Juros refletem na competividade brasileira | Blogs | CNN Brasil


O debate sobre a taxa de juros no Brasil vai além do controle da inflação e da credibilidade do Banco Central. Segundo a analista de Competitividade da CNN, Patricia Ellen, ao Hora H, os juros afetam diretamente a produtividade, a competitividade e a capacidade de crescimento do país, exigindo uma harmonização entre as políticas monetária e fiscal.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros foi considerada esperada diante do cenário econômico.

Patricia Ellen destacou que os dados da pesquisa Focus apontavam tendência de alta da inflação, desaceleração do PIB e aumento do câmbio, o que não deixava espaço para a continuidade da queda da taxa.

“A pesquisa Focus de ontem apontou mais de 70% de chance da manutenção”, afirmou.

Harmonização entre política monetária e fiscal

Para Ellen, o principal desafio do momento é alinhar a política monetária com a fiscal.

Ela ressaltou a necessidade de um sinal do governo sobre o controle das despesas obrigatórias, em linha com a inflação, sem abrir mão das prioridades sociais.

Além disso, a analista defendeu que não basta gerenciar apenas a demanda — é preciso também atuar sobre a oferta, por meio de investimentos em produtividade e competitividade.

Ellen elencou quatro blocos prioritários para enfrentar os desafios globais: energia, cujos custos subiram mais de 30%; fertilizantes, com alta acumulada que pode chegar a 20%; logística e armazenagem, pressionadas pela volatilidade do petróleo; e investimentos em tecnologia, inovação e inteligência artificial.

O Banco Mundial, segundo ela, projeta aumento de 18% na inflação de alimentos para os anos de 2026 e 2027, influenciado também por fenômenos climáticos.

Oportunidade com o acordo Mercosul-União Europeia

Patricia Ellen apontou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia como a maior oportunidade concreta para o Brasil no momento.

Após uma visita à Europa, ela relatou um clima de otimismo em relação ao país, em razão das relações complexas que o bloco europeu mantém com os Estados Unidos e com a China.

“O Brasil é uma grande oportunidade”, afirmou.

Os dados apresentados por Ellen reforçam esse cenário positivo. As exportações brasileiras cresceram mais de 20% entre janeiro e setembro sob o acordo preliminar. Desde maio, quando o acordo entrou em vigor, o aumento chegou a 30%, e apenas em setembro o crescimento foi superior a 60%.

Além do volume, Ellen destacou a importância de elevar o valor agregado das exportações, citando o programa EcoInvest, que conta com R$ 50 bilhões em investimentos homologados por quatro bancos, voltados a setores estratégicos como energia de baixo carbono, economia circular e indústria verde.



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