão construída para elegê-lo se mobilize para eleger outras pessoas.

O problema é que a identificação com Trump nem sempre corresponde à fidelidade partidária. Essa diferença, pouco visível nas disputas presidenciais, tornou-se particularmente importante nas eleições legislativas de 3 de novembro deste ano.

As pesquisas mostram que Trump conseguiu nacionalizar uma disputa que, formalmente, envolve centenas de candidaturas e interesses locais.

Segundo o Pew Research Center, 63% dos eleitores registrados consideram o presidente um fator em sua decisão para o Congresso. Para 44%, votar significa se posicionar contra ele. Apenas 19% interpretam o voto como uma manifestação de apoio.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro registrou aprovação presidencial de 32%, enquanto os democratas lideravam a preferência nacional para o Congresso por 47% a 36%.

O dado mais interessante, contudo, não está apenas na impopularidade presidencial. Está na relação entre Trump e a própria base que o levou de volta à Casa Branca.

O Pew identificou que 77% dos eleitores de Trump em 2024 pretendem apoiar candidatos republicanos à Câmara, enquanto 87% dos eleitores de Kamala Harris declaram apoio aos democratas.

A diferença aumenta quando se observam aqueles que estão insatisfeitos com seus respectivos partidos.

Entre os eleitores de Trump que hoje têm uma opinião desfavorável do Partido Republicano, somente 49% manifestam intenção de votar em seus candidatos legislativos.

Entre os eleitores de Kamala descontentes com o Partido Democrata, 73% continuam apoiando seus representantes.

Mas isso não significa uma migração expressiva de trumpistas para o campo democrata. Muitos permanecem indecisos ou consideram alternativas. A fragilidade reside justamente aí.

Trump ampliou o alcance eleitoral dos republicanos ao conquistar segmentos que não necessariamente desenvolveram vínculos duradouros com o partido. Para esses eleitores, apoiar o presidente e comparecer às urnas para eleger um congressista republicano podem ser decisões bastante diferentes.

Há ainda uma assimetria de mobilização. Na mesma pesquisa do Pew, 63% dos eleitores que apoiam candidatos democratas afirmaram estar extremamente motivados a votar, contra 46% dos apoiadores republicanos.

A rejeição ao ocupante da Casa Branca, portanto, pode funcionar como incentivo à participação, mesmo quando a oposição não dispõe de uma liderança nacional capaz de produzir entusiasmo equivalente.

Esse descompasso ajuda a explicar o comportamento dos próprios candidatos republicanos.

Uma investigação da Reuters sobre 62 disputas competitivas identificou 41 nas quais candidatos procuraram estabelecer alguma distância em relação a Trump, seja divergindo de políticas específicas, seja reduzindo a exposição de sua associação com o presidente.

Em Iowa, por exemplo, a deputada Mariannette Miller-Meeks votou para limitar os poderes presidenciais na guerra com o Irã, mas também apareceu ao lado de Trump na Casa Branca para anunciar investimentos industriais em seu estado.

Não se trata necessariamente de uma ruptura ideológica. É uma tentativa de conciliar exigências eleitorais distintas.

O apoio de Trump continua relevante para mobilizar a base republicana, mas a proximidade excessiva com sua administração pode representar um custo entre independentes e eleitores moderados. A estratégia consiste em preservar os benefícios da associação sem assumir integralmente seus ônus.

Os democratas, por sua vez, enfrentam uma contradição diferente. A rejeição a Trump oferece um elemento poderoso de mobilização, mas não equivale a uma aprovação irrestrita de suas propostas.

Uma pesquisa AP-NORC divulgada em outubro mostrou que aproximadamente oito em cada dez eleitores querem que o próximo Congresso priorize a redução do custo de vida, enquanto sete em cada dez defendem prioridade para o encerramento da guerra com o Irã.

Apenas quatro em cada dez consideram prioritário investigar a administração Trump.

Isso sugere que muitos norte-americanos podem desejar limitar o poder presidencial sem necessariamente apoiar uma agenda parlamentar organizada principalmente em torno do confronto com a Casa Branca.

A oposição pode se beneficiar eleitoralmente do desgaste do governo e, ainda assim, encontrar dificuldades para transformar esse sentimento em apoio consistente a um programa político próprio.

Também seria precipitado converter a vantagem democrata nas pesquisas nacionais em uma projeção direta da composição do Congresso.

Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, os democratas conquistaram a Câmara, enquanto os republicanos ampliaram sua bancada no Senado.

A representação política norte-americana continua submetida à geografia dos distritos, às características das candidaturas e às regras institucionais de cada disputa. A nacionalização do debate não elimina essas diferenças.

O que torna as eleições de 2026 especialmente relevantes é que elas colocam à prova a relação entre a força política pessoal de Trump e a capacidade eleitoral do partido que ele transformou.

Sua influência sobre a identidade, a agenda e a seleção de lideranças republicanas é evidente. Menos evidente é até que ponto essa influência consegue produzir maiorias legislativas quando ele próprio não está concorrendo.

É essa distância entre liderança pessoal e representação institucional que precisa ser observada daqui a uma semana. Trump pode continuar sendo o principal organizador da política norte-americana, mesmo que seu partido enfrente dificuldades nas urnas.

A eleição ajudará a esclarecer quanto da coalizão construída em torno dele pertence, de fato, ao Partido Republicano e quanto depende da presença do próprio presidente.



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.