O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) procurou usar o debate da TV Globo, na noite desta sexta (23), para apontar fragilidades do adversário Flávio Bolsonaro (PL) para governar o país e traçar comparativos de biografias e trajetórias.
O petista, no entanto, priorizou falar do próprio legado e não trouxe apresentação de propostas de futuro para o eleitorado.
Mais à vontade, sem gravata e sem os solavancos da largada do debate do último domingo (18) na Band, Lula partiu para o ataque na Globo, taxou Flávio de aluno que pratica “decoreba”, buscou colocar o adversário na defensiva e o encurralou ao evocar a memória do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia e o caso Ana Clara.
Perdeu, no entanto, oportunidades de esticar a corda contra o adversário em réplicas e tréplicas.
Em algumas oportunidades, a cautela e a preocupação em não errar ficaram evidenciadas. Conhecido pelos improvisos, Lula recorreu às fichas de consulta e leu perguntas e respostas em vários momentos.
O presidente também teve mais dificuldade com o controle do tempo que o adversário.
Flávio apostou em falar de segurança por diversas vezes. A “vacina” de Lula sobre um tema no qual a direita surfa com mais facilidade foi chamar Flávio de “miliciano” e evocar o caso Ana Clara.
O senador foi advogado do Policial Militar acusado de matar a menina em 2021, em Niterói. Questionado por Lula e com a mãe da criança na plateia, Flávio defendeu o policial e trocou o nome da mãe pelo da filha.
“Tenho a confiança de que não foi esse policial”, disse.
Lula não explorou o erro de Flávio, nem a menção que o senador fez de defender o policial. Na plateia, a mãe de Ana Clara criticava o candidato.
Flávio, no entanto, buscou explorar um erro de Lula ao trocar “milícia” por “polícia” e dizer que quer “acabar com a polícia”. Usou isso no último bloco, no embate direto entre os dois.
O senador teve pelo menos dois momentos de mea culpa no debate. Reconheceu que errou ao votar contra o aumento da licença-maternidade em 2009 e foi capacitista ao colocar para o público o apelido de mal gosto repetido por bolsonaristas ao se referir ao petista como “nove dedos” e teve que se desculpar.
O petista embalou a reação para retomar conexões com a classe trabalhadora e a origem sindical.
“Se tem alguém aqui que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando não podia trabalhar. Não vou permitir que miliciano me chame de nove dedos”, afirmou Lula.
Embalado pela onda de engajamento digital pós 1º turno, Lula buscou explorar a estratégia do Google para impulsionar o eleitor a fazer buscas na internet para checar falas do adversário.
A estratégia procurou desmentir falas de Flávio durante o debate, mas também impulsionar buscas na internet por feitos do próprio governo e mostrar um presidente menos analógico e mais conectado.



