Nesta quarta-feira (15), os contratos futuros do milho registraram forte valorização na Bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro avançou 1,95%, encerrando o pregão cotado a US$ 4,69 por bushel.
De acordo com a Royal Rural, o principal impulso veio da disparada dos contratos do trigo, que subiram mais de 5% após a intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia. A escalada das tensões na região do Mar Negro voltou a elevar as preocupações sobre possíveis impactos no fluxo mundial de grãos.
Além do cenário geopolítico, a consultoria destaca que o milho já contava com fundamentos positivos. O relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a projeção para os estoques finais da nova safra norte-americana de 49,78 milhões para 45,46 milhões de toneladas. No cenário global, a estimativa também foi revisada para baixo, com os estoques finais passando para 275,26 milhões de toneladas, uma redução de 5,96 milhões de toneladas.
Na avaliação da Royal Rural, a combinação de um balanço mais apertado entre oferta e demanda com o aumento dos riscos geopolíticos levou o mercado a incorporar um prêmio adicional às cotações do milho.
Trigo
Os contratos futuros do trigo registraram forte alta na Bolsa de Chicago, em que o vencimento para setembro avançou 5,04%, encerrando o pregão cotado a US$ 6,77 por bushel.
Segundo análise da Royal Rural, o trigo concentra as maiores preocupações do mercado diante da intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia. A região do Mar Negro é uma das principais fornecedoras de trigo para o mercado internacional, e qualquer interrupção na logística de exportação tem impacto direto sobre a formação dos preços globais.
Dados da Agriculture apontam que os ataques russos à infraestrutura portuária reduziram a capacidade mensal de embarque da Ucrânia de 6 milhões para 4 milhões de toneladas. Além disso, quatro dos 13 principais terminais de grãos da região suspenderam as operações de compra, enquanto a Kernel, uma das maiores exportadoras do país, interrompeu as atividades no porto de Chornomorsk após os ataques mais recentes.
“O fluxo de vagões carregados com grãos destinados aos portos de Odesa caiu 11%, enquanto as exportações recuaram 17%, reforçando as preocupações com a disponibilidade do produto no mercado internacional”, informou a Royal.
Soja
Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O vencimento para novembro recuou 0,31%, fechando cotado a US$ 11,91 por bushel.
Apesar da baixa no fechamento, o mercado encontrou suporte ao longo do dia com a divulgação dos dados da NOPA (Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos). O processamento de soja em junho somou 214,34 milhões de bushels, acima da expectativa do mercado, de 204 milhões, e também superior ao volume registrado no mesmo período do ano passado, de 185,3 milhões de bushels.
O relatório também mostrou estoques de óleo de soja de 1,5 bilhão de libras, abaixo da estimativa dos analistas, de 1,653 bilhão de libras. O volume representa queda de 13,5% em relação a maio, embora permaneça 8,4% acima do registrado em junho de 2025.
No cenário de oferta, os investidores também acompanharam a atualização da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), que elevou a estimativa para as exportações brasileiras de soja em julho para 13,76 milhões de toneladas. A nova projeção representa um aumento de 1,5 milhão de toneladas em relação à estimativa anterior e supera os 12,25 milhões de toneladas embarcados no mesmo mês do ano passado.



