A MBRF vê na América Latina uma peça cada vez mais importante para o avanço da National Beef no mercado internacional. Com a oferta de gado restrita nos Estados Unidos e os custos da matéria-prima pressionando as margens dos frigoríficos, a companhia pode ampliar o uso da operação americana como plataforma de distribuição para carnes produzidas em países como Brasil, Argentina e Uruguai.
A estratégia foi sinalizada pelo CEO global da MBRF, Miguel Gularte, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026. Ao comentar o desempenho da operação americana, o executivo afirmou que “na operação de beef América do Norte, demonstramos resiliência e competitividade, com aumento de volume, mesmo em um cenário de oferta restrita de gado”.
Gularte também destacou especificamente a importância da estrutura americana para os negócios da América do Sul. Segundo o CEO, a plataforma de distribuição da National Beef “beneficia as exportações da América do Sul para os Estados Unidos”.
A declaração coloca a National Beef em uma posição que vai além do processamento de carne produzida nos Estados Unidos. A companhia pode funcionar como uma ponte entre a produção sul-americana e o mercado americano, aproveitando a estrutura comercial e de distribuição já existente no país.
A possibilidade de utilizar diferentes origens de carne ganha relevância diante do atual cenário da pecuária americana. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o rebanho dos Estados Unidos está no menor nível desde 1951, enquanto o volume de bovinos abatidos pela indústria caiu 7% no segundo trimestre.
Ao mesmo tempo, o preço de referência do boi vivo no Kansas alcançou US$ 254,45 por 100 libras, alta de 15,9% na comparação anual.
Nesse ambiente de oferta restrita e matéria-prima mais cara, a disponibilidade de carne produzida em outros países pode ampliar a flexibilidade da MBRF para atender seus clientes nos Estados Unidos.
Brasil, Argentina e Uruguai possuem cadeias de produção bovina relevantes e podem complementar a oferta da operação americana, sempre respeitando as regras sanitárias, tarifárias e de origem exigidas pelo mercado dos Estados Unidos.
A lógica é utilizar as diferentes operações da companhia de forma integrada. Enquanto a produção ocorre em países com diferentes ciclos de oferta de gado, a National Beef fornece uma estrutura comercial e de distribuição próxima ao consumidor americano.
A fala de Gularte reforça que a National Beef não deve ser analisada apenas como uma operação dependente do ciclo pecuário dos Estados Unidos.
Ao destacar que a plataforma “beneficia as exportações da América do Sul para os Estados Unidos”, o CEO sinaliza que a companhia americana também pode exercer uma função estratégica para outras operações da MBRF.
China também entra no desenho estratégico
A estratégia ganha uma dimensão ainda maior quando considerada a posição da China no mercado global de carne bovina.
O país é um dos principais destinos da produção sul-americana e pode representar uma alternativa importante para a MBRF direcionar seus produtos conforme as condições comerciais de cada mercado.
Durante a teleconferência, Gularte citou a situação da unidade de Tacuarembó, no Uruguai, que enfrenta restrições para vender ao mercado chinês. Nesse contexto, a estrutura da National Beef nos Estados Unidos ganha importância como alternativa comercial para produtos sul-americanos.
A MBRF, porém, não anunciou uma operação específica para utilizar a National Beef como plataforma de exportação de carne latino-americana para a China.



