O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer compromisso do centrão com a fidelidade de votos em votações no Congresso Nacional.
A expectativa é de que Lula comece a chamar presidentes de partidos para conversas sobre a montagem da Esplanada dos Ministérios do quarto mandato a partir da semana que vem, mas ainda não há encontros marcados.
O petista está aberto a ouvir o centrão, mesmo aqueles partidos que se alinharam ao bolsonarismo no segundo turno das eleições presidenciais, mas que tiveram alas divididas principalmente com engajamento de diretórios do Nordeste na campanha de Lula.
Interlocutores governistas, no entanto, pontuam que é necessário que o centrão entregue mais ao governo para ter mais espaço. Em diversas votações importantes para o Planalto, o grupo político rachou e não passou no teste de fidelidade.
Lula tem indicado que irá fazer a montagem da nova Esplanada dos Ministérios com calma para definir cada posto de maneira estratégica.
Os partidos, por outro lado, têm corrido para pleitear manutenção de espaços na Esplanada. Neutro no segundo turno, o PSD espera manter as três pastas. O MDB também está à espreita sobre a configuração da Esplanada e busca preservar espaços estratégicos e com vitrine política, como o Ministério das Cidades.
O presidente tem um xadrez complexo a ser resolvido e que, além de distribuir cargos para partidos do centrão, também busca prestigiar aliados do PT que foram fundamentais na eleição e realocar parlamentares que estão sem mandato e quem abriu mão de disputar as eleições para permanecer ao lado de Lula.
É muita gente para agradar, muitas faturas a pagar, mas vagas talvez insuficientes. A escolha tende a ser feita de maneira estratégica e deve levar algumas semanas, segundo aliados.

