Newcastle, petróleo e eleições precificam mercado financeiro | Blogs | CNN Brasil


O mercado financeiro brasileiro operou sob forte pressão nesta sessão, influenciado por uma combinação de fatores internos e externos.

A divulgação de novas pesquisas eleitorais, a alta nos preços do petróleo e os balanços negativos de grandes empresas de tecnologia norte-americanas criaram um ambiente de aversão ao risco que derrubou o Ibovespa e intensificou a alta do dólar.

Rita Mundim, comentarista de Economia do CNN Money, descreveu o cenário como uma “combinação de Triângulo das Bermudas”.

Segundo ela, o mercado havia aberto praticamente estável, mas deteriorou após a divulgação de uma pesquisa que mostrou uma disputa mais acirrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Depois que essa pesquisa saiu, houve uma piora geral”, afirmou.

Eleição acirrada gera reação nos mercados

Os investidores interpretaram os números da pesquisa como sinal de uma eleição extremamente disputada. Rita Mundim destacou que a proximidade entre os candidatos gerou dúvidas sobre a alternância de poder, o que afastou a euforia que havia prevalecido anteriormente.

“Uma eleição mais voto a voto”, resumiu a comentarista. Como reflexo direto, houve aprofundamento da alta do dólar, pressão nos juros e queda mais acentuada no Ibovespa. As ações da Petrobras chegaram a recuar no momento da divulgação da pesquisa, mesmo com o barril de petróleo em alta.

Petróleo em alta pressiona inflação e juros globais

A escalada nos preços do petróleo foi apontada como outro vetor de pressão sobre os mercados. De acordo com Rita Mundim, a alta da commodity gera pressão inflacionária em nível global, o que empurra os juros para cima na Europa, nos Estados Unidos e no Japão.

No Brasil, havia uma perspectiva de descolamento desse movimento, com expectativa de queda de juros. No entanto, a pesquisa eleitoral recolocou em dúvida esse cenário, contaminando os ativos locais.

“O Brasil, que estava descolado desse binômio, se contaminou pela pesquisa apontando uma decisão muito acirrada”, avaliou Rita Mundim.

Além disso, os balanços divulgados na véspera por grandes empresas de tecnologia decepcionaram o mercado.

Arrecadação federal bate recorde, mas dívida segue em alta

Apesar do recorde de arrecadação divulgado pela Receita Federal, Rita Mundim alertou que a dívida bruta do país está em aproximadamente R$ 11,2 trilhões, com uma relação dívida bruta/PIB de 82,9%.

“O brasileiro nunca pagou tanto imposto e nunca pagou tantos juros”, afirmou.

A comentarista apontou que o governo consegue fazer com que as despesas cresçam mais do que a arrecadação, o que leva à contração de novas dívidas.

Sobre o cumprimento da meta fiscal, Rita Mundim avaliou que ela deve ser atingida por meio de artifícios contábeis, com despesas sendo excluídas do arcabouço, enquanto os gastos foram intensificados por medidas como subsídios a combustíveis e o reajuste do Bolsa Família.



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