A produção de cacau em amêndoas no Espírito Santo mais que triplicou entre 2014 e 2025, mesmo com a redução da área colhida. O volume passou de 4.300 para 13.306 toneladas, crescimento de 209,4% em 11 anos. No mesmo período, a área destinada à colheita diminuiu 27%, enquanto a produtividade média avançou 324,1%. Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A série histórica revela uma transformação no desempenho da cacauicultura capixaba. Em 2014, o estado registrava 22.044 hectares colhidos e produção de 4.300 toneladas. O rendimento médio era de apenas 195 quilos por hectare. Já em 2025, a produção alcançou 13.306 toneladas em uma área de 16.088 hectares, com produtividade de 827 quilos por hectare.
O crescimento ocorreu de forma contínua ao longo do período analisado. Em 2015, a produção chegou a 5.467 toneladas e, no ano seguinte, alcançou 5.507 toneladas. Em 2017, o volume avançou para 6.674 toneladas, preparando o terreno para uma mudança mais expressiva nos resultados da cultura.
O salto ocorreu em 2018, quando a colheita alcançou 10.245 toneladas, crescimento de 53,5% em relação ao ano anterior. Naquele período, a área colhida caiu de 22.568 para 16.726 hectares, enquanto a produtividade passou de 296 para 613 quilos por hectare. Assim, mesmo com uma área 25,9% menor, a produção apresentou forte expansão.
A partir de então, o Espírito Santo manteve a trajetória de crescimento. Em 2019, a produção chegou a 11.051 toneladas. Nos anos seguintes, alcançou 11.305 toneladas em 2020, 11.544 toneladas em 2021 e 11.702 toneladas em 2022.
O avanço continuou em 2023, quando a colheita atingiu 12.184 toneladas. Em 2024, o volume subiu para 12.383 toneladas e, em 2025, alcançou 13.306 toneladas, o maior resultado da série histórica.
Somente entre 2024 e 2025, a produção cresceu 7,5%. Além disso, a produtividade média avançou 5,4%, passando de 785 para 827 quilos por hectare. A área colhida também apresentou recuperação de 1,9%, de 15.784 para 16.088 hectares.
Os números mostram que a expansão da cacauicultura capixaba ocorreu principalmente pelo aumento do rendimento das lavouras. Em 11 anos, a produtividade mais que quadruplicou, permitindo que o estado ampliasse a produção mesmo com uma área colhida inferior à registrada no início da série.
Linhares concentra mais de 62% da produção estadual
O município de Linhares ocupa uma posição de destaque na cacauicultura do Espírito Santo. Em 2025, produziu 8.321 toneladas de amêndoas, o equivalente a 62,54% de toda a colheita estadual.
A liderança é expressiva. Sozinho, Linhares responde por quase dois terços do cacau produzido no território capixaba. Além disso, seu volume supera a soma da produção de todos os demais municípios do estado.
Na segunda colocação aparece Rio Bananal, com 1.114 toneladas e participação de 8,37%. Juntos, os dois municípios concentram 70,9% da produção capixaba.
Colatina ocupa o terceiro lugar, com 676 toneladas, ou 5,08% do total. Em seguida aparece São Mateus, com 652 toneladas e participação de 4,90%. Somados, os quatro maiores produtores respondem por aproximadamente 80,9% da colheita estadual.
Pancas aparece na quinta posição, com 273 toneladas, seguido por Águia Branca, com 234 toneladas, e Governador Lindenberg, com 230 toneladas.
Jaguaré também integra o ranking, com 188 toneladas, enquanto Marilândia registrou 179 toneladas. Vila Valério completa a lista dos dez maiores produtores, com 150 toneladas.
A atividade também está presente em São Domingos do Norte, Aracruz, Nova Venécia, João Neiva, São Gabriel da Palha, Sooretama e Santa Teresa, entre outros municípios.
A distribuição municipal demonstra que o cultivo de cacau alcança diferentes localidades capixabas. Entretanto, a elevada participação de Linhares revela uma concentração territorial bastante superior à observada em outras culturas agrícolas do Espírito Santo.
Ao mesmo tempo, a evolução da série histórica evidencia uma mudança importante no desempenho da atividade. O aumento da produtividade compensou a redução da área colhida e permitiu que o estado alcançasse sucessivos recordes de produção.
Anuário do Agronegócio Capixaba 2026
A evolução da cacauicultura é um dos retratos da transformação do campo capixaba que estarão na edição 2026 do Anuário do Agronegócio Capixaba, produzido pela Conexão Safra.
A publicação, que começa a circular em dezembro deste ano, reunirá dados, análises e séries históricas das principais atividades agropecuárias do Espírito Santo.

Sobre o autor
Fernanda Zandonadi
Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo.
Ver mais conteúdos



