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Latam confirma vazamento de dados de parcela dos clientes


A companhia aérea Latam disse nesta quarta-feira (19) que uma falha em seu sistema permitiu que dados de clientes fossem consultados por pessoas não autorizadas.

Empresa informou que as pessoas afetadas estavam dentro do programa fidelidade da companhia.

Em respeito aos clientes e em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a legislação aplicável, a companhia disse que comunicou as pessoas sobre o caso.

“O público potencialmente afetado e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já foi comunicado. Assim que identificou a ocorrência, a empresa adotou medidas imediatas de contenção e cibersegurança”, informou.

A companhia reforçou ainda que a segurança e a privacidade dos dados de seus clientes são “prioridades”. “A empresa mantém processos contínuos de avaliação e aprimoramento de seus sistemas e controles de proteção de dados”, finalizou.



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Justiça suspende demissões em massa de trabalhadores das Casas Bahia


A Justiça do Trabalho decidiu suspender as demissões em massa que foram efetivadas pelas Casas Bahia em todo o país. A decisão foi proferida na noite desta terça-feira (18).

A decisão foi motivada por um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) para barrar as dispensas. Na semana passada, a varejista anunciou que está com dificuldades financeiras e que protocolou na Justiça um pedido de recuperação judicial. Cerca de 1,9 mil funcionários foram demitidos e 298 lojas foram fechadas.

Ao determinar a suspensão das demissões, a juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, entendeu que as dispensas ocorreram sem a intervenção do sindicato da categoria, medida imprescindível conforme a legislação e a jurisprudência dos tribunais trabalhistas.

“A medida não impede a requerida de, concluída efetiva intervenção sindical, adotar nova decisão empresarial de redimensionamento e, se foro caso, promover dispensas. O sindicato não dispõe de poder de veto. Exige-se somente que a decisão coletiva seja precedida de informação e oportunidade real de interlocução, antes de sua implementação”, decidiu a magistrada.

Conforme a liminar, a empresa terá prazo de cinco dias para restabelecer os vínculos trabalhistas e incluir os funcionários na folha de pagamento. Em 48 horas, o plano de saúde e os benefícios assistenciais também deverão ser restabelecidos.
Novas demissões só poderão ocorrer se tiverem intermediação dos sindicatos.

Em nota, a varejista declarara que respeita as decisões judiciais e que prestará os esclarecimentos que forem solicitados.

“A companhia tomou conhecimento da decisão judicial e está avaliando seus termos e os próximos passos cabíveis. Reforça ainda que respeita as determinações da Justiça e prestará os esclarecimentos necessários no âmbito do processo”, afirmou a companhia.



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Exigências da UE podem levar Brasil a segregar animais para exportação

A pressão da União Europeia para restringir o uso de determinados antimicrobianos na produção animal deve levar o Brasil a ampliar os sistemas de segregação de bovinos e aves, conforme avaliação do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal).

Segundo a entidade, será necessário aumentar o controle sobre o histórico sanitário dos animais e comprovar quais produtos foram utilizados durante a produção, especialmente nos lotes destinados ao mercado europeu.

A exigência coloca a rastreabilidade no centro da discussão e pode acelerar a criação de sistemas de segregação para bovinos e aves destinados a mercados que adotam regras mais restritivas.

Segundo Gabriela Mura, diretora de Mercado e Assuntos Regulatórios do Sindan, o Brasil ainda precisa avançar para conseguir demonstrar de forma consistente que os animais destinados a esses mercados não receberam produtos incompatíveis com as exigências dos compradores.

Na avaliação do Sindan, o Brasil não enfrenta o mesmo problema em todas as espécies. A utilização de antimicrobianos ocorre em diferentes sistemas produtivos e, por isso, as soluções para bovinos e aves também deverão ser diferentes.

Nos bovinos, o desafio tende a ser maior por causa da estrutura da cadeia. O animal pode passar por diferentes propriedades durante a vida, envolvendo etapas de cria, recria e engorda, antes de chegar ao frigorífico. O ciclo produtivo também é mais longo, o que aumenta o número de informações que precisam ser registradas e preservadas para comprovar o histórico sanitário.

“Quando você fala de bovino, a cadeia é muito mais fragmentada”, explicou Gabriela em conversa à CNN. Segundo ela, enquanto aves e suínos trabalham com sistemas mais integrados, a pecuária bovina precisa lidar com diferentes produtores e propriedades ao longo do ciclo do animal.

“Esse cenário torna a segregação mais complexa. Um produtor que decidir produzir animais destinados a um mercado específico precisará não apenas controlar o que utiliza dentro da propriedade, mas também conseguir comprovar esse histórico posteriormente. Na prática, o desafio passa a ser construir uma cadeia capaz de separar fisicamente e documentalmente os animais conforme o protocolo sanitário adotado”, afirmou Gabriela Mura, do Sindan.

O Sindicato avalia que países como Argentina e Austrália avançaram mais rapidamente em mecanismos de rastreabilidade e controle.

A mudança, portanto, pode representar uma espécie de divisão do mercado. De um lado, permanecerão sistemas convencionais voltados ao mercado brasileiro e a países com exigências compatíveis. De outro, tende a crescer uma cadeia específica para atender compradores que exigem protocolos mais rígidos.

Esse processo tem um custo

Estimativas discutidas pelo setor apontam que a adoção de protocolos mais restritivos pode aumentar o custo de produção, especialmente quando envolve mudanças de manejo, registros, assistência técnica, identificação dos animais e controles adicionais. Em determinados cenários, o impacto mencionado nas discussões setoriais pode chegar a cerca de R$ 100 por animal.

Isso ocorre porque a criação de uma cadeia segregada exige investimentos antes que esteja totalmente claro qual será o prêmio pago pelo mercado e quando o sistema será efetivamente reconhecido pelos compradores.

A entidade avalia que dos pontos que precisam ser esclarecidos na discussão é que a redução do uso de antimicrobianos não significa deixar os animais sem tratamento.

O Sindan ainda aponta que a indústria de saúde animal também vem trabalhando na redução da dependência desses produtos por meio de alternativas relacionadas à prevenção, imunidade, manejo, nutrição e bem-estar animal.

Dados apresentados pelo Sindan indicam que a participação dos antimicrobianos no faturamento da indústria de saúde animal caiu de cerca de 17% em 2015 para 12% em 2025, em um movimento acompanhado pelo avanço de outras categorias de produtos e tecnologias.

Aves podem sair na frente

A necessidade de segregação também alcança as cadeias de aves, mas a estrutura produtiva pode facilitar a implementação dos controles.

Em sistemas mais integrados, a empresa pode acompanhar desde a alimentação e o manejo sanitário até o abate e o processamento. Isso permite registrar com maior precisão quais produtos foram utilizados e quais lotes de animais seguirão para determinados mercados.

Para os frigoríficos, o movimento também representa uma mudança operacional. Empresas que já trabalham com diversos mercados internacionais poderão precisar separar fornecedores, lotes, abates e fluxos de produção para garantir que um determinado produto cumpra as exigências do país de destino.

 

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Ministro da Fazenda busca reunião com Pedro Malan e Arminio Fraga sobre agenda fiscal


Em meio a críticas sobre a trajetória explosiva da dívida pública e das contas do país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenta se reunir com dois dos principais expoentes da política econômica na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga.

Segundo interlocutores de Durigan, o objetivo do encontro é ouvir o que esses economistas têm a dizer a respeito da condução da economia no terceiro mandato do presidente Lula, candidato à reeleição.

A expectativa é que as conversas ocorram ainda em agosto, no Rio. Mas as reuniões não foram agendadas porque há certa resistência por parte de Malan e Fraga, segundo interlocutores. A gestão dos dois foi baseada no controle rígido da inflação, de disciplina fiscal e consolidação do Plano Real.

Os encontros de Durigan com economistas críticos da gestão econômica do atual começaram nesta semana, em São Paulo, quando o ministro conversou com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, entre 2003 e 2005, primeiro mandato de Lula.

Segundo interlocutores, Durigan procura, neste momento, manter um diálogo com economistas que atuam em campos opostos. A justificativa é que ele também costuma ouvir economistas alinhados à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Nesta quarta-feira, Durigan disse que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito altas, algo inaceitável e que precisa ser solucionado.

— O Tesouro Nacional, que é a instituição que tem mais condição de pagar uma emissão de título no país, tem hoje uma taxa muito grande para pagar, em especial no longo prazo. Isso é inaceitável – afirmou, ao participar de um evento do setor de saúde.

Como mostrou O GLOBO na quarta-feira, a alta da taxa básica de juros, os “prêmios” cobrados pelos investidores em razão das incertezas externas e fiscais e a série de programas de crédito lançados pelo governo têm elevado o custo efetivo da dívida pública para os maiores patamares em uma década e ampliado as pressões sobre as contas públicas do país.

A chamada taxa de juros implícita, que é uma medida calculada pelo Banco Central (BC) para capturar o custo total do endividamento do governo, chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016.

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Esse indicador leva em conta também a composição da dívida pública, que contém títulos atrelados à Selic, prefixados, ligados à inflação, cambiais, entre outros compromissos do governo.

— Eu sempre digo que nunca podemos abaixar a guarda e achar que o trabalho está resolvido, porque não está — afirmou o ministro.

Segundo ele, há uma “grande milha final” para cumprir no futuro, citando um compromisso de trajetória sustentável das contas públicas e os juros.

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— O papel do governo brasileiro é seguir avançando, sem arroubos, sem achar que tem bala de prata, mas sim caminhar para que a gente estabilize essa milha final, que prejudica as empresas, o Tesouro, o agronegócio, as famílias. É preciso que a gente siga olhando e resolva prontamente na próxima gestão.

No mesmo evento, Durigan afirmou que o governo federal tentará aprovar no próximo esforço concentrado do Congresso Nacional a medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais.

“Esforço concentrado” é uma semana de votações no Congresso em meio ao período em que os parlamentares estão de olho na campanha eleitoral. O próximo está previsto para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro e será presencial.

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— O presidente Lula tratou disso ontem (terça-feira). O esforço do governo agora é mobilizar a base do Congresso Nacional para constituir a comissão mista da MP e aprovar o texto no próximo esforço concentrado. É nisso que o governo vai colocar seus esforços na próxima semana — afirmou. 



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Trígono Capital reduz participação na Kepler Weber para 14,94%

A Trígono Capital reduziu sua participação acionária na Kepler Weber, empresa líder em equipamentos para armazenagem e soluções em pós-colheita de grãos na América Latina. A informação foi comunicada pela companhia ao mercado nesta quarta-feira (19).

Segundo a Kepler Weber, a gestora informou que, por meio dos fundos de investimento sob sua gestão, passou a deter 26,853 milhões de ações ordinárias da companhia em na terça-feira (18). O volume corresponde a 14,94% das ações ordinárias da empresa.

A movimentação foi informada à Kepler Weber em correspondência recebida nesta quarta-feira, em atendimento ao artigo 12 da Resolução CVM nº 44/2021, que trata da divulgação de participações acionárias relevantes.

De acordo com a comunicação da Trígono Capital, a redução da participação não tem como objetivo alterar o controle societário ou a estrutura administrativa da Kepler Weber. A gestora afirmou que a movimentação atende aos objetivos dos fundos de investimento sob sua gestão.

A Kepler Weber disponibilizou ao mercado, como anexo ao comunicado, a correspondência enviada pela Trígono Capital com as informações sobre a alteração na participação acionária.

A companhia tem ações ordinárias negociadas na B3 (Bolsa Brasileira) sob o ticker KEPL3 e atua no desenvolvimento de equipamentos e soluções voltados à armazenagem e ao pós-colheita de grãos.

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Cacau sobe quase 2% em Nova York com dólar mais fraco

Na sessão desta quarta-feira (19), o contrato futuro do cacau para entrega em setembro encerrou o dia com alta de 1,89% na Bolsa de Nova York, cotado a US$ 6.031 por tonelada.

A valorização foi favorecida pela fraqueza do dólar no mercado internacional. O índice DXY recuou para o menor nível em dois meses e meio, tornando as commodities negociadas na moeda norte-americana mais atrativas para investidores que operam com outras divisas.

De acordo com o Barchart, as condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras na Costa do Marfim e em Gana pressionam os preços. O clima considerado positivo tem estimulado o florescimento das árvores de cacau antes do início da principal temporada de colheita, prevista para o próximo mês.

Na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, os dados acumulados mostram avanço significativo nos embarques. Os agricultores enviaram 2,11 milhões de toneladas aos portos entre 1º de outubro de 2025 e 2 de agosto de 2026, alta de 20% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Café

Na Bolsa de Nova York, o café com vencimento em dezembro registrou queda de 1,28% nesta quarta-feira e fechou cotado a US$ 3,28 por libra-peso.

O Barchart apontou que os preços foram pressionados pelo clima mais seco no Brasil, que favoreceu o avanço da colheita. Segundo a cooperativa brasileira Cooxupé, 81,1% da safra havia sido colhida até 14 de agosto, avanço de sete pontos percentuais em relação à semana anterior. O percentual, no entanto, ainda está abaixo dos 86,1% registrados no mesmo período do ano passado.

A redução das chuvas também contribuiu para acelerar os trabalhos no campo e pesou sobre as cotações. De acordo com a Climatempo, Minas Gerais, principal estado produtor de café arábica do Brasil, registrou apenas 0,6 milímetro de chuva na semana encerrada em 16 de agosto, equivalente a 11% da média histórica para o período.

Açúcar

O açúcar voltou a fechar em alta nesta sessão, mas perdeu força ao longo do pregão diante de movimentos de realização de lucros. Na bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro avançou 0,46% e terminou cotado a 17,55 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a Barchart, os preços chegaram a subir no início da sessão, impulsionados pela perspectiva de uma oferta global mais restrita. Na segunda-feira, o açúcar em Nova York atingiu o maior nível em 15 meses, enquanto o contrato negociado em Londres alcançou o maior patamar em 16 meses.

Apesar do suporte dos fundamentos, o mercado passou por vendas técnicas após a forte valorização acumulada nas últimas duas semanas. O movimento levou investidores a realizar lucros e fundos de commodities a reduzir posições compradas, pressionando as cotações durante o pregão.

Outro fator observado pelo mercado é a possibilidade de mudanças na política de importação da Índia. Na terça-feira, a Bloomberg informou que o país avalia reduzir as tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado da demanda durante a temporada de festas.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com valorização de 0,14% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,47 por libra-peso.

Algodão

No mercado de algodão, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 3,44%, cotado a 88,35 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a TradingView, os contratos futuros chegaram a ser negociados acima de 86,3 centavos de dólar por libra-peso e se aproximaram do maior nível em mais de três meses, em meio à piora das condições das lavouras nos Estados Unidos.

O último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), mostrou que 38% das plantações estavam classificadas entre boas e excelentes. O resultado representa uma piora em relação aos 40% registrados na semana anterior e aos 46% de duas semanas atrás.

A deterioração das condições nas principais regiões produtoras, associada à ocorrência de seca e ao aumento das temperaturas, amplia as preocupações com o potencial da safra. O cenário aumenta o risco de uma colheita menor e de uma oferta global mais restrita, fator que dá sustentação aos preços no médio prazo.

 

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EUA cruzam marca histórica de US$ 40 trilhões em dívida pública


A dívida total dos EUA ultrapassou os US$40 trilhões pela primeira vez, informou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira, gerando novos alertas de que uma crise fiscal está se formando, à medida que os custos crescentes dos programas de proteção social e os pagamentos de juros superam em muito as receitas, prejudicadas pelos cortes de impostos.

O último balanço diário de caixa e dívida do Tesouro mostrou que a dívida pública total em circulação era de US$40,047 trilhões na terça-feira, valor que inclui títulos do Tesouro detidos pelo público, no montante de US$32,266 trilhões, e dívida intragovernamental, no valor de US$7,782 trilhões.

A dívida do governo federal mais que dobrou em menos de uma década, partindo de US$19,95 trilhões quando o presidente Donald Trump tomou posse pela primeira vez, em janeiro de 2017. Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante dois anos de endividamento frenético do governo para financiar as respostas à pandemia da Covid-19 empreendidas por Trump e pelo ex-presidente Joe Biden, enquanto as escolhas de política fiscal de ambos os presidentes, combinadas com desequilíbrios de longa data entre receitas e gastos, foram responsáveis pelo restante.

Grupos de fiscalização orçamentária vêm prevendo a ultrapassagem desse limite há semanas e emitiram alertas severos de que uma crise de dívida em grande escala poderia eclodir, a menos que os parlamentares enfrentem um panorama fiscal insustentável e aumentem os impostos, cortem gastos ou ambos.

“A dívida de US$40 trilhões não existe apenas nos livros contábeis do governo; ela se faz sentir em toda a economia e, de uma forma ou de outra, chega ao bolso das pessoas”, disse Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, uma organização apartidária.

“Quanto mais contraímos dívidas, mais agravamos a inflação, prejudicamos outras prioridades no orçamento e nos tornamos vulneráveis a emergências internas e turbulências no exterior”, disse MacGuineas em um comunicado logo após a divulgação dos dados do Tesouro.

Ela observou que o valor de US$40 trilhões foi atingido menos de cinco meses depois que a dívida chegou a US$39 trilhões e quadruplicou em menos de 20 anos, considerando que levou até 1981 para atingir US$1 trilhão pela primeira vez. “É impressionante como o declínio fiscal de uma potência global pode se tornar previsível”, acrescentou MacGuineas.

Os credores globais dos EUA podem já estar ficando cautelosos.

Dias após um leilão de US$25 bilhões em títulos do Tesouro de 30 anos ter sido realizado com o maior rendimento desde 2021, os rendimentos dos chamados títulos de longo prazo atingiram na terça-feira seus níveis mais altos em quase duas décadas, à medida que os investidores exigiram maior remuneração diante da forte emissão de títulos do governo dos EUA.

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Nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tomou uma medida ousada para conter os rendimentos dos títulos de longo prazo, anunciando a duplicação do volume de recompra de títulos do Tesouro de 10 a 30 anos para pelo menos US$4 bilhões por operação.

O prêmio de prazo dos títulos do Tesouro de 10 anos — uma medida de quanto do rendimento total do título é atribuído ao risco percebido de mantê-los por uma década — subiu nesta semana para o maior nível em mais de uma dúzia de anos.

Em meio a tudo isso, a demanda por títulos da dívida dos EUA por parte de investidores estrangeiros — que detêm quase um terço de todos os títulos do Tesouro — vem diminuindo ao longo do último ano, deixando mais títulos à disposição de compradores mais sensíveis aos preços, o que pode agravar a volatilidade do mercado, escreveu na terça-feira John Canavan, analista-chefe de mercados financeiros do grupo de Serviços Macroeconômicos e de Investidores da Oxford Economics.

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O Tesouro divulgou na semana passada o quarto maior déficit mensal da história dos EUA — US$432 bilhões em julho —, à medida que os reembolsos de tarifas tornaram as receitas alfandegárias negativas pelo terceiro mês consecutivo e os gastos com benefícios da Previdência Social e do Medicare para idosos continuaram a crescer. O déficit dos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026 já ultrapassou o déficit total de todo o ano fiscal de 2025, faltando ainda dois meses para o fim do ano fiscal atual.

Trump tem ignorado em grande parte o número cada vez menor de defensores da austeridade fiscal em seu Partido Republicano, defendendo gastos elevados ao longo de seus dois mandatos. A dívida pública aumentou em US$7,8 trilhões durante o primeiro mandato de Trump, com mais da metade desse montante acumulada durante a resposta à pandemia nos últimos nove meses de seu mandato.

Desde que Trump assumiu o cargo pela segunda vez, em janeiro de 2025, o endividamento dos EUA aumentou em US$3,8 trilhões, totalizando um crescimento de US$11,6 trilhões em seus dois mandatos até o momento.

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A dívida pública aumentou em US$8,4 trilhões durante o mandato de Biden, também marcado por gastos elevados com a recuperação da Covid-19, mas impulsionado igualmente por despesas de grande porte com investimentos em infraestrutura, subsídios para energia limpa e outras prioridades defendidas pelo Partido Democrata.

O Comitê para um Orçamento Federal Responsável estima que as escolhas políticas de Trump e Biden tenham elevado a trajetória da dívida federal além do que teria sido acumulado de acordo com as leis de gastos vigentes quando cada um deles assumiu o cargo.

Por exemplo, o pacote legislativo histórico do segundo mandato de Trump — a Lei “One Big Beautiful Bill” — acrescentará mais US$4,7 trilhões à dívida, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso, órgão não partidário responsável pela contabilidade dos parlamentares federais.

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Trump caracterizou seu segundo mandato como focado na redução de custos, marcado por cortes iniciais de empregos em órgãos federais ordenados pelo Departamento de Eficiência Governamental. Mas grande parte de suas reduções de gastos teve como alvo os chamados programas “discricionários”, a menor parcela do orçamento federal. Os EUA gastam cerca de US$7 trilhões anualmente, e 60% desse montante é destinado aos chamados programas “obrigatórios”, incluindo pagamentos para a Previdência Social, o Medicare, o Medicaid e os cuidados aos veteranos, que geralmente aumentam para acompanhar o custo de vida.

Outro US$1,1 trilhão é destinado ao pagamento dos juros da dívida dos EUA, cujo custo aumenta à medida que a dívida se acumula e as taxas de juros sobem. O orçamento do ano fiscal de 2025 marcou a primeira vez em que os custos do serviço da dívida ultrapassaram o financiamento do Pentágono. Nos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026, os custos com juros superaram os gastos com assistência médica do Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas do sistema de aposentadoria da Seguridade Social.

Os EUA estão gastando mais com aposentadorias e assistência médica da geração “baby boom”, pressionando os fundos da Seguridade Social e do Medicare, enquanto as receitas de impostos sobre salários e renda continuam insuficientes para cobrir as despesas federais.



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Estoque de CPR chega a R$ 580,7 bi em julho, mostra boletim

O estoque de CPR (Cédula de Produto Rural) em julho atingiu R$ 580,78 bilhões, distribuídos em 372 mil cédulas, com ticket médio de R$ 1,56 milhão, segundo o boletim de finanças do agro divulgado pelo Mapa (Ministério da Agricultura).

De acordo com o levantamento, só no primeiro mês da safra 2026/2027, foram registrados R$ 37,53 bilhões em novas cédulas. O número representa um recuo de 8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

As negociações via CPR vêm crescendo exponencialmente ao longo dos anos. Segundo o boletim, que foi divulgado no fim de julho, desde 2022, esse tipo de papel cresceu 267%.

O título de crédito é mecanismo de venda antecipada das safras e funciona como uma espécie de promissória para que o produtor possa ter acesso aos recursos antes da colheita sem depender exclusivamente de crédito bancário subsidiado pelo governo.

A modalidade permite acessos a insumos, dá previsibilidade e desburocratiza processos. Integrantes do governo enxergam essa como uma forma eficaz de fazer negócios que tendem a crescer cada vez mais.

O boletim ainda mostra a evolução das LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), que somaram R$ 560,37 bilhões no mês, recuo de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% desse valor, equivalente a R$ 336,22 bilhões, precisa ser reaplicado no financiamento do setor agropecuário.

O Mapa esclarece que, desse montante, pelo menos 45%, ou R$ 151,30 bilhões, precisa ser direcionado ao crédito rural oficial. O montante considera recursos destinados à safra atual e contratos ainda em aberto de safras anteriores.

Já os estoques de CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de CDCA (Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio) foram de R$ 174,20 bilhões e R$ 30,21 bilhões, respectivamente em julho.

No caso de Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais), o patrimônio líquido totalizou R$ 64,13 bilhões registrado em junho de 2026, distribuídos em 285 fundos.

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Dirigentes discutiram riscos financeiros ligados a Treasuries e IA, revela ata do Fed


Dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) debateram riscos da volatilidade no mercado de Treasuries e da rápida ascensão de infraestruturas de inteligência artificial (IA) para o mercado financeiro. As deliberações aconteceram na última reunião monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) em julho, segundo ata divulgada no período da tarde desta quarta-feira, 19.

Alguns membros discutiram maneiras pelas quais episódios de volatilidade de preços no mercado de Treasuries dos EUA poderiam afetar negativamente o sistema financeiro, ou formas de reduzir a probabilidade de tais eventos.

Segundo a ata, os rendimentos nominais dos Treasuries subiram um pouco, em parte refletindo “comunicações do Comitê percebidas como mais restritivas do que o esperado”.

Na última semana, o juro do T-bond de 30 anos subiu ao maior nível desde antes da crise financeira de 2008 e o colapso das hipotecas subprime. Nesta quarta, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que recomprará dívidas de vencimento de longo prazo, medida vista por analistas como tentativa de conter a alta dos rendimentos e enviar alerta ao mercado de títulos.

Alguns dirigentes do Fed também observaram que materiais para data centers, como chips e aço, registraram grandes aumentos de preço, assim como itens de consumo, como smartphones, equipamentos de informática, software e eletricidade.

Além dos riscos inflacionários associados à IA, alguns membros notaram a existência de vulnerabilidades associadas ao financiamento da rápida construção de infraestruturas para a tecnologia e do alto nível de valorização das ações.

Para eles, há o risco de uma grande correção para baixo no preço de ativos relacionados à inteligência artificial, o que poderia deflagrar uma reprecificação mais ampla de ativos e apertar mais as condições financeiras.

Alguns poucos participantes da reunião também enfatizaram a importância de endereçar riscos de cibersegurança ligados a tecnologias de IA.



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MP denuncia médica após morte de seis crianças em UTI em hospital do PR


O Ministério Público do Paraná denunciou uma médica pela morte de seis crianças na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. Segundo a denúncia protocolada nesta terça-feira (18), as crianças morreram entre maio e julho de 2024 em decorrência de uma grave contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes no interior do setor.

O Hospital Angelina Caron afirmou que não foi notificado sobre o processo e que, por tramitar em segredo de justiça, não teve acesso ao inteiro teor dos autos. “Dessa forma, não é possível ao hospital se manifestar sobre o mérito da ação. O HAC informa que, tão logo seja oficialmente citado, prestará ao Poder Judiciário, dentro dos prazos legais, todos os esclarecimentos pertinentes e fornecerá as informações e documentos necessários para o completo esclarecimento dos fatos”, afirmou o hospital em nota.

O promotor de Justiça Éder Teodorovicz informou que a médica, que atuava na direção técnica da UTI do hospital, foi denunciada pela prática de homicídio culposo. As mortes, incluindo a de recém-nascidos, ocorreram por choque séptico e falência múltipla de órgãos.

“Do que se apurou na investigação, a agora ré agiu com grave negligência técnica ao se omitir da fiscalização e aplicação de protocolos básicos de assepsia e biossegurança”, informou Teodorovicz.

O promotor acrescentou que a equipe médica reutilizava luvas entre pacientes, manuseava de forma inadequada tubos de intubação e acessos venosos, deixando que surgisse um ambiente de contaminação cruzada. Procurado, o Tribunal de Justiça do Paraná não retornou.



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