Os dados de moagem de cacau divulgados nesta quinta-feira (16) indicam um cenário misto para a demanda global pela commodity. Enquanto a Europa registrou queda no processamento, a Ásia apresentou crescimento acima das expectativas. O mercado ainda aguarda a divulgação dos números dos Estados Unidos, que devem complementar o panorama do consumo mundial.
De acordo com a Associação Europeia de Cacau, a moagem na região totalizou 316.366 toneladas no segundo trimestre de 2026, volume 4,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava recuo de 1,5%, e representa o menor nível para um segundo trimestre nos últimos seis anos.
Na Ásia, a Associação de Cacau da região informou moagem de 224.646 toneladas entre abril e junho, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho superou a expectativa do mercado, que estimava avanço de 9%.
Segundo análise do Trading Economics, os resultados mantêm o foco do mercado nos fatores ligados à oferta. A avaliação é de que a valorização recente do cacau esteve associada principalmente às preocupações com a produção na África Ocidental e à atividade especulativa, enquanto os indicadores de demanda permanecem sem uma trajetória uniforme.
No lado da oferta, as atenções seguem voltadas para as perspectivas da próxima safra da Costa do Marfim e para as condições climáticas que poderão influenciar a temporada 2026/27. Os estoques globais também continuam acima dos níveis observados durante a crise de oferta registrada em 2024.
No Brasil, dados divulgados nesta semana pela AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), com base em levantamento do SindiDados – Campos Consultores, mostram que o recebimento de amêndoas cresceu em ritmo superior ao da moagem. Segundo a entidade, a maior disponibilidade de matéria-prima ainda não foi acompanhada por um aumento proporcional no processamento pela indústria.



