Mais de 30 famílias relatam mortes de bebês atendidos em hospital de SP | Blogs | CNN Brasil


Mais de 30 famílias relataram mortes de bebês e crianças após atendimento no Hospital e Maternidade Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, segundo Eduarda Fragnan Gomes, assistente jurídica do escritório que acompanha os casos. De acordo com ela, a maior parte dos relatos se refere a ocorrências deste ano. Após a divulgação das primeiras denúncias, novas famílias procuraram o escritório para relatar situações semelhantes.

A CNN Brasil teve acesso a dezenas de certidões de óbito e boletins de ocorrência relacionados a diferentes casos envolvendo crianças atendidas na unidade, que tinham entre 3 meses e 2 anos de idade, além de 1 menino de 12 anos.

Os documentos registram mortes com causas clínicas variadas e trazem relatos de familiares que questionam a assistência prestada durante as internações. Entre as queixas estão suspeitas de falhas no acompanhamento médico, demora para atendimento de intercorrências e problemas relacionados à higiene.

A Polícia Civil investiga seis mortes de crianças na unidade. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos foram comunicados à polícia na quarta-feira (21) e são apurados pelo 8º Distrito Policial, no Brás. A investigação inclui a análise dos prontuários médicos e a oitiva de profissionais de saúde e testemunhas para esclarecer as circunstâncias e as causas dos óbitos.

Os relatos reunidos pelas famílias apontam suspeitas de falhas na assistência. As acusações, no entanto, ainda precisam ser apuradas pelas autoridades e não representam, por si só, comprovação de negligência ou de relação entre a assistência prestada e as mortes.

Famílias relatam problemas durante internações

Em um dos boletins de ocorrência obtidos pela CNN Brasil, a família de um bebê relatou preocupação com a evolução do quadro clínico após um procedimento cirúrgico no hospital. Segundo o documento, a mãe afirmou que, depois da administração de medicamentos durante a madrugada, a criança passou a apresentar movimentos repetitivos nas pernas. Ela diz ter procurado ajuda por estar preocupada com a situação.

O relato também aponta questionamentos sobre a assistência médica naquele período e sobre a demora para obter respostas diante dos sinais apresentados pelo bebê. O documento registra a versão da mãe e as circunstâncias narradas por ela, que ainda devem ser esclarecidas na investigação.

Em outro caso, a família de uma criança que permaneceu internada por meses relatou dúvidas sobre a assistência durante o período de hospitalização. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe questionou a condução de intercorrências clínicas, relatou preocupação com um acesso na perna que teria evoluído para necrose e afirmou ter enfrentado dificuldades para conseguir avaliação de um especialista vascular.

A criança passou por internação em unidade de terapia intensiva e morreu em julho. A certidão de óbito registra, entre as causas apontadas, choque séptico, encefalopatia hipóxico-isquêmica, sepse e pneumonia.

Há ainda casos em que as certidões de óbito registram infecções graves entre as causas apontadas. Em uma das ocorrências, um bebê de três meses morreu em fevereiro, no próprio hospital. O documento indica insuficiência respiratória aguda, pneumonia, síndrome de Down, coarctação da aorta e sepse neonatal.

Queixas sobre higiene e monitoramento

Eduarda Fragnan Gomes afirma que, entre os relatos recebidos pelo escritório, há denúncias de falhas na higiene durante o manuseio dos pacientes e de problemas no acompanhamento clínico das crianças internadas.

Segundo a assistente jurídica, familiares relataram ter visto profissionais manusearem bebês sem equipamentos de proteção, como luvas e máscaras, e afirmaram que a higienização das mãos seria insuficiente. Ela também menciona queixas sobre a troca de roupas de cama e sobre a quantidade de profissionais disponíveis para atender as crianças.

Ainda de acordo com Eduarda, algumas famílias disseram ter comprado equipamentos para acompanhar os sinais vitais dos filhos por conta própria, por considerarem insuficiente o monitoramento oferecido durante a internação.

O que diz a polícia

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Civil investiga seis casos de mortes de crianças ocorridas ao longo deste ano em um hospital particular da capital, comunicados às autoridades na quarta-feira (21).

Segundo a pasta, os policiais estão realizando diligências, ouvindo profissionais de saúde e testemunhas e analisando os prontuários médicos completos para esclarecer as causas das mortes e as circunstâncias dos atendimentos.

O que diz o hospital

Em nota, o Hospital e Maternidade Salvalus afirmou que trata os relatos com seriedade e reiterou o compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência e o respeito às famílias.

A instituição destacou que atende casos de alta complexidade, incluindo prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e doenças infecciosas, e afirmou que as situações clínicas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica.

Segundo o hospital, mais de mil crianças foram atendidas neste ano, com assistência individualizada e equipes especializadas. A instituição declarou que as avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

O hospital também afirmou que não recebeu, até o momento, notificação formal sobre os procedimentos mencionados nas denúncias e que permanece à disposição das autoridades, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.

 



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